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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bar do Magrão (Ipiranga / São Paulo)



"Um país não pode ser um país de verdade se não tiver ao menos uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver uma equipe do futebol ou armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja” (Frank Zappa)

Zappa sabia das coisas. Era um cara que fazia de tudo um pouco e lançou 60 discos bem diferentes um do outro, nos quais tocava vários instrumentos e desenhava a capa. Estava sempre disposto a experimentar novidades e se sentia apto a avaliar o potencial de uma nação através do conceito acima. Ele ia adorar o Bar do Magrão.

O Bar do Magrão é um lugar meio difícil de explicar. Original, cheio de personalidade e instalado num lugar bem improvável do Ipiranga, já quase no Sacomã, o botequim tem jeitão de pub, destacado pela iluminação baixa e pela grande oferta de cervejas do mundo todo.
O jeito é ressaltado também pelo velho e bom rock and roll que sai de suas caixas de som, já que Luiz Antonio Sampaio, o Magrão, é roqueiro de carteirinha e no seu aparelho de som só toca coisas como Stones, Led, Beatles, Floyd, Hendrix e afins.



Mas o bar não é bem um pub, pois é aberto, com algumas mesas dentro e outras na calçada e alguns degraus onde o povo se amontoa quando a casa está cheia, o que acontece quase todos os dias.
A decoração também não parece com nada, mas é muito bacana. A casa é completamente abarrotada de quinquilharias doadas pelos freqüentadores. São coisas como instrumentos musicais, luvas de boxe, sapatos de palhaço, pratos e pranchas de surf, com destaque para a múmia pendurada no teto – herdada de um Halloween – e para os relógios parados atrás do balcão, marcando 5 minutos para as 5 horas, horário em que o bar abre suas portas, pontualmente, durante a semana.


Outra peculiaridade é que o bar é meio vizinho / meio anexo à Cantina do Magrão, que obviamente é do mesmo dono. Ocorre que, com a existência do bar desde 1995, Mônica, esposa do Magrão, começou a usar a cozinha durante o dia para fazer massas frescas e vender na rotisseria que abriu ao lado. Só que a clientela, que em boa parte era formada por freqüentadores do bar, pedia uma cerveja, sentava para conversar e acabava por comer a massa ali mesmo, em mesas improvisadas na calçada.
Como uma coisa leva à outra, a rotisseria virou cantina em 2000 e passou a funcionar ao lado do bar. Oficialmente, são casas distintas, mas como a informalidade impera no pedaço, é comum os fregueses estarem em um e pedirem coisas do outro.


Diga-se de passagem, mesmo o bar tendo ótimas opções de petiscos, incluído aí diferentes tipos de escondidinhos, é muito difícil resistir ao raviolli di nonno, feito com massa verde de espinafre e recheio de vitela, ou ao pavoni, que leva damasco e queijo brie.
Mas como Zappa disse que o que importa é a cerveja, concentremo-nos no boteco. Ali tem cerveja para qualquer um se esbaldar e tentar avaliar as qualidades de cada país. Há coisas como a francesa Bière du Désert, a belga Kasteel Rouge, a irlandesa Guiness, a tcheca Primátor, a Holandesa Urthel, a alemã Warsteiner e dezenas de outras.

A idéia é a seguinte: sente-se, experimente e embarque numa viagem de país em país através das cervejas. Se você vai aprender alguma coisa sobre esses lugares, não sei. Se vai ter grandes lembranças de viagem, é pouco provável. Mas que será uma maneira bem divertida de dar a volta ao mundo, lá isso será.


Bar do Magrão - R.Agostinho Gomes, 2988 - Ipiranga/SP. Tel: 2061.6649. Horário: De Terça a Sexta das 16h55 à 0h, Sábado das 12h à 0h e Domingo das 12h às 22h.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chora Menino (Jardim da Saúde – São Paulo)



O Jardim da Saúde é um bairro-jardim, planejado e, desde 2002, tombado. Caracteriza pela grande área verde e por uma curiosa concentração da colônia japonesa.
Por outro lado, nunca se notabilizou por restaurantes, bares e afins – exceção feita ao bar do Luiz Nozoie, talvez o único botequim razoavelmente famoso na cidade cujo dono é japonês.
Mas de uns tempos para cá alguma coisa vem mudando. Um ótimo exemplo disso é o Chora Menino, acolhedor botequim que consegue misturar um pouco do estilo boteco-chique, um invejável cardápio, muitas curiosidades e, ao mesmo tempo, simplicidade.

A primeira coisa a chamar a atenção é o nome. Pelo que ouvi, é uma homenagem ao bairro onde vivia o pai do proprietário, e que fica do outro lado da cidade, perto de Santana!
E a explicação para o nome do bairro é pra lá de macabra: no final do século XIX havia, a alguns metros do vale de Sant’Anna, um antigo chalé em ruínas. Conta-se que ali vivia uma mulher que atirava os recém-nascidos enjeitados no vale para serem comidos pelos urubus. Ouvia-se sempre o choro dos meninos. Há até quem lembre do som, mas justifica-o como sendo, provavelmente, gatos no cio ou o barulho do vento nos eucaliptos.

Mas voltemos ao bar, onde ninguém chora. Pelo menos não por grandes tragédias.
Talvez ali os meninos chorem um pouco por causa do futebol, já que o bar transmite os jogos em um telão e é todo decorado com camisas de diversos times, incluindo uma do bandeirinha Felipe Cirillo Penteado, com autógrafo e tudo!
A pergunta é: tirando a torcida do Botafogo, que deve seu único título nacional ao árbitro Márcio Rezende de Freitas e as de um time ou outro por aí (é prudente não nos aprofundar no tema), quem é que pendura a camisa de um juiz na parede?

Já pude observar também ali algumas lágrimas rolando diante dos pratos, frutos da emoção de alguns clientes ao se depararem com a porção de bolinho de carne ou com as lingüiças diversas vindas diretamente de Bragança e até um “quase choro” de um crocodilo diante da feijoada de sábado.

A verdade é que no Chora Menino todos ficam felizes também é com o chopp Eisenbahn, grande sucesso da casa, servido aos montes às mesas sempre lotadas nos finais de tarde, por um preço muito parecido com os outros chopps servidos por aí..
E os meninos sorriem de orelha a orelha é com a inovação da casa: uma tábua de caipirinhas (creiam, irmãos. É verdade!) feita com cinco opções do drinque em copos menores (de 200 ml cada).

E o destaque não é para a quantidade, mas para a qualidade da coisa toda. As caipiras são  preparadas pelo barman Jardel, aluno do premiadíssimo Souza, do Bar Veloso, e os clientes podem escolher entre inspiradíssimas opções como jabuticaba, limão com gengibre, tangerina com pimenta dedo-de-moça e muitas outras. Aí, definitivamente, os meninos não choram.

Chora Menino – Avenida do Cursino, 1302 – Jardim da Saúde – São Paulo. Tel. 3729-9643 – Horário: Terça a Sexta das 17h30 às 0h30, Sábado das 13h às 0h30, Domingo das 15h às 22h.


Meninos não choram? Sei lá. Mas não consigo parar de cantar a música. Melhor compartilhar com todos, afinal, o que é bom, a gente divide: