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quarta-feira, 13 de julho de 2011

The Burlesque Takeover / Container Club (Consolação – São Paulo)



"O escândalo do mundo é o que faz a ofensa. E pecar em silêncio não é pecar totalmente”. (Moliére)

A frase do dramaturgo francês serve como um alerta: daqui por diante, mergulharemos na região do Baixo Augusta, em uma exótica homenagem ao mundo do burlesco e ao que esta “Sin City” pode oferecer de mais fascinante, sem cair na tentação ou em apelações baratas.
Estamos falando sobre “The Burlesque Takeover”, um projeto itinerante que na próxima sexta-feira tomará conta do “Cirque du Container”, mega-festa temática promovida periodicamente pelo Container Club.

O projeto, como o nome indica, é uma homenagem ao burlesco, uma apresentação teatral grotesca e exagerada, nascida da “Commedia dell’arte” do século XV – apresentada como uma farsa ou sátira a temas dramáticos ou aos costumes da corte – e que no século XIX ganhou ares mais eróticos com os espetáculos de saloons e cabarés como o Moulin Rouge.

Os responsáveis por isso são Sweetie Bird - estudante de balé, jazz, sapateado americano e com cursos de moda, costura, edição musical e teatro – e Demoiselle Mimi Mi – estudante de história da arte – dançarinas burlescas há anos e que já se transformaram em símbolos paulistanos, se apresentando nas casas mais badaladas da cidade, como CB, Jive, Vegas, Caos, Inferno e outras.
Soma-se a elas um time de feras, como a bailarina Lady Burly, o dançarino Sete de Ouros (único de boylesque do país), a pin-up Dinha Von Boop, a hostess Iz Delicious, os fotógrafos Luminati e Guilherme Nahes, o designer gráfico Junior Azhura e os promoters e agitadores culturais Márcio Custódio, Edson Silva e Flávia Lemos.

Acrescente a tudo isso um local muito bonito e fora do comum: o Container Club, criado no ano passado pelo empresário Magno Azevedo e pelo diretor teatral Rodrigo Pitta, no local que antes abrigava o Bar Leblon.
Com tema apocalíptico e ambiente desenhado pelo diretor de arte Theodoro Cochrane, o clube imita um container que teria sobrado depois do fim do mundo e tem referências da série/filme Twin Peaks.


Além do belo palco espelhado, da iluminação projetada com LED, das pistas de dança, do revestimento em veludo, das paredes cobertas por vegetação e da curiosa decoração com enciclopédias espalhadas, a casa apresenta ainda um incrível bar especializado em mixologia molecular, isto é, com gente especializada em preparar coquetéis diferentes, misturando bebidas e criando novas combinações no limite do equilíbrio de seus componentes.


Em dias normais a casa apresenta projetos como o Meninas do Rock – com DJs mulheres nas pick-ups – e DJs convidados como Eli Iwasa – residente do Hot Hot – e Benjamin Ferreira – de casas como D-Edge e Vegas. Eles bombardeiam seleções de disco, house, acid, grooves, eletrônico, indie, techno e sabe-se lá mais o quê. A proposta é pura diversão, sem afetações.


Se você for – e você vai – participar do The Burlesque Takeover no Cirque du Contêiner, convém dar-lhe mais alguns avisos:

Vá preparado para passar a noite entre pessoas caracterizadas como habitués dos cabarés parisienses da década de 1920;
Vá preparado para ver bailarinas e bailarinos fazerem coreografias numa barra metálica enquanto outra dançar com uma cobra viva ao seu lado;



E quanto aos pecados citados no começo deste texto, não se preocupe: tudo não passa de uma grande farsa. E se você for brasileiro e morar em São Paulo, seus pecados já foram pagos.


The Burlesque Takeover – Tel: 8244-0882. 
Container Club – Rua Bela Cintra, 483. Tel: 4305-0133.

Vá preparado para qualquer coisa, pois a sensação é de que, ali, tudo pode acontecer.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Paribar / Bazar de Discos (Centro - São Paulo)



Parte 1: O Paribar
"Meio dos anos 50. Um clima meio cool, as notas sustenidas do piano de Dick Farney pairavam no ar e sublinhavam a cálida noite paulistana. Encravado num prédio da praça Dom José Gaspar, com um recuo providencial de 4 a 5 metros e uma extensão de uns 25, estava o Paribar, feito de encomenda para os boêmios que gostavam de ficar flanando ao ar livre, mas, ao mesmo tempo, protegidos da chuva, trovoadas e demais intempéries da trepidante Paulicéia”.
É assim que o saudoso Marcos Rey, assíduo freqüentador, descreveu parte do que significava o Paribar, ícone não de uma, mas de muitas gerações. O bar foi símbolo do que era o centro de São Paulo: o que havia de melhor e mais sofisticado no país.

O Paribar foi inaugurado em 1949 e sempre pareceu um bar saído dos filmes daquela época, daqueles em que o personagem chega de terno, senta-se ao balcão e pede um whisky. Sua acompanhante, que ainda não sabe disso, mas irá conhecê-lo no próprio bar, usa chapéu e toma um drinque clássico qualquer, normalmente um Dry Martini.

Criado pela família Ducco, o Paribar cresceu nas mãos do Sr. Franco Zanuzo. Ele manteve o ambiente, que sempre foi sóbrio, discreto, com alguns quadros e as colunas ovaladas que ajudam na sustentação do prédio. Porém, decidiu colocar as famosas mesas nas calçadas e o toldo verde em homenagem ao seu Palmeiras, além de promover uma espécie de happy hour na casa e caprichar na oferta de whisky escocês.
Foi a senha para que a casa se transformasse no principal ponto de encontro dos profissionais bem sucedidos da cidade. A proximidade dos grandes jornais, da biblioteca Mário de Andrade e das maiores agências de publicidade do país fizeram do “Pastifício Ristorante e Bar” uma vitrine dos mais representativos jornalistas e publicitários, profissionais que Eram ou que já tinham Sido, todos papeadores com vinte mil horas de bar e boteco, gente à procura de sensações, amigos e oportunidades.

A fama do bar cresceu tanto e são tantas as loucuras reais que aconteceram ali, que fica difícil definir o que é fato e o que é pura lenda, dado o número de testemunhas que juram ter presenciado cada uma dessas histórias. Verdadeiras ou não, e como “mentiras sinceras me interessam”, prefiro acreditar.
É o caso da visita dos Rolling Stones ao Brasil nos anos 70, quando, conta-se, Mick Jagger e Keith Richards passaram alegres tardes regadas à whisky nas mesas do Paribar. E é o caso ainda mais incrível das visitas de Che Guevara ao local por duas vezes: uma oficial, em 1961, ao receber a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul das mãos do presidente Jânio Quadros, outra, clandestinamente, em novembro de 1966, quando já se tornara um ícone e a menos de um ano de sua morte. Como a passagem dele por São Paulo parece ser comprovada e como o bar fazia-se um reduto da esquerda, o fato parece bastante plausível.
Esta incrível parte da história se encerra em 1983, quando, com a decadência do centro da cidade e o conseqüente afastamento de sua ilustre clientela, o Paribar fechou suas portas.

Parte 2: O Bazar de Discos
É exatamente neste local, patrimônio da memória afetiva, etílica e cultural paulistana, que será realizado, no próximo domingo (19/6), um dos maiores bazares de discos que já se viu pelas bandas de cá.

A iniciativa é do DJ e promoter Márcio Custódio, recém-repatriado de Londres e que, ao lado do irmão Gilberto, toca a Locomotiva Discos na galeria Nova Barão, local que vem se tornando o novo destino dos garimpeiros musicais da cidade e de onde sairá grande parte dos participantes do bazar.
O objetivo do evento, feito em parceria com o bar, é trazer a São Paulo um grande e oficial encontro para venda e trocas de discos em vinil, como muitos que acontecem mundo afora e mesmo no Rio de Janeiro.

Haverá pelo menos 30 expositores especializados, como na interminável lista que segue: Locomotiva (indie), Plastilina Records (indie), Big Papa (jazz, progressivo, folk, latin), Sailor´s Market (ska), The Records (punk e hardcore), Leprechaun (rock, mpb, indie, soul), Sensorial (indie, rock, pop), Sweet Jane (jazz, rock, progressivo, psicodélico), Zoyd (gothic rock, mpb e black music), Tuca Discos (metal, classic rock, black music, anos 60 e 70), Combat Rock (anos 80, punk, rockabilly), Andre Vinyl Style (rock, jazz, blues, MPB), Fera (metal, punk, hardcore), Sidnei (mpb, rock classico, rock nacional, jazz), Luiz Fernando (hard rock, rock anos 60 e 70, jazz, mpb), Museu do Vinil (rock nacional, hard rock, jazz, mpb), Engenharia do Vinil (metal, rock anos 70), Relics Discos (rock), Tuaregs Discos (punk, metal, rock anos 80, new wave), Alexandre (rock 50s 60s 70s, jazz, mpb, velha guarda, bossa nova), Cido (classic rock), Miguel (rock nacional anos 70 e 80) e ainda Ernando Discos, Vila Vinil, Acácio, Dorival, Fernando e Léo (todos com discos variados), além do Vagner com suas camisetas de rock e a Flanarte, com livros sobre música.

Todos eles e mais alguns participantes de última hora farão da praça Dom José Gaspar uma grande festa com bons negócios, ótimas conversas e, claro, muita música. Uma oportunidade única para você ampliar seu repertório e aproveitar para fazer um programa ímpar: conhecer – ou re-conhecer – o Paribar.

Bazar de Discos – Domingo, dia 19.06.2011, das 10h às 18h no Paribar.

Parte 3: O novo Paribar
Foi quase ao acaso que o chef e empresário Luiz Campiglia devolveu à boemia da cidade o lugar que lhe é de direito. Quando ele que assumiu o espaço há 5 anos, foi para montar o restaurante Santa Fé. Mas uma série de detalhes, como o apelo dos clientes e a recente revitalização do centro, o levaram a remodelar a casa e a reinaugurar, em 2010, o Paribar.
Sem a intenção de ressuscitá-lo, mas sim de homenageá-lo, Campiglia recuperou elementos de distintas fases do bar. O balcão iluminado, com suas banquetas de madeira com braços e todo o seu projeto de iluminação seguem os moldes da sua origem, nos anos 40. A fachada original, de mármore italiano, também foi totalmente recuperada. Um toldo verde e branco, semelhante ao original, foi instalado. E as charmosas cadeiras de vime voltaram a ocupar sua famosa varanda.

Para manter-se clássico e, ao mesmo tempo, promover uma renovação, a casa trouxe o experiente barman Kascão Oliveira (ex-Dry e Shaker Club), craque em clássicos como o Negroni, o Alexander e o Dry Martini, mas também em novas criações como o Kasato Maru (saquê, xarope de chá verde, suco de limão e raiz-forte) ou o Hennessy City SP (conhaque, suco de cramberry, xarope de romã e suco de limão), além de uma ótima seleção de caipirinhas.
Para acompanhar tudo isso, petiscos inspirados nos Mercadão – um dos símbolos da revitalização do centro – como o Viagra (misto de amendoins) e os Frios do Mercado Municipal (picanha defumada, pastrami, lombo condimentado e presunto tipo alemão). Há também pratos diversos, mas quem liga? É difícil pensar no jantar em um lugar assim.

Com tudo isso, um novo público, formado principalmente por profissionais entre os 30 e 50 anos, passou a freqüentar a casa, mas os velhos clientes também voltaram para reavivar as recordações.
Todos eles, novos e antigos, sabem que os clássicos são para sempre. Eles apreciam bares antigos, bons coquetéis e o velho centro, que está cada dia mais parecido com o que já foi um dia, cheio de charme e de classe.
Agora é só ir até lá, escolher sua mesa, sentar e ver o povo passar. Assistir calmamente àquilo que o Marcos Rey um dia chamou de “o espetáculo da cidade”.


Paribar – Praça Dom José Gaspar 42 – Centro / São Paulo. Tel: 3237-0771. Horário: Segunda a Sexta das 11h30 à 0h, Sábado das 11h30 às 20h. Excepcionalmente, abrirá neste domingo para o Bazar de Discos.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Praça Benedito Calixto (Pinheiros – São Paulo)



“A praça é do povo como o céu é do condor. É o antro onde a liberdade cria águas em seu calor”, disse o poeta Castro Alves.

São Paulo é uma cidade de feirinhas de arte. Fora as feiras anuais, como a da Pompéia, do Brooklin ou da Vila Madalena, há feiras semanais famosas, como a do MASP, a da Praça da República, a do Bixiga ou a da Liberdade. Mas talvez nenhuma delas exemplifique tão bem os versos do "Poeta dos Escravos" quanto a feira da praça Benedito Calixto, em Pinheiros.
Ponto de referência cultural, a “Benedito” é freqüentada por um público um pouco mais exigente, formado por jovens e idosos, héteros e uma grande parcela de homossexuais, famílias e crianças, brasileiros e muitos estrangeiros, artistas, decoradores e desocupados. Gente de todos os tipos que deixa a feirinha de sábado com um clima feliz, descontraído, iluminado.

A história da feira começa em 1985, quando um grupo de amigos que lutava pela reforma da praça e por sua utilização para lazer e cultura, resolve fundar a Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto e, com ela, a feira.
E assim numa área de 4.500 m2, dos quais cerca de 40% são de área verde, instalaram-se de imediato dezenas de barracas que vendiam artesanato, antiguidades, roupas, discos, livros, brinquedos, louças, móveis e diversas outras coisas, cujo sucesso foi tanto que hoje as barracas passam de trezentas, e muitos galpões foram criados ao seu redor para abrigar mais expositores.

Também graças ao sucesso da feira, ali surgiram inúmeras lojas de decoração e artesanato – algumas das melhores da cidade, além de uma série de bares e restaurantes, capitaneados pelo Consulado Mineiro, pioneiro ao abrir suas portas ali, em 1991.

Podemos afirmar que o ponto forte da feira, como em muitas outras, são as antiguidades. Entre cristais, louças, talheres e abajures, podemos encontrar antiqüíssimas máquinas fotográficas, pingüins de geladeira, garrafas de crush, jarras plásticas em formatos de abacaxi, óculos dos mais diversos tipos e por aí vai.
O destaque desta parte da feira fica com a barraca do “Museu da Voz”, criado por Jorge Narciso Caleiro Filho e pelo jornalista Luiz Ernesto Kawall (que, aliás, foi colega de meu pai) e que reúne um acervo de mais de 4 mil vozes gravadas, incluindo depoimentos de Santos Dumont e Thomas Edison, declamações de Cora Coralina, pronunciamentos de Adolf Hitler e de Indira Gandhi e mesmo uma gravação da atriz alemã Marlene Dietrich cantando “Luar do Sertão” em português. O museu funciona dentro do apartamento do jornalista na própria praça, mas a barraca que o representa, uma das pioneiras da feira, está nela todo sábado, há mais de 20 anos.

Outra coisa que chama a atenção de adultos e crianças por ali são algumas barracas que vendem brinquedos de todas as idades. São bonecos de personagens ou super-heróis, carrinhos, jogos, robôs, gênius, ataris, autoramas, telejogos e uma infinidade daquelas coisas que marcaram a infância de todos nós.

Mas nem só de antiguidades vivem as barracas e por lá podemos encontrar, entre centenas de outras opções, as bonequinhas de pano da Ana Mainieri, as deliciosas e criativas roupas da Vera Verão, as sedas pintadas à mão da Marlene, as marchetarias do Carlos Alberto Martins, as luminárias artesanais do Marco, as incríveis máscaras do José Toro-Moreno e, claro, a barraca do André, querido amigo que, depois de 15 anos de feirinha, mudou de ramo, mas por precaução ou apego deixou seus incensos, produtos esotéricos e peças balinesas, tailandesas e indianas nas mãos do Eduardo, no mesmo ponto.

Uma outra coisa que diferencia a feira das demais é o projeto “Autor na Praça”. O projeto, cuja idéia básica é a de aproximar os escritores do público através de palestras, bate-papos e tardes de autógrafos em plena praça, surgiu há 12 anos da iniciativa coletiva do produtor cultural Edson Lima, do poeta e jornalista Fred Maia, do designer gráfico Marcelo Max, do jornalista Mouzar Benedito e do escritor e dramaturgo Plínio Marcos, que foi o primeiro a se apresentar, acabou se tornando o padrinho do projeto e, após sua morte, deu nome ao espaço onde ele é realizado.
Pelo Autor na Praça já passaram centenas de convidados, entre nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Eduardo Suplicy, Chico e Paulo Caruso, Juca Kfouri, Washington Olivetto, Lourenço Diaféria, Regina Echeverria, Frei Betto, Tatiana Belinky, Roberto Freire e até o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Mesmo com tudo isso, o epicentro da feira é mesmo a sua pequena praça de alimentação, onde o pessoal se aglomera durante as tardes para disputar os pastéis da Patrícia, os lanches naturais da Zuleika, um caldinho de feijão, um “buraco-quente”, o acarajé da Luzia e, de saída, os doces do casal Maria Emília e Benê, servidos em copinhos plásticos com colherzinha de madeira.
Tudo isso maravilhosamente acompanhado por “Canário e seu Regional”, inabalável grupo de chorinho que sábado sim outro também desfila, no meio da praça, clássicos de Pixinguinha. Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e outros ícones do choro.

No clima festeiro que toma conta da praça todas as semanas, o que mais chama a atenção é a variedade, não só de mercadorias, mas de gente. O mérito é de toda a região, que sempre foi meio “do contra” e nadou contra a corrente, conseguindo manter hoje a cada dia mais difícil qualidade de colocar o homem em contato com seu meio a céu aberto.
Nas palavras da própria associação que cuida da feira: “a Praça Benedito Calixto tem sido um exemplar raro desta resistência ao confinamento, ao medo, e tem conseguido se manter como um espaço privilegiado para o congraçamento de muitos grupos diferentes que possuem um objetivo comum: o do lazer saudável, o da busca das atividades sociais e culturais que lá ocorrem. É, ainda, um reflexo do que existe de belo nesta cidade de tantas questões e cores”.


Feira de Artes, Cultura e Lazer da Praça Benedito Calixto – Pinheiros / SP. Horário: Sábado das 9 às 19h.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Feira Moderna / Arte da Vila (Vila Madalena/SP)



Neste final de semana acontece o 10º Arte da Vila, evento fundamental para a vida artística da cidade, quando quase 200 artistas da Vila Madalena abrem seus ateliers para um contato direto com o público.

São ateliers de cerâmica, pintura, escultura, joalheria, mosaico, papel, artesanato, tecido, fotografia e técnicas diversas onde os visitantes podem, além de observar e comprar, assistir a shows e participar de aulas e workshops.
Ida:
Para que sua peregrinação pelo mundo das artes seja feita com saúde, disposição e – principalmente – prazer, escolhemos um lugarzinho diferenciado para você passar antes, depois e, se preciso, no meio de seu passeio: a Feira Moderna.

A Feira Moderna é, antes de mais nada, uma loja, no coração da Madalena, cuja proposta é trazer arte popular dos mais diversos cantos do mundo, entre artesanato, roupas, brinquedos e objetos decorativos. Tudo muito diferente do que se vê por aí.

Mas ela tem também um jardim mais que convidativo, onde o seu objetivo inicial será o café da manhã, que oferece três “pacotes” diferentes, desde o simples café com leite, pão, manteiga e geléia até outros mais incrementados, além das mais diversas opções do cardápio. São broas de milho, bolinhos de São Miguel, pães de queijo, bolos, seis tipos de tapioca, inúmeros sucos e várias outras coisinhas maravilhosas preparadas ali mesmo. E o melhor de tudo: não tem hora! Tem café da manhã o dia inteiro e até de noite!

Arte da Vila:
Cumprida esta etapa, é hora de começar a visitar os ateliers. É provável que, mesmo em dois dias, você não tenha pernas para tudo. Então vou falar um pouco sobre cinco ateliers que você não deve deixar de conhecer. Seja qual for seu roteiro, dê um jeito de incluí-los:

1- Paula Dip

Curiosamente, lembro dos meus tempos de Cásper, quando a Paula apresentava o “Paulista 900” na TV Gazeta. Artista, jornalista e escritora, ela lançou em 2009 o livro "Para sempre teu, Caio F." uma biografia de Caio Fernando Abreu. 
Dedicada a diminuir seu ritmo de vida,  a multitalentosa Paula Dip montou seu atelier onde faz colagens com papéis chineses, tinta acrílica, reproduções de jornais, revistas e obras de arte. Seus temas principais são o Feng Shui, a Mata Atlântica, praias, pássaros e flores.
O atelier fica na Rua Natingui, 1160. Tel: 3812-1120.

2- Sandra Martinelli

A artista trabalha com ferro, desenhos, pinturas, esculturas, animação, música e sabe-se lá mais o quê. Mas o que chama a atenção de todos são seus trabalhos com arame, incrivelmente detalhados e criativos, formando flores, animais, retratos e até poemas e letras de músicas. É um trabalho de muita inspiração, talento e paciência, com um resultado espantoso. 
Há quatro anos, minha mãe chegou a fazer algumas aulas com a simpática Sandra, o que resultou em diversos homenzinhos, borboletas, libélulas e flores de arame, que hoje enfeitam nosso apartamento.
Fica na Rua Dr. Alberto Seabra, 640. Tel: 3021-2400.

3 – Etno Botânica

Rigorosamente ligado à preservação do meio ambiente, o atelier produz corantes e pigmentos naturais, desenvolve cores em fibras, fios e tecidos  e fibras vegetais como algodão, linho, buriti, bambu e cânhamo, utilizando técnicas como tingimentos, amarras e estamparia artesanal. O Etno Botânica promove oficinas ministradas por Eber Lopes Ferreira, onde os alunos aprendem a extrair as cores das plantas tintórias, realizam purgas e preparam fibras naturais utilizando  plantas cultivadas por pequenos agricultores e coletadas por comunidades que praticam o extrativismo sustentável.
O atelier fica na Rua Morás, 469. Tel: 3812-1616.

4 – Atelier Bassan

Ângela Bassan é uma conceituada e premiada artista plástica que faz de seu atelier um agradável espaço que une objetos de arte, arquitetura, design e decoração. Chamam a atenção suas esculturas em resina poliéster nas mais diversas cores, inclusive mescladas. Todas as peças, inspiradas em cores e formas da natureza, fogem ao comum e parecem ter uma identidade própria.




5 – Renata Sandoval
Para o Arte da Vila, Ângela convidou diversos artistas para dividir seu atelier, com destaque para as esculturas de arame e de pedra da artista Simone Grecco.
Fica na Rua Caminha do Amorim, 216. Tel: 3021-0175.

Renata cria objetos de decoração, esculturas e luminárias utilizando arame, linhas, contas e papel. A origem do seu trabalho está no papel machê – depois substituído por papel arroz japonês – e tela de arame para estruturar as esculturas e deixa-las ocas e leves.
Durante o Arte da Vila, o pequeno atelier receberá os artistas convidados Bruno Barnabé e Rodrigo Machado e ainda oferecerá aos visitantes várias sessões de música ao vivo com a flautista e pianista Tânia Murakami e convidados especiais.
O atelier fica na Rua Delfina, 52. Tel: 3814-5622.

Volta
Terminado o passeio, é hora de voltar à Feira Moderna para descansar e se refrescar. E ali é novamente o lugar ideal, pois você pode provar bebidas diferentes como a cajuína – tradicional refrigerante de caju do nordeste, ou se esbaldar nas múltiplas opções de sorvetes exóticos da sorveteria Cairu, de Belém do Pará.
Os sabores, distantes de nosso cotidiano, provocam medo e atração ao mesmo tempo: cupuaçu, graviola, açaí, bacuri, araçá, taperebá, castanha do Pará, carimbo, tapioca e outros, com calda de jacuí e afins. Todos surpreendentemente bons. E para repor de vez as energias, um mousse de coco com chocolate, um bombom de cupuaçu...

Agora, se você não só resistiu bravamente, como está a fim de dar continuidade à folia, fique por lá mesmo. Em algumas noites tem música ao vivo dentro da Feira Moderna, o que transforma o lugar numa pequena balada.
Aos sábados, o show costuma ficar por conta da Pam e Banda de Quebrada, com uma MPB cheia de swing e balanço, transformando seu programa, definitivamente, numa grande festa.

Feira Moderna – Rua Fradique Coutinho 1.246 – Vila Madalena / SP. Tels: 3812-7431 e 3032-2253. Horário: Domingo a Quinta das 10h às 20h, Sexta das 10h às 22h e Sábado das 10h às 2h.
Arte da Vila – Vila Madalena / SP. Horário: Sábado (9) e Domingo (10) das 10h às 19h.