segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dois Irmãos (Campo Belo / São Paulo)



Vamos falar sobre uma trabalhadora muito especial: a chopeira mais antiga de São Paulo, ainda em atividade. Ela não fica em nenhum dos bares considerados “clássicos” da cidade nem escondida em algum boteco do centro sendo cultuada em alguma espécie de “balcão-altar”.
Ao contrário. Ela fica em um bar descontraído e receptivo no Campo Belo, sem qualquer ornamento ou destaque, dividindo espaço com duas réplicas e trabalhando diariamente, de lua a lua, há 52 anos. E tem muita história pra contar...

A história da casa – e sua vocação – vem da década de 20, quando um ex-gerente da Brahma comprou o imóvel e montou uma vendinha para ganhar seu sustento e poder beber em paz com os amigos.
Após décadas de despojamento, a venda foi adquirida, em 1958, pelos irmãos portugueses Manoel e José Souza Dias. Eles a transformaram em um bar, batizando a casa com o nome atual e instalando atrás de seu balcão a valente chopeira, adquirida do clássico Joan Sehn.
Já nesta época o bar ganhou fama pelo excelente chopp, que até hoje é cuidadosa e lentamente tirado de uma única torneira e servido em uma tulipa de vidro bem fininho. Fato que obrigou os proprietários a adquirirem duas réplicas de sua relíquia, feitas sob encomenda.
Como a chopeira não é automática, o chopp ainda passa por um processo artesanal para ser servido. O que explica sua surpreendente leveza.

A casa ficou conhecida também por algumas excentricidades, como o fato de não ter telefone e pela presença de uma grande mesa redonda à qual só podiam se sentar os clientes mais assíduos que, em sua grande maioria, sempre foram os moradores do bairro.
Só que, como aparentemente os homens costumam viver menos do que chopeiras, os dois irmãos vieram a falecer, um no final do século passado e outro no início deste. Com isso, o bar entrou em decadência e o bairro em grande aflição.
O Dois Irmãos dá a impressão de ser precisamente um “ponto de encontro”, onde os amigos do bairro combinaram há anos atrás de se encontrar todos os dias após o trabalho. A coisa toda é tão natural que os próprios freqüentadores parecem não se dar conta disso. É automático. Mas por que não seria assim?
Por isso, com seu declínio e com o receio de que o bar fechasse suas portas definitivamente, quatro ex-clientes (hoje são só dois: o Chicão e o Boy, como são conhecidos) assumiram o estabelecimento e promoveram algumas reformas que se faziam necessárias.

Nessa reforma, a casa foi bem ampliada. A grande mesa foi substituída por outras menores, também redondas e de tamanhos diversos, como é o costume do bar.
A casa ganhou também um grande ambiente totalmente ao ar livre, fechado para a rua, como um grande quintal de casa, que talvez seja o único ambiente interno na cidade onde é permitido fumar.
E ganhou ainda algumas novidades no cardápio, como a porção de pernil e ótimos sanduíches de frios feitos com qualidade e sem frescuras.
Mas manteve detalhes fundamentais, como seu piso hidráulico original, sua aparência autenticamente antiga, seu jeitão meio chique / meio boteco de bairro e seu eterno clima de confraternização entre amigos.

Dois Irmãos – R. Demóstenes, 55 – Campo Belo – S.Paulo Tel: 5093-1927
Funcionamento: Segunda a Sexta a partir das 17h, Sábado à partir das 12h e Domingo das 12h às 20h.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Velho Rabo (Pompéia – São Paulo)



Fui atraído pelo nome – ou pela troca dele. Passei ali em frente durante anos e os dois bares da esquina da Caraíbas com a Desembargador do Vale me chamavam a atenção, mas nunca parei. Até que o “Rabo de Galo” deixou de existir e surgiu, em seu lugar, o “Velho Rabo”.
Resolvi conhecer. Da calçada eu ouvi – “Sai um rabo!” – e logo depois – “Sai um rabo escuro!”
Você entraria? Eu entrei. Entrei e mal sentei o rabo na cadeira já chegou um rabo, isto é, um chopp claro, trazido e devidamente esclarecido pelo Giba, o garçom que não apenas coleciona pins o bottons, como ostenta alegoricamente boa parte da coleção sobre o uniforme.

Aí descobri que alguns malucos registraram o nome lá no Ceará e a casa vinha tendo problemas com isso. Então, para mudar sem mudar muito, virou Velho Rabo.
Descobri também que os dois bares da esquina – este e o Botequim – são dos mesmos donos, o Daniel Mantovani, seu pai Ercílio e seu irmão Maurício, que são donos também do Boteco São Paulo, na avenida Pompéia, a menos de um quilômetro dali.
E descobri, ainda, que o cardápio é espetacular e presta homenagem (oportuna, mas creditada) a diversos bares da cidade. Assim, você pode pedir ali a “Alheira do Bar do Elídio”, o “Escondidinho do Lapinha”, as “Lascas de pernil do Bar do Justo”, os “Canapés do Bar Léo” ou o “Sanduba de mortadela do Bar do Mané”.

Há também criativas adaptações elaboradas pela casa, como o “Escondidão do Rabo” (no bom sentido), um enorme escondidinho que, além dos habituais carne seca, queijo e purê de mandioca, leva abóbora; o “Estadinho do Rabo” (tudo bem...), uma adaptação do lanche de pernil do Estadão servido como petisco; o “Rabo Quente”(!!!...), uns belos bolinhos de carne apimentados e o Caldinho (esse não leva o sufixo “do rabo”, graças a Deus), que é servido acompanhado de um “gorózinho”.
Uma sacada interessante do bar é servir a picanha ainda crua (opção) para cada um deixar no rechaud o tempo que achar melhor – o que é uma crueldade com as mesas vizinhas, atingidas pelo provocador aroma da carne. E a porção é pra lá de generosa...

E não dá pra deixar de falar das rabudinhas. Ah... as rabudinhas!... Elas são um tipo de bruschetas caprichadíssimas, com diversas coberturas diferentes, todas muito tentadoras. Bruschetas, rabudinhas, enfim...
E se você quiser homenagear a casa, peça o mais tradicional dos coquetéis, formado pela simples mistura de pinga com vermute e aprenda: a palavra coquetel vem do inglês “cocktail”, que significa...rabo de galo.


Velho Rabo – Rua Caraíbas 605, Pompéia, São Paulo. 
Tel: 3801-4464
Funcionamento: Terça a Sexta das 17h à 1h, Sábado das 12h à 1h e Domingo das 12h às 22h.


A origem do “coktail”
Como tudo que começa na mesa de um boteco, ninguém registrou nada e cada um tem uma versão diferente diferente da história. Fui checar na wikipédia e piorou a coisa. As versões são as mais desencontradasmas, pelo menos, curiosas e engraçadas. Seguem algumas delas:  

1-   O escritor e bon vivant londrino Dr. Johnson. Ele teria comparado a "pecaminosa" mistura de vinhos com destilados fortes aos cavalos de sangue misturado, sem raça definida, que, no interior da Inglaterra, tinham a ponta do rabo cortada (em inglês, cocked tails).
2-   O termo vem das rinhas de galo que ocorriam na região do Mississipi, nos EUA, onde penas retiradas do galo vencedor eram usadas para mexer os drinques dos apostadores vencedores.
3-   O drink espetacular teria sido preparado e batizado por uma linda jovem mexicana chamada Coctel.
4-   Na época da lei seca era de costume dos americanos beber Vermute com Vodka. O famoso Rabo de Galo que no Brasil é elaborado com vermute e cachaça.
5-   Na guerra da independência americana, uma taberneira chamada Betsy Flanagan, viúva de um soldado revolucionário, teria roubado as penas do rabo de um galo do inimigo para decorar os drinques que servia em sua taberna.
Particularmente, acho esta última a mais plausível. E você?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Maripili (Santo Amaro – São Paulo/SP)



Se você gosta de conhecer outras culturas e provar pratos e petiscos autênticos de diversos países, você tem duas opções: viajar pelo mundo ou morar em São Paulo.
Só que esta segunda opção traz algumas armadilhas, como no caso da cozinha espanhola. Aos mais desavisados é possível acreditar que todo espanhol é rico e só come lagosta e paella.

Graças ao Dario Taibo, essa minha ignorância pôde ser superada. Dario é paulista, filho de galegos e morou dez anos em Madrid, onde provou diariamente dos pequenos prazeres do país.
Quando voltou, trouxe arraigada a idéia de reproduzir aqui exatamente o que mais apreciava por lá – a comida simples do dia a dia e os saborosos petiscos servidos nas tabernas hibéricas.
Assim nasceu o Maripili – diminutivo de “Maria Del Pilar”, nome pra lá de comum entre os espanhóis – uma autêntica “tasca” despretenciosa que serve “tapas”, pratos simples e bebidas em uma casinha propositalmente instalada em um pedaço tranqüilo de Santo Amaro, longe do agitado circuito gastronômico paulistano.

Com o intuito de manter a informalidade e a intimidade com os clientes, montou o salão com apenas seis mesas e um balcão com algumas banquetas, do que o Christian e a Karina dão conta com muita agilidade e simpatia.
Para deixar claro o objetivo da casa, decorou tudo com referências à Espanha, mas com o devido cuidado de não transformá-lo em um espaço temático.
Primeira boa surpresa: a aparente simplicidade e o despojamento da casa escondem uma cozinha estrelada e afinadíssima. Capitaneada pelo chef Luiz Macedo, que já atuou em conceituados restaurantes da cidade, ela oferece sabores premiados e que retratam, de maneira fiel, a cultura gastronômica da Espanha.
O exíguo cardápio estampa apenas dois pratos principais: a picante dobradinha e o rabo de boi cozido no vinho tinto guarnecido de pimentão, berinjela e tomate assados ao azeite, carros-chefe da casa. Mas, uma lousa na parede e outra do lado de fora mostram as sugestões do dia, que são diversas. Mas nem é preciso chegar a elas.

Como se trata mais de um bar do que propriamente um restaurante, os petiscos são ótimos, com muitos frios de alta qualidade e vários embutidos, como o fuet, o chorizo e a sobrassada – todos deliciosos – que são entregues diariamente por um senhor espanhol.
Há ainda diversas “tapas”, como o gazpacho (sopa fria à base de tomate), o revuelto de setas (um tipo de omelete com shitake), o pisto (molho grosso de tomate com pimentão) ou a tortilla de batata, uma das mais pedidas.
E tudo sem fazer concessões ao gosto local ou “abrasileirando” pratos. O que, em nome da tipicidade, também faz um grande bem ao cenário gastronômico de São Paulo.
Para acompanhar tudo isso, uma bela carta de vinhos, com opções em taças e garrafas de vinhos espanhóis, franceses, argentinos e portugueses, entre outros.

E aí, mais uma agradável surpresa. Dario Taibo é também um conceituado enólogo e diretor da “Sociedade da Mesa”, ou “Sociedade do livre exercício dos prazeres da mesa”, um clube de amantes do vinho.
Falando em nome do clube, Taibo é também um dos poucos a dizer todas as verdades sobre o vinho e a tentar “desmitificar” seu consumo, fazendo com que possamos apreciá-los sem “frescuras” ou “endeusamentos”.
Com isso, assim como todo o cardápio, a carta de vinhos do Maripili é simples e direta. Boa e honesta. É, tanto nas opções como nos preços, uma das melhores alternativas da cidade.

Maripili – R. Alexandre Dumas, 1.152, Santo Amaro, S.Paulo.Tel: 5181-4422.
Horário: Terça a Sexta das 12h às 22h, Sábado das 12h às 16h e das 19h às 22h, Domingo das 12h às 16h.


Como não falei em doces, reproduzo aqui a matéria feita pela Jovem Pan com o chef Luiz Macedo e o preparo da Natilia, única sobremesa da casa:


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dona Felicidade (Cunha / SP)



Nem sempre o nome de um lugar serve como referência para aquilo que procuramos.  Em Cunha você encontra caipirinha no Celeiro, cachoeira no Pimenta, cerâmica no Jardineiro e macarrão no Caminho do Ouro. Felicidade, entretanto, é o que você mais encontrará no final da estrada de terra que leva à pousada e restaurante Dona Felicidade.
Os motivos são muitos. O Dona Felicidade nasceu do sonho do casal Almiro Pontes e Maria de Lourdes Lopes Reis – que meia-hora depois de você conhecer serão, para sempre, o Miro e a Lu – que conseguiram trocar, após uma batalha de anos a fio, a insanidade de São Paulo pela tranqüilidade de Cunha.
E este é o primeiro motivo para você ir até lá: Cunha, que por si só, já é um lugarzinho com todos os ingredientes que um bom lugarzinho precisa ter: cultura (são dezenas de ateliers de cerâmica), ecoturismo (já perdi a conta das cachoeiras, parques e mirantes), gastronomia (da boa, com muitas alternativas) e muito sossego e receptividade por todo lado.

Outra razão é o lugar. A pousada/restaurante fica entre as montanhas bem perto da junção das Serras do Mar, da Bocaina e do Quebra-Cangalha, tendo apenas 4 grandes chalés, 3 suítes, as casas dos proprietários, o restaurante, um campinho, a horta e uma infinidade de jardins repletos de flores e frutas.
Como nunca fui hóspede da pousada, pularei esta etapa, embora conheça alguns “freqüentadores” como o Lanes, a Rafaela, o Sílvio e outros que, aparentemente, desistiram do resto do mundo, pois vão para lá em todas as oportunidades que têm. E vamos ao restaurante.
Pois bem, aqui começa o drama. Abro espaço para um aviso importante para não ser posteriormente acusado de nada: se você estiver de regime, não passe nem perto de lá. Se possível, pare a leitura aqui e vá para uma academia. Corra bastante e depois me conte como foi. Mas se você gosta realmente dos prazeres de uma boa mesa, vamos lá.

O restaurante é um galpão bem rústico e bonito, com grandes mesas e um belíssimo deck. Tudo em madeira. A especialidade da casa é a cozinha mineira, bem caipira, do tipo leitão à pururuca com tutu de feijão, couve, torresmo e farofa. As opções são muitas, que vão da rabada com polenta mole até a truta com shitake, passando por galinhadas, moquecas, coelhos e churrascos.
O problema é que o Miro é daqueles caras que nasceu com o dom e a paixão para cozinhar, e tudo que faz, até o mais simples acompanhamento, é maravilhoso. Você já ouviu alguém dizer “nunca comi um arroz tão bom?” Pois eu já. E “é a melhor couve que já comi”? Pois é. Imagine então o feijão, as carnes, os molhos...
Só para dar um exemplo, a farofa, que para nós, leigos, parece a coisa mais simples do mundo, é preparada com três tipos de farinha diferentes, bacon, lingüiça e sabe-se lá mais o quê. E tudo é farto, criado ali ou colhido no pé.

Enquanto o Miro cuida da cozinha, a Lu atende os visitantes. E se ele nasceu com o dom para cozinhar, ela nasceu com a simpatia transbordando por todos os poros. 
Das seis da manhã até a hora que precisar, ela fica correndo pra lá e pra cá, recebendo todos com um grande sorriso e um abraço, servindo as mesas, contando todas as novidades da cidade, indicando lugares legais (mesmo que concorrentes), preparando uma caipirinha de limão-cravo, contando dez mil piadas, oferecendo um doce de leite e, se tiver música, cantando e dançando. E nem pense em ir embora, porque ela não deixa.
Se você for com crianças, tem mais: Murilo, o principezinho da casa, do alto de seus 7 anos de idade, santista roxo, fã de Neymar e Robinho, bom de papo e de garfo, vive “pescando” os clientes do restaurante para ir jogar bola, conhecer os cavalos, passear pelas trilhas da pousada ou simplesmente ficar conversando em turma, nas redes do quiosque.
Daí, como sempre, você se dá conta que chegou lá de tarde e já é noite faz tempo e a coisa continua animada. 
E quando você pensa que acabou, o papo recomeça. As ajudantes vão embora, alguns hóspedes se recolhem e os que sobram vão se juntando aos poucos em uma única grande mesa, junto com o Miro e a Lu, para uma última cerveja, um café, um docinho, uma Juveva e mais uma história e outra piada.
E só quando todo mundo já está caindo de sono você consegue ir embora, triste, contando as horas para voltar.

Dona Felicidade – Estrada da Catióca km 1 – Cunha/SP Tel (12) 3111.1878.




Na parede do restaurante, um grande banner traz o seguinte texto:


Meu nome é Dona Felicidade.
Faço parte da vida daqueles que tem amigos, pois ter amigos é ser Feliz.
Faço parte da vida daqueles que vivem cercados por pessoas como você, pois viver assim é ser Feliz!
Faço parte da vida daqueles que acreditam que ontem é passado, amanhã é futuro e hoje é uma dádiva, pois isso é chamado presente.
Faço parte da vida daqueles que acreditam na força do Amor, que acreditam que para uma história bonita não há ponto final.
Eu sou casada, sabiam?
Sou casada com o Tempo.
Ah…O tempo é lindo!
Ele resolve todos os problemas.
Ele reconstrói corações, ele cura machucados. ele vence a Tristeza…
Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos:
A Amizade, a Sabedoria e o Amor.
A Amizade é a filha mais velha.
Uma menina linda, sincera, alegre.
A Amizade brilha como o sol…
A Amizade une pessoas, pretende nunca ferir, sempre consolar.
A do meio é a Sabedoria…culta, íntegra, sempre foi mais apegada ao Pai, o Tempo.
A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!
O caçula é o Amor.
Ah! como esse me dá trabalho!
É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar…
Eu vivo dizendo: Amor, você foi feito para morar em dois corações, não em apenas um…
O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo!
Quando ele começa a fazer estragos eu chamo logo o pai dele, o Tempo…e aí o Tempo sai fechando todas as feridas que o Amor abriu!
Uma pessoa muito importante me ensinou uma coisa…
Tudo no final sempre dá certo, se ainda não deu, é porque não chegou o final.
Por isso, acredite sempre na minha família!
Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e principalmente no Amor…
Aí, com certeza um dia, eu, a Felicidade, baterei à sua porta!
Tenha Tempo para os Sonhos…
Eles conduzem sua carruagem para as Estrelas!


A Lu, de final, nos deixa ainda a seguinte receita:

Receita cazêra minêra de môi de repôi no ái e oi:

Ingredienti:

*5 denti di ái
*3 cuié di ói
*1 cabeça de repôi
*1 cuié di mastomati
* sá a gosto

Módifazê:

*casca o ái, pica o ái i soca o ái cum sá
*quenta o ói na cassarola
*foga o ái socado no ói quênti
*pica o repôi beeeeemmmm finin
*foga o repôi no ói quênti junto com o ái fogado
*poim a mastomati i mexi cum a cuié pra faze o môi

**Sirva com rôis e meléti

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bar do Toninho (Santos / SP)



De vez em quando dá saudade de Santos. E quando tento matá-la, as primeiras coisas que me vêm à cabeça são a praia, claro, o calor, que só agora voltou para Sampa e, curiosamente, o Bar do Toninho. 
E normalmente vem tudo junto, pois uma das coisas que mais gostávamos de fazer quando morávamos lá era ir à praia e ficar nela até a hora que a fome deixasse e depois parar para comer no Toninho. Então...
“Ainda bem que eu trouxe até meu guarda-sol. Tenho toda a tarde, tenho a vida inteira...” A música não sai da cabeça. Como não tenho pressa e a fome ainda não é tanta, dá tempo de passar em casa para tomar um banho e aí sim, ir para o bar pronto para passar algumas horas ali, já relaxado, de bermuda e chinelo, tomando cerveja, devorando bolinhos e pastéis, vendo o tranqüilo agito do bairro do Embaré e encontrando os conhecidos que passam o tempo todo para lá e para cá.

O “Toninho” é, de certo modo, o melhor lugar de Santos. Sei que choverá pedradas por causa disso, mas fazer o quê? É verdade. É o bar que a cidade inteira conhece e freqüenta, mesmo sem notar. Quase todo mundo fala mal, mas quase ninguém sai de lá. 
A equação é simples: boteco totalmente despojado, com mesas de plástico + garçons ágeis e amigos, que conhecem a maioria dos clientes pelo nome + bebidas sempre geladas + pastéis maravilhosos de carne, camarão, siri, queijo, palmito, carne-seca, bacalhau e sei lá mais quantos, um melhor que o outro e que praticamente não têm ar dentro, só massa e recheio. Meu preferido é o de camarão. Ou será o de carne?
Para começar, o Bar do Toninho é, de longe, o bar mais democrático que eu conheço. Tem o pessoal que chega cedinho para tomar café com leite e comer um pão com manteiga, tem a turma que passa de maiô e chinelo para comer uns pastéis na volta da praia, tem a turma do happy hour, os que chegam mais produzidos antes ou depois da balada, os que passam só para comer alguma coisa e ficam na paquera, as turmas de amigos, os turistas, os que vêm para assistir o jogo, etc.
Os jogos são um caso à parte. O Toninho, que é palmeirense e está sempre lá, tratou de espalhar uns periquitos pela decoração do bar. Quem também estão sempre lá são seus filhos, o Toni e o Jaime, que é são-paulino roxo. Como a grande maioria do público é santista e corinthiano deve existir até no céu (o inferno é lotado), o bar sempre se transforma em um estádio multicolorido, e dos mais animados e lotados.

Os garçons participam de tudo. O Paulo, santista, mal tem tempo de ver o que acontece enquanto grita os números das senhas na “loteria” por uma mesa para a multidão que aguarda lá fora. O Odair, flamenguista, seca todos os outros times ao mesmo tempo. 
E tantos outros, sempre simpáticos, atenciosos e “no espírito do bar”. Entre eles, bons amigos que sumiram por aí, como o Eliel,que foi trabalhar em algum lugar de São Vicente, o Beto, que há pouco tempo encontramos no “Viva Vinhos” e os gêmeos Crispim e Crispiniano, sósias do Robinho (serão trigêmeos?), que, ao que parece, montaram seu próprio bar no Guarujá.
A história do Toninho é das mais tradicionais e se confunde com tantas outras de descendentes de portugueses que, com muito trabalho, alcançaram o sucesso no comércio: Antonio Almeida Cardoso, o Toninho, trabalhou alguns anos no Lanches Praia, a menos de um quilômetro dali.

Quando seus colegas resolveram sair de lá para tocar o Carioca, um clássico da cidade, ele resolveu seguir seu próprio caminho, passando pelo Caracu e a Casa Calçada, até montar seu minúsculo boteco atrás da igreja do Embaré, em 1987.

O lugar, que ficava na passagem de muitos e na parada de poucos era pequeno, meio escuro, com apenas quatro ou cinco mesas e um único banheiro para homens e algumas corajosas mulheres. Porém, os bolinhos e os pastéis já eram os melhores da cidade, o que fazia com que muita gente, mesmo receosa, fosse conhecer o bar.

Mesmo reconhecendo que tudo no bar melhorou muito com o novo endereço, Toninho ainda se emociona ao lembrar do antigo ponto. “Não dá pra dizer que não sinto saudades. Significava muito para mim. Era o começo da realização de um sonho”, afirma.


Dessa época, quem conta histórias saborosas são a Piera e o Rubinho, amigos que também subiram a serra, mas que moravam na esquina, a uns 20 metros do bar, separados por um prédio e uma ruazinha.

Uma destas histórias fala de um “Banho da Dorotéia”, tradicionalíssimo evento da cidade que antecedia o Carnaval, no qual a cidade inteira se vestia de mulher e que, como tantas outras tradições santistas, a Prefeitura conseguiu acabar.

Ocorreu neste dia que um grande grupo de foliões resolveu se “concentrar” justamente no Toninho e, como tinha mais gente do que bar, o pessoal foi se espalhando. 

Cerveja vai, batidinha vem, mais gente chegando, menos bar sobrando e quando eles deram por si havia diversas “Dorotéias” no quintal e até mesmo dentro de casa, já enturmados e instalados pelos sofás. O jeito foi entrar no clima e curtir a festa.
Foi também neste período que surgiu o subtítulo “o Rei do Bolinho de Bacalhau”. Será? Admito que é o carro-chefe da casa, mas a substituição da alcunha por “Rei dos Pastéis”, para mim, seria muito justa. Tem muito pastel bom por aí, mas eu prefiro, sempre, os de lá.

Veio então 2001 e, com 14 anos de funcionamento e clientela formada, surgiu a oportunidade de ocupar o lugar de um antigo restaurante a dois quarteirões dali.
 O bar se mudou então para a esquina que ocupa hoje. E o sucesso foi automático e estrondoso. Do dia para a noite, o cruzamento da Epitácio Pessoa com a Oswaldo Cochrane se tornou o lugar mais agitado da cidade, abarrotado de gente de terça a domingo.  O barzinho de 4 mesas passou a ter 80 nos horários de maior movimento. As poucas dezenas de freqüentadores passaram a ser milhares.
Mas, o atendimento, os bolinhos, as caipirinhas, as porções, as cervejas e os pastéis permanecem exatamente os mesmos. “Então, deixe viver, deixe ficar, deixe estar como está”.

Bar do Toninho – Av. Epitácio Pessoa 241 – Santos/SP 
Tel (13) 3932-4818.
Horário: Terça a Domingo e feriados das 9h às 3h.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Empório Sagarana (Vila Romana – São Paulo)



O site da casa descreve com perfeição: “Sagarana é uma pausa. Uma passagem no tempo-espaço. Um portal. Desprenda-se da miríade de compromissos que São Paulo te impõe. Sagarana tem seu próprio tempo e você vai se sentir bem nele. Desencane do medo e do stress da cidade grande. No Sagarana todo mundo é amigo, companheiro, colega, parceiro. Sagarana é um pequeno, quase secreto endereço em São Paulo. Uma esquina sem tempo nem espaço, onde as pessoas podem exercitar o prazer de ser gente de novo”.
Veja bem, meu caro João Guimarães Rosa, e perdoe-me o pastiche: você zarpou dessa sagarana há mais de 40 anos e portanto, seja lá onde você anda, não faz a menor idéia do que seja um site e isso nunca lhe fez a menor falta. “As coisas mudam no devagar depressa dos tempos”, mesmo. Mas o que interessa é que desse tal empório você ia gostar e muito porque, ele sim, estava fazendo uma falta que só.
O danado fica num lugar que para encontrar tem que sair buscando. Ele abre no comecinho da noite, num trecho escuro e quieto da Vila Romana, e a gente passa e vê num relance tão ligeiro, que só depois vê que tinha visto. Vê uma luzinha amarelada e convidativa saindo de uma pequena casinha de esquina e tem a sensação embolada de que aquilo não era para estar ali, mas na paisagem das fazendas e dos vaqueiros das Gerais.

Antes que você fique entediado e pegue a saudadear, vou descrever o lugar: uma casa composta de uma única sala com um balcão de madeira da boa dividindo ela quase ao meio. Do lado menor ficam os donos da casa com as geladeiras e uma bancada que serve de cozinha, de onde saem maldades mineiras como uns pescados defumados, queijos, cervejas e cachaças, tudo tinhosamente servido, cada um de um jeito, cada qual no seu copo.
Do outro lado do balcão é o espaço para os amigos, com meia dúzia de mesas lindamente rústicas e algumas banquetas de ferro, onde dá para se aboletar e folhear livros de culinária mineira, de arte barroca e até o seu Sagarana. Na volta toda, prateleiras de peroba com tentadores potes de geléia, queijo, mel, mantas e garrafas de cachaça forram as paredes, pintadas de amarelo. 
Um Chico, um Caetano e um Milton saindo baixinho das caixas de som completam a bucólica atmosfera de um armazém isolado em uma cidadezinha qualquer. E tudo isso num espaço tão pequeno que o banheiro fica do lado de fora, alguns degraus abaixo do nível da rua.

A idéia disso tudo é do Paulo e da Priscila. Ele, artista plástico e grande sabedor das artes cachacísticas. Ela, pedagoga e mestra no preparo dos petiscos. Os dois mineiros dos bons, como você, mas de Alfenas, um bocadinho mais perto daqui.
Lembra quando você saiu mundão afora sempre levando as Minas Gerais encaramujadas dentro de ti? Pois eles matutaram um jeito de trazê-las para cá num tamanho um pouco maior, de um jeitinho que coubesse o casal e mais umas duas dúzias de amigos bem espremidos dentro. 
O causo é que eles já estavam aqui há uns anos e começou a doer aquela dor que só a saudade dói, aquela preguiça que essa pressa sem caminho de São Paulo dá, principalmente em quem não brotou dela. Mas você já tinha ensinado que “a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Então, para nossa sorte e para não fazer desfeita a gente tão importante, o simpatissíssimo casal mandou vir as mineirices devidamente embrulhadas e engarrafadas. E para não cair na tentação de sair pelo mundo, trouxe o mundo todo para cá, dentro de garrafas de cerveja. Nem sei quantas são. Na verdade, nem eles. No cardápio tem umas 80, de tudo que é canto do mundo, mas sempre tem umas que não chegam e outras que chegam sem ser devidamente apresentadas no cardápio.
E é isso, João. Como você sabe, a vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas ‘de São Paulo’. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver. E esteja onde você estiver, apareça quando quiser. 
A casa está aberta desde o ano passado e vai continuar assim, daquele jeito que você sempre soube contar como ninguém, sempre pronta a receber os amigos queridos. Afinal, como afirmam o Paulo e a Priscila, as cachaças, as cervejas, os petiscos e as tortas “são apenas uma desculpa para a gente fazer o que mais gosta: voltar a ser gente”.

Empório Sagarana – Rua Marco Aurélio 883, Vila Romana, São Paulo. Tel. 3539-6560. 
Horário: Segunda e Terça das 17h às 22h, Quarta das 17h às 23h e Quinta a Sábado das 17h à 1h.



Para vocês, um pouquinho do velho João:


Consciência Cósmica (Guimarães Rosa)

 
Já não é preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
 
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem de deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
 
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
E deveria rir, se me restasse o riso,
das tormentas que pouparam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo de meu corpo...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Frangó (Freguesia do Ó – São Paulo)



- Aquilo que é coxinha! – disse o Renato, tentando convencer o resto da turma, já devidamente instalada em um boteco do outro lado da cidade, a fechar a conta, levantar da mesa, entrar no carro e despencar até a Freguesia do Ó.
- Mas nós acabamos de chegar! E dá mais de 10 quilômetros até chegar lá...
- Vocês não entendem porque vocês não conhecem. Cada coxinha vale pelo menos 1 quilômetro... e a pé!
- Senta aí! Semana que vem nós vamos. Já deixamos combinado aqui. No dia de sempre, na hora de sempre, só que lá no tal do Frangão.
- É Frangó, com o ó da Freguesia!
- Tá bom, no Frangóóó.

Mas o Renato não desistiu. Estava com fome. Quase sonhando com as coxinhas e só falava nisso. Começou descrevendo o caminho:
- Depois que você sai da avenida e sobe a ruazinha, chega numa pracinha que parece cidadezinha do interior. É o largo da Matriz, uma graça, com a igreja no meio e tal. E quase sempre tem uns eventos meio estranhos, tipo quermesse e umas coisas assim. Nem parece São Paulo...
- Sei...
- A gente logo vê o bar porque sempre tem um monte de gente em volta, mas tem lugar. Parece que não, mas sempre tem, porque é um casarão do século 19 que parece um labirinto onde você sobe, desce, vira, anda e tem sempre mais uma salinha e um salão. Aí você senta e espera as coxinhas, que vem sempre no ponto, sequinhas, crocantes...
- Que saco! Pára com isso!
- Eu tô com fome...
- Pede alguma coisa pra comer!
- Será que eles entregam aqui? Duvido! – E de qualquer jeito, lá é melhor, por causa das cervejas. Eu já falei das cervejas? Eles não têm cardápio. Têm uma Bíblia de cervejas! De tudo quanto é canto. O legal é que tem uns pacotes de degustação, tipo você paga tanto e tem direito a tantas cervejas diferentes. Aí você pega uma da Bélgica, outra do Japão, uma holandesa...
- Eu vou dar uma na orelha dele!...

Foi nisso que chegou o Paulo, o último que estava faltando, atrasado, e que já tinha ido com o Renato pras bandas da Freguesia uns dois anos antes.
- Tô contando pra eles do Frangó – disse o Renato, dando a deixa para o Paulo continuar.
- Fui lá faz uns 10 dias – disse o Paulo – Tá muito caro! Fui tomando as cervejas, uma branca italiana, uma preta irlandesa, uma bock dinamarquesa, e quando vi estava duro!
- Você podia ter ficado nas nacionais...
- E quem resiste?
- Tá vendo? Decidido! Não vale a pena. É melhor ficarmos por aqui...
- Peraí! Quem disse que não vale a pena? Eu só disse que não dá pra ir todo dia porque, realmente, eles andam exagerando um pouco. Mas sempre que dá, eu volto. E tem as coxinhas...
- Droga! Você tinha que lembrar das coxinhas?
- Mas não dá para esquecer das coxinhas...
- Tudo bem, mas vocês só falam das malditas coxinhas! Não tem outra coisa pra comer lá?
- Sei lá. Deve ter. Tem uma lista enorme no cardápio, mas eu nunca li. A gente chega e pede as coxinhas. Depois, um ou outro pede o cardápio pra ver o que tem, olha daqui, olha de lá e pede mais coxinha. Eu nem olho...
- Chega! – disse o Renato – eu desisto. Vocês venceram. Tô passando mal. Vou embora para casa. Estou morrendo de fome e agora não consigo comer mais nada, muito menos coxinha, a não ser aquelas. Vou fazer um miojo, pedir uma pizza, conhecer novos amigos, mas aqui eu não fico.
- E se a gente fosse para outro lugar?

Todo mundo se olhou em silêncio. Pediram a conta. Levantaram e se amontoaram quietos no carro do Paulo. Meia hora depois estavam na Freguesia do Ó. Entraram ainda meio quietos. Todo mundo olhando para o Renato. Iam satisfazê-lo e ele ia ficar devendo essa para a turma. Ou então iam matá-lo.
Sumiram dentro do bar e, pelo visto, a coisa foi longe. O garçom não parava de buscar cerveja. Começaram nas nacionais para economizar, mas acabaram intercalando umas gringas entre elas. 
A última notícia que tive é que a conversa tinha esquentado de novo e que iam ficar só mais um pouquinho, pois tinham acabado de pedir mais coxinhas.

Frangó – Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó, São Paulo - Tel: 3932-4818. 
Horário: Terça a Quinta das 11h à Oh, Sexta e Sábado das 11h às 1h30 e Domingo das 11h às 22h.


Receita da Coxinha


Meu conselho é que você vá até o bar, a menos que você seja realmente muito bom na cozinha. Do contrário, por mais que tente, não ficará igual. Mas vamos lá:


A receita é de Maria Brunhara Piccolo, mulher de Valdecyr e mãe de Cassio, sócios do boteco. Ao contrário da maioria das coxinhas, a do Frangó não leva ovo na hora de empanar. A massa, úmida, já adere à farinha de rosca. Com isso, o quitute fica dourado, crocante e sequinho.

INGREDIENTES:

Massa
900 ml de água filtrada
1/4 de xícara de óleo de soja
6 cubos (cerca de 60 g) de caldo de galinha
650 g de farinha de trigo especial

Recheio e acabamento
900 g de peito de frango cozido e finamente picado
1 cebola pequena bem picada
1/4 de xícara de salsinha bem picada
Sal e pimenta-do-reino
900 g de requeijão cremoso (catupiry)
500 g de farinha de rosca (para empanar)
1 litro de óleo (ou mais, se necessário, para fritar)

MODO DE PREPARO:

Massa
Numa panela grande, coloque a água junto com o óleo de soja e o caldo de galinha e leve ao fogo. Assim que ferver, sem desligar o fogo, vá colocando aos poucos a farinha de trigo peneirada, continuando a mexer até que a massa se solte do fundo da panela e esteja suficientemente cozida e lisa (cerca de dez minutos). Reserve e deixe esfriar só até que seja possível pegá-la com as mãos.

Recheio e acabamento
Tempere o frango picado com a cebola, a salsinha, o sal e a pimenta-do-reino a gosto. Pegue pequenas porções de massa (cerca de uma colher de sopa ou 30 gramas) e abra na palma da mão. Recheie com meia colher (sobremesa) de catupiry e uma colher (sobremesa) de peito de frango temperado. Feche a massa sobre o recheio e modele-a em formato de coxinha. Tente modelar a massa fininha, sem remendos, puxando o bico da coxinha e fechando bem para que ela não abra enquanto frita. Coloque a farinha de rosca numa tigela e passe por ela as coxinhas uma a uma. Numa panela funda, coloque o óleo e aqueça. Dependendo do tamanho da panela, junte mais óleo, de modo que as coxinhas fiquem submersas. Frite-as aos poucos, até estarem crocantes e douradas. Escorra bem e coloque-as sobre papel absorvente antes de servir.

Dica: para obter os 900 gramas de carne já cozida e limpa, calcule cerca de três peitos médios com osso e pele. Cozinhe em água salgada até ficarem macios. Tire os ossos e a pele e pique.