Todo bairro que se preza, do mais luxuoso ao mais humilde e por mais residencial que seja, tem pelo menos três comércios: uma pequena venda onde se compra quase todo tipo de coisa, uma farmácia cujo farmacêutico já cuidou da maioria dos moradores, e um boteco.
Esse boteco tem duas funções básicas: servir de ponto de encontro para os vizinhos e quebrar o galho para uma saidinha rápida de casa sem precisar se locomover até os bairros mais agitados, evitando as perturbações do trânsito, os assaltos e o achaque dos flanelinhas.
Teoricamente, este boteco não precisa ter nada demais. Basta que tenha cerveja gelada, três ou quatro opções de bebidas diferentes e alguns petiscos suficientemente engolíveis para matar a fome. A Adega da Esquina poderia ser só isso, que ninguém ia reclamar. Mas não é só isso.
Na improvável esquina de uma rua que é uma rápida passagem de carros e ônibus com uma outra que liga a uma praça e a um labirinto de ruazinhas, exatamente onde funcionava uma oficina mecânica e, por sorte, bem perto da minha casa, Roberto Pamplona e Carla Pereira montaram, há apenas 4 meses, um dos bares mais simpáticos e interessantes de toda a região.
O local é simples, como um bar/adega deve ser, e com um cardápio bem enxuto, principalmente na parte dos “comes”. Mas quem se importa? O interesse do público é voltado para as cervejas, e é aí que, surpreendentemente, a coisa começa a ficar boa.
A pequena casa esconde uma incrível carta de cervejas importadas, com nomes dos mais variados tipos e procedências, a maioria com preços abaixo da média da cidade. Há desde nomes mais conhecidos como a alemã Erdinger e a irlandesa Guiness até as mais exóticas como a russa Baltika (uma Lager de sabor lupulado), a inglesa Fullers Honey Dew (com adição de mel), a belga Kriek Boon (que é feita através de fermentação espontânea com suco de cereja) e a austríaca Eggenberg Samichlauss que, com seus 14% de teor alcoólico, é considerada a Lager mais forte do mundo.
Bastava isso para a vizinhança já se dar por muito satisfeita, mas, para o simpático casal, era pouco. Então, de dois meses para cá, o bar passou a oferecer música ao vivo - de início uma vez por semana, mas hoje, atendendo aos pedidos dos clientes, o som rola de quinta a sábado.
E quem pensa que o esquema é o tradicional banquinho, violão e cantor desconhecido cantando as músicas de sempre, engana-se completamente. O som é de primeiríssima linha, como o estiloso jazz do Anderson Quevedo Quarteto, a bossa nova e a MPB da Lu Barros ou o jazz para lá de inusitado do FreeKJazz, que interpreta com levada jazzística clássicos do rock de Pink Floyd a Iron Maiden enquanto se espreme entre geladeiras, garrafas e sacos de carvão que formam o fundo do cenário.
Quem toca por lá é o Neymar Pires Trio, que já levou convidados como o Arismar do Espírito Santo. E quem estava botando a casa para dançar nesta semana mesmo era o velho e bom Jai Mahal, pioneiro da Vila Madá e “o homem do reggae” no Brasil, acompanhado pelos excelentes Pacíficos DuBanda e por ninguém menos que Simone Sou, ícone da percussão brasileira, que acompanha o Chico César e já tocou com Itamar Assumpção, Mutantes, Zeca Baleiro, Nando Reis e tantos outros.
E com tudo isso o esquema é de casa de amigos, de festa na esquina, de botequim de vila. Você chega e se enturma com os outros clientes, com os músicos, com os donos. Pede uma cerveja, uns queijinhos, outra cerveja. E depois vai embora cantando, com mais amigos, mais leve e feliz. A vida é simples. A gente é que complica.


O casal Beto e Carlinha estão de parabéns!! Bebes + comes + entretenimento feito com criatividade, super atendimento e preço justo... já deu certo!!!
ResponderExcluirMuito legal, deu vontade de conhecer...
ResponderExcluirJá DEU certo!!! Abs DU & Bah!
ResponderExcluirSó quem foi sabe. Adega da Esquina é um lugar muito aconhegante e carismático. Parece que todos os frequentadores se conhecem há muito tempo. A música é selecionadíssima. Carla e Beto, super carinhosos...Vale a pena!
ResponderExcluirAlberto
Carla e Beto, parabéns! Adorei! Não consigo pensar em tomar cerveja de qualidade em outro lugar.
ResponderExcluirCarlos Scaramuzza