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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Benjamim Botequim (Campo Belo - São Paulo)



Alguns lugarzinhos parecem mais “amigos” do que outros. Não se trata de conhecer as pessoas, nem da decoração, nem de pequenos truques para deixar o lugar mais agradável ou aconchegante. É alguma coisa no clima, no jeito, na ginga, que te fazem ter a certeza de que você vai gostar dali mesmo antes de botar os pés lá dentro.

O Benjamim é um lugar assim. Você olha de fora e o acha bacana, mas parecidíssimo com centenas de botecos também bacanas que entopem a cidade, mas há algo que atrai, difícil de identificar. Então você se aproxima, escolhe uma mesa, pega o cardápio e começa a observar para tentar decifrar o mistério.
A primeira coisa que você repara é que todo mundo ali está feliz. Não é aquela euforia e gritaria de alguns bares, nem o agito da paquera, nem as comemorações das turmas, nem o clima romântico dos casaizinhos. Mas há uma pitada de tudo isso temperando a tranqüila felicidade estampada em um público pra lá de variado.

Ao meu lado, o jovem casal parece estar em início de namoro e belisca uma bela tábua de frios, mas sua felicidade não parece maior que a do outro casal, que está algumas mesas adiante, já beirando os 50, e que ataca um farto frango à passarinho.
A grande mesa de amigos do lado de fora parece comemorar o final do expediente com uma longa, gelada e interminável seqüência de cervejas, acompanhadas de várias porções de deliciosos pastéis. Sua empolgação é bem parecida com a dos dois colegas que tomam chopp enquanto observam o grupo de garotas que acaba de pedir mais alguns drinks clássicos da casa.
A mesma alegria pode ser notada nas outras turmas, nos casais, amigos, famílias, jovens, idosos, homens e mulheres que freqüentam a aconchegante casa.

Aconchego parece ser mesmo a palavra de ordem no Benjamim. Há uma familiaridade, uma cumplicidade entre os clientes, a vizinhança, os funcionários e os donos da casa, que a gente percebe no ar. A impressão é que todos são velhos amigos.
Duas coisas incomuns de se ver por aí reforçam essa impressão. A primeira é o fato de a casa oferecer mantas aquecidas aos freqüentadores nos dias frios – delicadeza que reforça a sensação acolhedora do lugar. A outra, que atesta a simpatia da vizinhança, é que suas deliciosas empadinhas são produzidas, na verdade, no forno da Dona Lúcia, septuagenária vizinha do lado.

Do extenso cardápio, a clientela parece clamar por “fulano”, “beltrano”, “cicrano” ou por “qualquer coisa”, nomes dados aos fartos escondidinhos de carne seca, acompanhados respectivamente por cremes de mandioca, mandioquinha, abóbora e batata.
Clama também pela feijoada light servida aos sábados. As panelas de barro servem separadamente arroz branco, feijão preto, costela, lombo, carne seca, paio e lingüiça portuguesa, além dos molhos caseiros, com uma mistura de pimentas comari, malagueta, dedo-de-moça e outras.  Entre os secos, lingüiça e costela fritas, bisteca, torresminho, mandioca, farofa, couve e laranja. O caldinho de feijão e a batidinha de limão também estão incluídos.

Mas a paixão da casa parece ser mesmo as caipirinhas. Tem coisas como caju, lichia, mexerica, jabuticaba, limão com gengibre, morango com canela, maracujá com pimenta vermelha e carambola com manjericão. Mas a campeã de pedidos é mesmo a Benjamim, que leva vodka, abacaxi, maracujá, uva, kiwi e amora que, além de gostosa, é provavelmente a mais bonita que eu já vi.

Será que o fato de o lugar, o público, os comes e os bebes serem tão bons bastam para explicar tal felicidade? Acho que ainda não. Tem mais algum mistério que ainda não consegui descobrir. Quem sabe daqui a umas 15 ou 20 visitas ao local? O fato é que, por uma razão ou outra, existe, na esquina das ruas Vieira de Morais e João Álvares Soares (antiga Benjamim Constant, daí seu nome) um lugarzinho especial e feliz.


Benjamim Botequim – Rua Vieira de Moraes, 1.034 – Campo Belo. Tel: 5542-6196.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Heinz (Santos/SP)



O simples fato de uma bar existir há 50 anos em uma cidade onde a maioria de seus concorrentes abrem e fecham ininterruptamente numa velocidade impressionante deve ter algum significado. E o significado é óbvio: o Heinz é o melhor bar de Santos. Ponto.
Esse tipo de declaração costuma causar polêmica, afinal, todos têm suas predileções, a cidade é grande, tem dezenas de bons bares e restaurantes e cada casa tem sua especialidade. Mas neste caso, não há o que contestar. O Heinz é especial.

A referência número 1 da casa, aquela que todos se lembram assim que ouvem o nome “Heinz”, é o chopp, considerado desde sabe-se lá quando, o melhor da cidade. O precioso líquido é consumido tão vorazmente em suas mesas que a casa chega a servir quase 10 mil litros por mês. Ele é o primeiro a ser atendido pelos fornecedores. Se não sobra para os outros bares, paciência.
O chopp do Heinz é servido – sempre – na temperatura de 1 grau centígrado, cremoso, em uma taça fininha e bonita chamada Trianon, após passar pelas mãos de um chopeiro com mais de 20 anos de experiência e por uma serpentina de 200 metros.

Mas até ele chegar até ali foi uma longa história, que começou na segunda guerra mundial. Isso mesmo! O bar foi inaugurado em 1960, mas foi em 1939 que o navio alemão Windhuk aportou em Santos com mais de 200 tripulantes, fugindo de um cerco naval inglês e ali permaneceu numa quarentena que durou anos.
Quando o Brasil entrou na guerra, em 1942, muitos desses alemães já estavam integrados à Santos, com muitos amigos na cidade e habituados aos costumes locais. E um deles era Karl-Heinz Misfeld que, anos depois, com a ajuda do amigo e, pouco depois, sócio, José Anastácio dos Santos, montou o Heinz.

Mas o fato de servir o melhor chopp passa a ser só mais um detalhe quando você conhece o resto do cardápio, que oferece porções e pratos alemães, sempre com produtos de primeiríssima qualidade e muito fartas, além de algumas incursões pela cozinha brasileira, também no mesmo nível.
Do lado alemão, você pode se acabar no kassler, no joelho de porco, no lombo com batatas, nos salsichões, nas porções de gorgonzola, parmesão, nas tábuas de frios ou nos canapés, sem se esquecer do steinheger para acompanhar os chopps que, claro, serão muitos.
Do lado mais abrasileirado do cardápio, mergulhe nos caranguejos e nos mariscos, ambos servidos nos finais de semana, na companhia de enormes e caprichadas caipirinhas.

Já se passaram mais de duas décadas que o velho Heinz e seu sócio e amigo José Anastácio se foram, mas nem parece. Os antigos clientes estão todos lá e contam suas histórias com a sensação de que aconteceram ontem, embora com uma dolorida saudade.
A eles fazem companhia os da nova geração, filhos e netos de antigos freqüentadores, além dos novos que vão chegando e se enturmando.

Quem também continua na casa são os garçons. Alguns são até mais novos, mas outros estão ali há décadas, como José Bernardino, o seu Zé, que está lá quase desde a inauguração do bar e que conta histórias engraçadíssimas dos tempos em que o Alexandre e a Mônica ainda eram bebês (desculpe, Alê. Não podia deixar de contar isso...).
Alexandre e Mônica Baum dos Santos são filhos de José Anastácio com a Sra. Osmilda Baum dos Santos e hoje tocam a casa com a amiga e sócia Darci Mercki, nora de Karl-Heinz Misfeld. Os três estão sempre por lá, na mesa 12 do Heinz ou nas casas vizinhas Armazém 29 e Paulistânia Café, outros frutos da parceria.

Não bastasse tudo isso, o Heinz ainda fica na esquina da Pindorama com a Lincoln Feliciano, um dos lugares mais agradáveis da cidade, por onde curiosamente todo mundo passa mesmo não sendo caminho para lugar nenhum e que misteriosamente consegue ser um local tranquilo e agitado ao mesmo tempo.

Minha sugestão é chegar por ali ainda de tarde e, se tiver sol, descolar uma mesinha na varanda e ver a frequência ir mudando aos poucos. Primeiro vem o pessoal mais velho, depois a turma que sai do trabalho e por fim a moçada que invade a rua inteira durante à noite, mantendo um clima cada vez mais festivo e feliz.
O problema é ir embora. A sorte é que o Heinz é um bar eterno, em todos os sentidos. Ele está lá há 50 anos e continuará lá nos próximos 50. E nós também.

Bar Heinz – Rua Lincoln Feliciano, 118 – Santos / SP.     Tel (13) 3286-1875. Horário: Segunda a partir das 17h, Terça a Domingo a partir das 12h.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chora Menino (Jardim da Saúde – São Paulo)



O Jardim da Saúde é um bairro-jardim, planejado e, desde 2002, tombado. Caracteriza pela grande área verde e por uma curiosa concentração da colônia japonesa.
Por outro lado, nunca se notabilizou por restaurantes, bares e afins – exceção feita ao bar do Luiz Nozoie, talvez o único botequim razoavelmente famoso na cidade cujo dono é japonês.
Mas de uns tempos para cá alguma coisa vem mudando. Um ótimo exemplo disso é o Chora Menino, acolhedor botequim que consegue misturar um pouco do estilo boteco-chique, um invejável cardápio, muitas curiosidades e, ao mesmo tempo, simplicidade.

A primeira coisa a chamar a atenção é o nome. Pelo que ouvi, é uma homenagem ao bairro onde vivia o pai do proprietário, e que fica do outro lado da cidade, perto de Santana!
E a explicação para o nome do bairro é pra lá de macabra: no final do século XIX havia, a alguns metros do vale de Sant’Anna, um antigo chalé em ruínas. Conta-se que ali vivia uma mulher que atirava os recém-nascidos enjeitados no vale para serem comidos pelos urubus. Ouvia-se sempre o choro dos meninos. Há até quem lembre do som, mas justifica-o como sendo, provavelmente, gatos no cio ou o barulho do vento nos eucaliptos.

Mas voltemos ao bar, onde ninguém chora. Pelo menos não por grandes tragédias.
Talvez ali os meninos chorem um pouco por causa do futebol, já que o bar transmite os jogos em um telão e é todo decorado com camisas de diversos times, incluindo uma do bandeirinha Felipe Cirillo Penteado, com autógrafo e tudo!
A pergunta é: tirando a torcida do Botafogo, que deve seu único título nacional ao árbitro Márcio Rezende de Freitas e as de um time ou outro por aí (é prudente não nos aprofundar no tema), quem é que pendura a camisa de um juiz na parede?

Já pude observar também ali algumas lágrimas rolando diante dos pratos, frutos da emoção de alguns clientes ao se depararem com a porção de bolinho de carne ou com as lingüiças diversas vindas diretamente de Bragança e até um “quase choro” de um crocodilo diante da feijoada de sábado.

A verdade é que no Chora Menino todos ficam felizes também é com o chopp Eisenbahn, grande sucesso da casa, servido aos montes às mesas sempre lotadas nos finais de tarde, por um preço muito parecido com os outros chopps servidos por aí..
E os meninos sorriem de orelha a orelha é com a inovação da casa: uma tábua de caipirinhas (creiam, irmãos. É verdade!) feita com cinco opções do drinque em copos menores (de 200 ml cada).

E o destaque não é para a quantidade, mas para a qualidade da coisa toda. As caipiras são  preparadas pelo barman Jardel, aluno do premiadíssimo Souza, do Bar Veloso, e os clientes podem escolher entre inspiradíssimas opções como jabuticaba, limão com gengibre, tangerina com pimenta dedo-de-moça e muitas outras. Aí, definitivamente, os meninos não choram.

Chora Menino – Avenida do Cursino, 1302 – Jardim da Saúde – São Paulo. Tel. 3729-9643 – Horário: Terça a Sexta das 17h30 às 0h30, Sábado das 13h às 0h30, Domingo das 15h às 22h.


Meninos não choram? Sei lá. Mas não consigo parar de cantar a música. Melhor compartilhar com todos, afinal, o que é bom, a gente divide:


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Bar do Giba (Moema – São Paulo)



Um raro e genuíno boteco, em meio aos incontáveis bares chiques da região. Uma agradável mistura de bar arrumadinho com mercearia dos séculos passados, cuja estampa ainda aparece nos espelhos próximos ao teto.
Mais do que um bar, uma homenagem à santa trindade brasileira – futebol, samba e cerveja – em um dos bairros mais alemães de São Paulo.

Assim é o bar do Giba, há 24 anos muito bem-vividos na esquina da Moaci com a Anapurus, na parte indígena de Moema, alguns palmos abaixo dos aviões que pousam em Congonhas.
Giba é Gilberto Abrão Turibus, ex-bancário, profundo conhecedor do samba e presença constante no Carnaval, especialmente nos blocos de rua. Essa paixão é facilmente percebida por quem chega ao bar, impossível que é não notar as grandes bandeiras da Portela e da União da Ilha, além de outras alegorias diversas.

Outra paixão facilmente notável do Giba é o Santos Futebol Clube. As paredes do boteco são forradas de fotos, reportagens e lembranças do glorioso alvinegro, incluindo aí uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé.
O espaço que sobra (quando sobra) nas paredes é preenchido por garrafas de crush, latas de azeite e uma espécie de “kit proteção”, que inclui uma estátua de São Jorge, um vaso com espada de São Jorge, cachos de cebola, alho e pimenta.

A casa não serve chopp, só cerveja em garrafas estupidamente geladas, além de todas as bebidas tradicionais e colossais caipirinhas que saem sem parar rumo às animadas mesinhas internas ou da calçada.

Mas onde o Giba “mata a pau”, mesmo, é na cozinha, que está no nível das mais cultuadas da cidade e apresenta petiscos realmente maravilhosos, como a porção de carne seca com mandioca na manteiga ou o caldinho de feijão com torresmo, de fazer sorrir os paladares mais exigentes.
O campeão da casa, entretanto, como a clientela não deixa dúvidas, é o “engibaiado de pastéis”, uma porção com doze pastéis – 3 de carne, 3 de queijo, 3 de palmito e 3 de camarão – todos tão bons que levaram o escritor, sambista e craque botequeiro carioca Moacyr Luz a homenageá-los em uma de suas composições.

Mas atenção: a casa não tem cardápio e não aceita cartões de crédito ou débito. Para conhecer as opções basta olhar nas lousas espalhadas pelos quatro cantos, mas para saber os preços é preciso sempre perguntar aos garçons, que são simpáticos, atenciosos e habituados ao fato. Este costume dá um certo charme ao bar, mas traz uma surpresa na hora de pagar a conta: não é barato.
Portanto, vá prevenido. Mas vá. É um dos melhores bares da cidade.

Bar do Giba – Av. Moaci, 574 – Moema – São Paulo.
Funcionamento: Segunda a Sexta das 17h30 à 1h e Sábado das 13h à 1h.




Na música “Delírio da Baixa Gastronomia”, do disco “Batucando”, Moacyr Luz faz uma homenagem a alguns de seus bares preferidos – “bares de respeito”, na suas palavras. São citados alguns clássicos do Rio e (surpreendentemente, em um samba carioca) dois bares paulistanos – o Pirajá e o Bar do Giba: 




segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Celeiro Pouso e Rango (Cunha/SP)



Você pega a estradinha de asfalto em direção às cachoeiras por mais ou menos 1km, passa a ponte e vira à esquerda na estrada de terra. Aí segue contornando a cerca de cedro e vai em frente. Sobe, desce, vira para um lado, depois para outro e sai no asfalto de novo. Aí sobe, sobe, sobe e volta para a terra. Vira de novo, depois mais uma e sobe. Mais asfalto e mais terra. Quando você chega lá no alto, além da paisagem espetacular, você avista uma casa avermelhada. É lá.

Por que é que eu continuo fazendo esse caminho todo tantas e tantas vezes? Pelo bar, pela paisagem, pela caipirinha, pela coalhada seca, pelo bilhar, pelo passeio e pelo Gutto.
Gutto Ferreira é um cara querido por todo mundo. Já foi jogador de vôlei, modelo, peão de boiadeiro e dançarino pelo mundo inteiro.
Dessas andanças, herdou a paixão pela liberdade, pela natureza e pelos animais. Tanto que em meados dos 90, contrariando a lógica de quase todos, trocou tudo isso para adquirir umas terras pra lá de escondidas, a 25 km de Cunha, que já não fica perto de muita coisa.

Em um resumo rápido, criou animais e cultivou alimentos nessa terra, arrendou outra ao lado, transformou-a em pousada e deixou-a por outra, mais próxima, onde pôde finalmente instalar seu projeto do que viria a ser, em 2006, o Celeiro.


O Celeiro é uma casa ampla e envidraçada no alto de uma montanha que fica entre dezenas de outras montanhas. Abriga um bar/restaurante embaixo, a casa do Gutto em cima e, de uns meses para cá, três chalés para hóspedes.
Seus vizinhos mais próximos são alguns sítios a cerca de 1 km dali. Os únicos sons que se ouve são alguns relinchares dos cavalos, mugidos da vizinhança, esporádicos latidos do Nando e as músicas que o Gutto põe pra rolar, no volume que bem entender.
Dentro da casa, algumas mesas, sofás, o balcão do bar e uma mesa de bilhar. Do lado de fora, mais sofás e muitas redes. Na decoração, só peças de muito bom gosto, com destaque para os quadros de dona Agair e as esculturas do Luciano, um dos melhores artistas da cidade.

De dentro da cozinha saem picanha, salmão, macarrão etc, mas a especialidade é o arroz de comitiva, aprendido nas longas tocadas de boiadas e amplamente aperfeiçoado com o acréscimo de vários ingredientes, o que o torna uma espécie de paella caipira.
Confesso que costumo ficar nos petiscos como o frango (caipira, é claro) à passarinho e na incrível coalhada seca que, sei lá por quê, é a melhor que conheço. E tudo servido com um capricho decorativo que impressiona.
O mesmo acontece com a caipirinha de limão cravo com manjericão. Pode ser o açúcar na medida certa, as folhas do manjericão ou até o gelo, mas eu acho que o segredo está no tipo do limão que nasce lá (o Gutto diz que está no jeito de chacoalhar o copo!). O fato é que ela é irresistível.

O termo slow food usado no site explica pouco. É só um toque para você apreciar a comida sem pressa. Mas, mais que isso, é um jeito sutil de avisar que você não vai sair de lá tão cedo, porque aos poucos a casa vai ficando mais cheia e animada.
É ainda um conselho para você tirar o pé do acelerador. Afinal, está com pressa de quê? Escolha uma rede e espere pelo pôr-do-sol. O hoje, ali, deve ser saboreado com toda a tranqüilidade e complacência possíveis.

Uma coisa bacana é que ali você acaba fazendo de tudo um pouco e ao mesmo tempo. Como a maioria dos clientes são amigos e o clima da casa deixa todo mundo à vontade, as turmas se misturam naturalmente e cada hora você está num lugar.
Assim, primeiro você se senta em uma mesa qualquer com seu grupo de amigos. Depois alguém te chama para mostrar alguma coisa nos livros no canto dos sofás. Em seguida você vai até o balcão pedir outra caipirinha e fica “de prosa” com o Gutto. O papo é interrompido para jogar bilhar com alguém que você acabou de conhecer. E por aí vai...
E há ainda uma proposta indecentemente convidativa que é feita a todos uma vez por mês: uma cavalgada na lua cheia, que sai do Celeiro no finzinho da tarde rumo às montanhas, vê a lua nascendo, visita algumas cachoeiras sob o claríssimo céu de Cunha e volta para o jantar.

O Celeiro é, portanto, um lugar aonde você vai e fica. Um lugar de boa comida, boa bebida, boa diversão e muito sossego. Um lugar para encontrar e fazer amigos.
Lembra daquela estradinha do começo da história? Ela pode parecer longa, mas em Cunha tudo é questão de uns 10 minutos. E ela sempre parece mais triste e curta na hora de ir embora.

Celeiro Pouso e Rango – Estrada do Macuco km 4        
Cunha /SP - Tels (12) 3111-1481 / 9741-0724 http://www.celeirodogutto.com.br/ Horário: Sábados, Domingos e Feriados das 11h ao fim da tarde.
Dicas importantes: É melhor ligar antes para ver se está aberto. Se for perguntar o caminho, não pergunte pelo endereço (em Cunha isso é quase inútil), mas sim pelo Celeiro do Gutto, que todo mundo conhece.




A música do vídeo abaixo tem uma história, que se passa na Inglaterra, nos idos de 1967:

Um grupo de pessoas comentava no centro da cidade sobre a “tolice” de um rapaz que vivia isolado em uma colina, longe das pessoas e das coisas da cidade.

Ao ouvir o comentário, quatro rapazes geniais de Liverpool responderam musicalmente que o homem da montanha nunca lhes daria ouvidos, pois ele sabe quem são, na verdade, “os tolos”, pois para ele, onde vive, pode ver as belezas da vida, assistir o pôr-do-sol todos os dias e observar cada volta que o mundo dá.