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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Café Piu Piu (Bela Vista - São Paulo)



No final dos anos 80, comecinho dos 90, São Paulo era um tumulto só, com protestos, passeatas, comícios e tudo mais. Eu vinha de um colegial matutino em Santos para uma faculdade noturna na avenida Paulista, no olho do furacão, e não queria perder nada. É claro que se naquela época eu soubesse das coisas que eu sei hoje, tudo teria sido muito mais fácil. Mas quem disse que a vida é fácil?

A noite paulistana fervia e oferecia muitas opções. Minha turma se espalhava basicamente entre a velha e boa Madalena e a prainha. Mas de uma coisa que sei hoje eu já sabia naquela época: quando a intenção era um programa mais divertido, com bons shows, bom chopp, bons petiscos e nenhuma frescura, íamos ao Café Piu Piu.

O Café Piu Piu foi construído em 1983 sob a batuta do Sr. Luis Lustig, num galpão que antes abrigara o Teatro 13 de Maio e depois uma oficina de carros, com a finalidade de ser o que ele sempre foi:  um lugar para ouvir música de qualidade.
Lustig nunca foi um empresário da noite. Nem sequer trabalhava nessa área. Apenas gostava de música e queria um bom lugar para ouvi-la. Montou, assim, um dos galpões mais bacanas da cidade, com tijolos à vista, madeiramento antigo e acústica perfeita, lembrando bares de antigas estações de trem ou os tradicionais bares de blues e jazz de Chicago e New Orleans.

Encheu-o então de ótimas bandas, principalmente bons nomes do jazz, do blues, da boa MPB e do velho e bom rock n’ roll. Por lá passaram vários artistas da chamada Vanguarda Paulista, como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Preme e Língua de Trapo; bandas de rock que despontavam na cidade, como o Ira! e o Ultraje à Rigor; e figuras clássicas do jazz & blues brasileiros como Paulo Moura, André Christóvão, Nuno Mindelis e a Traditional Jazz Band.
A charmosa casa recebeu então o nome de Piu Piu, bem simples, sonoro, musical e brasileiro. E se tornou imediatamente uma referência para a galera mais descolada da cidade, mantendo-se como um porto seguro na inconstante região do Bexiga.

O bairro italiano da cidade entrou em declínio nos anos 90. Várias cantinas se fecharam e diversos bares, na própria 13 de Maio, tiveram que encerrar suas atividades. E o Piu Piu ficou, firme, forte e lotado. O motivo? Ficou porque se manteve ótimo, como sempre foi, e porque muito mais do que um comércio, ele carrega o orgulho, o carinho e a dedicação de uma família.
Para provar isso, quem assumiu as rédeas da casa nesta época foi a Sra. Silvia Galant, esposa de Luis Lustig. Anos depois, já no início deste milênio, ela passou o comando ao filho Paulo, que, como seu pai, nunca fora um empresário da noite e até esta época vivia a agitação cotidiana da redação do jornal O Estado de São Paulo.

Paulo Lustig é uma cara jovem, despojado, cheio de histórias para contar e, acima de tudo, um amante do rock. Com isso, fez algumas reformas na casa, deixando o palco numa posição melhor para o público e adotou novos critérios para selecionar as bandas que nela tocam, eliminando sumariamente as que não atingem seu nível de exigência.
Fez mais: ajustou o cardápio, que já era muito bom, ao contrário de quase todas as casas noturnas da cidade, e ficou ainda melhor. Ali há um ótimo chopp e coquetéis bem elaborados, como a sangria feita com vinho tinto, abacaxi, laranja e refrigerante de limão. E há ótimos petiscos e surpresas como o já clássico Latkes, um bolinho de batata crocante, frito em lascas douradas.
Outras inovações estão nos bares, comandados por mulheres, e na eficiente, simpática e informal equipe de atendentes, já que a casa foi pioneira em contratar universitários no lugar de garçons.

Hoje, vinte anos depois daquela época e com o bar se aproximando de seus 30 anos, São Paulo mudou completamente, mas o simpático Piu Piu continua atraindo legiões de fãs da música verdadeira, tocada ao vivo e com competência por covers de Beatles, U2, Pink Floyd, Yes..., e por bandas especializadas em clássicos do rock, como Rockover, Almanak e Mustang 68.
Com isso, centenas de pessoas das mais diversas gerações disputam diariamente as mesinhas de mármore espelhadas pelo salão e pelo mezanino. E disputam os espaços que sobram para pular e dançar entre elas e para ver melhor o palco. Ali, todos estão felizes. Ali todos cantam. Ali não há “corações solitários”.
A mim, do pouco que sei hoje e do que menos ainda sabia há anos atrás, cabe tentar estar junto com eles sempre que possível. Longa vida ao rock n’ roll. Longa vida ao Café Piu Piu.

Café Piu Piu – Rua 13 de Maio, 134. Tel: 3258-8066.



No dia em que estivemos no Piu Piu, conversando com o Paulo para fazer esta matéria, uma fantástica banda cover “passava o som” para a apresentação que viria um pouco mais tarde. Entre as jóias da banda homenageada, há uma música que não sai da minha cabeça. Para escutá-la mais uma vez hoje (e sempre), segue o vídeo abaixo:


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Patuá (Bela Vista - São Paulo)



“Nem tudo está perdido. Algumas coisas ainda nem foram achadas” (Millôr Fernandes)
São Paulo é uma cidade cheia de caprichos e preciosidades escondidas por aí. São lugarzinhos que pouca gente conhece e que pretendem continuar assim, pois é a única forma possível de manter seus encantos, seu atendimento tão pessoal e agradável.

Um desses lugares é o Patuá, que não é um restaurante nem um bar, mas sim a casa da Sra. Hélia Januária Bispo, mais conhecida por todos como Bá, uma simpatissíssima baiana que recebe a todos com os braços abertos, um turbante na cabeça e um inabalável e encantador sorriso no rosto. Ela é a anfitriã, a cozinheira e a amiga que você acabou de ganhar.
Hélia nasceu em Amargosa, cidadezinha vizinha a Salvador, e lá foi escolhida pela avó para aprender a arte do acarajé. A forma de se fazer acarajé é tradicionalmente passada de mãe para filha, mas no seu caso, foi de avó para neta, mesmo.

O acarajé é considerado, pelo candomblé, um alimento sagrado oferecido aos Orixás. Tem ainda sua importância histórica na cultura da Bahia, a ponto do ofício de “baiana do acarajé” ser considerado patrimônio cultural brasileiro.
E é claro que a menina Hélia custou a entender a importância de seu ofício, como você fica sabendo através das deliciosas histórias que ela conta com toda paciência e graça, revelando incríveis travessuras infantis e as consequentes broncas levadas, como na vez em que, aos 14 anos de idade, largou o tabuleiro na rua para seguir atrás do trio elétrico.

Crescida, experiente no ofício e buscando mudanças em sua vida, Bá desembarcou em São Paulo em 1989, e montou sua barraca de acarajé na rua 13 de Maio, no tradicionalmente italiano Bixiga. Ali, trabalhou por 12 anos e conquistou amigos e clientes fiéis.
Foi em 2001 que, com problemas para conseguir a licença para trabalhar na rua, ela mudou-se para uma casa do bairro e instalou no porão seu pequeno estabelecimento, freqüentado inicialmente pelos amigos, depois pelos amigos dos amigos e então pelos novos amigos que foi fazendo pela cidade.

Na frente do velho sobrado não há qualquer sinal de que ali funcione um restaurante. Após tocar a campainha e ser recebido pela própria Bá, você entra em sua casa, atravessa a sala, a cozinha e desce uma escada que leva a um charmoso quintal anexo ao porão de teto baixo e dividido em três ambientes, sendo dois com mesas à sua escolha e outro com almofadas espalhadas pelo chão.
Por todo lado, cores e mais cores, fotos, imagens de orixás e abadás do Ilê Ayê. Um espaço acolhedor, com objetos típicos, bordados e artesanatos, onde um delicioso e suave som de Dorival Caymmi e Gal Costa completa o clima de Bahia.
Cabe no máximo umas 15 pessoas, mas Bá evita essa “lotação”, para que possa receber cada um com atenção e carinho únicos. Por isso não divulga o endereço e para ir até lá é preciso ligar e agendar diretamente com ela, com uma certa antecedência.

Passadas essas etapas, é hora de finalmente atacar os acarajés. Eles são perfeitos e grandes, feitos de um modo que desmente qualquer fama de preguiça baiana, com a massa de feijão-fradinho batida exaustivamente e depois frita no azeite de dendê.
O restante do cardápio é narrado pela própria Bá, enquanto puxa um papo atrás do outro. E tudo é muito tentador. Mas é aí que você volta a lembrar do Millôr, que malandramente alerta que “o problema de resistir a uma tentação é que você nunca sabe quando terá outra chance”. E então segue em frente.

Tem a mandioca frita na manteiga de garrafa, o escondidinho de carne seca, o arrumadinho (um tipo de cuscuz meio seco misturado com carne-seca, queijo-coalho e feijão-fradinho), a sugestão da baiana (carne-de-sol com farofa e abóbora cozidas na manteiga de garrafa), bobó de camarão (com arroz e farofa de dendê com amendoim e castanha de caju) e um bocadinho mais.
Quase tudo foi aprendido em casa, prestando atenção e aperfeiçoando dia após dia. Quase tudo leva azeite de dendê, que deixa a casa com um típico perfume no ar. Quase tudo leva leite de coco, que Bá rala na hora. Quase tudo fica ótimo com a pimenta da casa, que é saborosa e forte, mas não daquelas que, como diz a anfitriã, “ardem até o juízo”. E tudo faz você se sentir em casa.

Bá era o apelido carinhosamente dado pelas crianças às suas amas de leite – mulheres, normalmente negras, que ajudavam com seu leite na amamentação dos bebês e que normalmente acabavam por se tornar um tipo de mães de criação daquelas crianças.
Hélia Januária Bispo ganhou seu apelido de um cliente que virou amigo e escreveu a ela uma carta de agradecimento, na qual a chamava pela primeira vez pelo nome que, emocionada, resolveu adotar. Ela não teve filhos, mas é a Bá de muitos sobrinhos e incontáveis amigos com quem compartilha, diariamente, todo o axé de seu Patuá.

Patuá – Tel: 3115-0513.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Portella (Bela Vista / SP)



“Se um dia meu coração for consultado para saber se andou errado, será difícil negar”.
Não, meu caro Paulinho da Viola, não é em homenagem à Majestade do Samba. Trata-se, sim, de um boteco bem paulistano, em um dos bairros mais típicos dessa terra dos temporais (ex-garoa). Mas acho que você iria apreciar.

Como aí em Madureira, aqui não falta tradição. O bar foi fundado em 1969 e desde então caiu nas graças da boemia da cidade, que o toma todas as noites, graças à sua simplicidade, ao bom atendimento e, claro, à cerveja sempre gelada e à comida boa.
Comida ótima, aliás, que tem origem baiana, com muita carne de sol, jabá desfiado, purê de abóbora, feijão de corda, baião de dois, dendê e pimenta. Quem sabe é até uma influência desconhecida das “Baianinhas de Oswaldo Cruz”, um dos tantos blocos que formou sua escola lá pela década de 20.

Há também muitos outros petiscos igualmente bons, como a casquinha de siri (uma das mais famosas da cidade), o frango à passarinho que a Piera nunca deixa passar, o Portadella (uma empanada de mortadela com pistache que já ganhou até prêmios por aí) e o “Vai-Vai” (com carne seca, purê de abóbora e um exclusivo molho de pimenta), homenagem à escola de samba quase vizinha.
Pois é. Também aqui não falta o samba, já que o bar fica bem pertinho da Vai-Vai que, como a sua Portela, é a maior campeã da cidade. E também por que de vez em quando a música toma conta do bar, numa empolgação que você precisa ver. Dá até para ouvir de longe um “Portela, Portela... o samba trazendo alvorada, meu coração conquistou...”

 “Porém – ai, porém – há um caso diferente, que marcou um breve tempo”: o famoso e caudaloso azul e branco daí não está aqui. Tudo aqui é em cores quentes, com paredes amarelas e ocres e toldos vermelhos. É assim há 42 anos. desde a inauguração, e assim ficará, como manda a tradição baiana.
Tampouco sua águia – mais famoso abre-alas do país, se faz presente. O espaço da casa é todo preenchido pelas garrafas, fitas, palhas, cordas e cabaças penduradas por todos os cantos. E tão preenchido que não sobra espaço para mais nada.

Em vista dessa falta de espaço e como se a comida baiana não fosse suficiente para botarmos fogo pelas ventas, as donas da casa deram um jeito e anexaram mais um espaço à casa, onde montaram uma senhora cachaçaria.
Ela fica num espaço um pouco mais aconchegante e apresenta uma carta com mais de 300 tipos da bebida, onde fazem sucesso algumas opções mais docinhas, como a Kariri com mel (da Bahia, claro) e opções um pouco mais comportadas, como as caipirinhas e a batida de coco queimado.

Aí é preciso ter cuidado ou então saímos com a música trocada. E “chama por Cartola, chama por Candeia, chama Paulo da Portela, chama Ventura João da Gente e Claudionor, chama por mano Heitor, chama Ismael, Noel e Sinhô, chama Pixinguinha, chama”.
Mas como você mesmo diz, é bom “para aliviar o peso das palavras, que ninguém é de pedra”.

Portella – Rua Sebastião Soares de Faria, 49 a 61 – Bela Vista / SP. Tel: 3262-2794. Horário: Segunda a Sexta a partir das 17h, Sábado a partir das 13h.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Adega Gaúcho (Bela Vista – São Paulo)



Em Portugal, há um antigo bordão que diz: “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.
Fui fuçar a história de São Martinho e descobri que ele nunca teve nada a ver com o vinho. O que ocorre é que nas terras lusas os vinhos começam a ser produzidos entre setembro e outubro e o dia de São Martinho – 11 de novembro – fica no período no qual já se deve começar a verificar o resultado da produção.

Como essa história toda parece não ter lá muito sentido e menos sentido ainda teria você esperar até novembro para tomar vinho, vá assim que puder conhecer a Adega Gaúcho, que fica bem no meio da cidade e é um lugar, no mínimo, inesperado.
Posso dizer que, à primeira vista, mesmo se eu passasse diariamente na porta, é provável que eu nunca entrasse. Entrei por recomendação da Elaine e do Creso, que freqüentam a casa há muito tempo e sempre contam maravilhas sobre ela.

Aí descobri que a adega foi criada há 33 anos no bairro da Bela Vista pelo Sr. Álvaro Renato e seu cunhado, cuja parte foi comprada pelo então sócio após a sua morte.
Como bom gaúcho, o Sr. Álvaro sempre foi um apreciador de vinhos e um grande conhecedor dos produtos da região. E na sua adega, sempre deu prioridade aos produtos da sua terra.
A Adega Gaúcho nasceu, cresceu e viveu como adega mesmo mas, por insistência da clientela que se amontoava em volta do balcão, em 2001 ela ganhou algumas mesas feitas com os próprios barris de vinho e umas banquetas de madeira. O curioso é que o Sr. Álvaro lembra da data exata por causa do ataque às torres gêmeas!

Freqüentada pelos antigos moradores do Bexiga, pelos universitários da região, por senhores engravatados de outros cantos da cidade e pelos grupos mais improváveis (como o pessoal do “Vermes de Jacob”, um motoclube de roqueiros evangélicos!), a casa conquista pela simplicidade – coisa rara em lugares especializados em vinho, que tendem a ser... digamos, um tanto esnobes.
Evitando as marcas importadas e caras, o Sr. Álvaro oferece ali cerca de 30 a 40 vinhos, todos nacionais, de diversos tipos e produtores diferentes.
Mas a estrela mesmo é o vinho da casa, mais barato, porém muito gostoso. Ele é produzido em Caxias do Sul e trazido nos próprios barris, sendo vendido em taças, jarras ou mesmo envasados para viagem. É ele que é largamente consumido por todos, normalmente acompanhado de um queijo, de um salame e de muitas, muitas histórias.

Uma delas quem me conta é o Paulo Pedroso, antigo freqüentador, que relata o dia em que um dos clientes passou por lá no final do trabalho e, cansado, acabou exagerando no vinho e dormiu no balcão. Ao acordar, começou a tirar a roupa enquanto todos observavam atônitos. Quando começou a desabotoar a calça alguém deu um grito e ele se assustou, explicando-se imediatamente: “Pensei que já estava em casa...”
Entre tantas histórias, aproveite tudo com moderação, mas aproveite. Afinal, como nos lembra o escritor Fernando Sabino, “Cristo não consagrou a água, o leite ou a coca-cola. Consagrou o pão e o vinho, como alimentos do corpo e do espírito”.

Adega Gaúcho – R. Humaitá 291 – Bela Vista / São Paulo. Tel: 3112-0613. Horário: Segunda a Sexta das 8h às 22h; Sábado das 8h às 20h.


Na saideira, ainda me contam a história do mineirinho em uma degustação de vinhos, que é mais ou menos assim:
- Hummm... 
- Hummm... 
- Eca!!! 
- Eca?! Quem falou Eca? 
- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho? 
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas e lembranças tropicais atávicas... 
- Puta que pariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?! 
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor? 
- Se besta, eu não! Sou isso não senhor!! Mas que isso aqui ta me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, isso tá! 
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild! 
- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor está gripado, é? 
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então... 
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada! 
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no... 
- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim! 
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens... 
- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta... 
- O senhor poderia começar com um Beaujolais! 
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana! 
- Então, que tal um mais encorpado? 
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo... 
- Ou, então, um suave fresco! 
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já está coçando, de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada! 
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar! 
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro... 
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio? 
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu? 
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei? 
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia! 
- Mole e redondo, com bouquet forte? 

- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!... 


Por fim, um pouco do gaúcho mais famoso do mundo: