sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Italian Dessert (Pinheiros - São Paulo)



O sorvete é uma invenção dos chineses aperfeiçoada pelos árabes e transformada em algo quase celestial pelos italianos. E apesar de a geladeira só existir a um século e meio, a adoração ao “gelato” já dura milênios.

Diz a história que há mais de 3 mil anos os chineses misturavam neve com as frutas para preparar algo parecido com o sorvete. Com técnica semelhante, os árabes passaram a preparar caldas geladas chamadas de sharbet, que viraram os afrancesados sorbets, famosos sorvetes sem leite.

O primeiro grande salto na história ocorreu no século XIII, quando Marco Pólo levou do oriente para a Itália o segredo do preparo dos sorvetes com técnicas especiais, criando uma moda que logo se espalhou pelo país.
O segundo salto, é claro, veio com a invenção da geladeira, na metade do século XIX, e que possibilitou, entre tantos benefícios, a fabricação do “sorvete tipo italiano” em qualquer lugar do mundo. E como “qualquer lugar do mundo” inclui o Brasil, os jornais paulistanos do dia 4 de janeiro de 1878 chegavam ao público com o seguinte anúncio: “Sorvetes – Todos os dias às 15 horas, na Rua Direita, nº 44”.

Mas não bastava. O ser humano não se sacia com pouco e, aos poucos, foram surgindo invenções já um tanto pecaminosas, como o sorvete napolitano, o sundae, o milk shake, o banana split e, depois, finalmente, os chamados “sorvetes finos”.
É nesta etapa que começa a história do italiano Carlo Maveri. Nascido na pequena Busto Arsizio, Carlo trabalhou na fabricação de sorvetes até resolver mudar de vida e vir para o Brasil, ainda nos anos 70. Sua idéia era trabalhar com eventos, mas quando percebeu que sua vocação (e a tentação) para o sorvete era mais forte, resolveu investir na sua produção.

Nascia assim, em 1989, a Italian Desserts, empresa pioneira na fabricação de sorvetes elaborados, como o tartufo, amore di coco, flambeau, cassata e outros. Pioneira também na criação de sabores especiais feitos sob encomenda, como caipirinha, queijo ou o que mais o cliente quiser.
Dez anos depois, como manda a tradição italiana, Carlo levou seu filho Matteo Maveri, já formado em outra profissão, para trabalhar ao seu lado. Apaixonado pela produção dos sorvetes e levado pela necessidade de deixar o pai descansar um pouco, ele assumiu a frente dos negócios em 2004.

Cheio de entusiasmo, Matteo mergulhou em cursos e especializações na Itália e na Suíça. Como conseqüência, encheu-se de novas idéias, ampliou os negócios e criou novos e exóticos sabores, atraindo um leque de mais de 200 restaurantes para sua clientela, além dos melhores clubes, buffets e companhias aéreas, e de alguns iluminados que descobriram a pequena e discreta porta quase que camuflada em uma rua de Pinheiros.

Sei não, mas acho que, como nas histórias do Veríssimo, pai e filho devem ter hesitado muito antes de lançar cada novo produto no mercado. A preocupação nunca deve ter sido com concorrência, aprovação ou qualquer coisa do tipo, já que os produtos são praticamente imbatíveis. Eles deviam temer é pela corrupção irrecuperável da humanidade. Depois de provar os tartufos, flambeaus e cassatas, as pessoas poderiam se ver fragilizadas, indefesas diante da autoindulgência ou perdidas pela culpa.
É provável que tenham até pensado em vender o sorvete com um aviso, como nos cigarros: “Atenção: pode causar dependência ou ruína moral”. Contudo, seguiram em frente, conquistando os paladares mais exigentes sem dó ou qualquer peso na consciência.

E agora essa: depois de uma reforma de alguns meses, Matteo transformou a frente da fábrica em uma pequena sorveteria, onde atenderá o público a partir da próxima semana para o livre consumo de seus sorvetes, sem restrições, em plena luz do dia até uma parte da noite!
E as novidades são muitas. Quando a pequena porta com tijolos pintados como os da parede se abrir, o desinformado público encontrará pela frente uma vitrine de tentações. São sorvetes “do tipo italiano” de sabores como zabaione, pistache, morango real, pêra, maçã verde, avelã, pêssego, cerveja, whisky, chocolate belga, um outro chocolate sem lactose e sabe-se lá mais o quê.

Encontrará também uma outra geladeira com picolés do tipo gourmet, daqueles mais elaborados e com produtos refinados, inaugurando uma nova linha de maravilhas da casa. E encontrará ainda sorvetes em novos formatos, como o milk shake que leva vodka com sorvetes de tangerina, maracujá, pêra ou limão.
Se tudo isso não bastasse, a reforma deu à fabrica ares de uma “casa de amigos que vende sorvetes”, com a simpática escadinha que receberá pufes para acolher as visitas na tranqüila calçada da Alves Guimarães, sob uma iluminação que chega a animar para a balada e ao som de deliciosos flash backs escolhidos pelo próprio Matteo.

A gelateria inaugura no final da semana que vem e as conseqüências ainda são imprevisíveis. É possível que muitos dos que forem nunca mais queiram voltar para suas casas. Não digam que eu não avisei.


Italian Dessert – Rua Alves Guimarães, 1.363, Pinheiros. Tel: 3865-3540 / 3673-6131. Horário: Segunda a Sexta das 11h às 18h , Sábado das 13h às 21h e Domingo das 14h às 20h.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

FERNANDA ABREU



Indica seu lugarzinho em São Paulo

São Paulo! Cidade alucinante!
Adoro chegar em Congonhas! O avião descendo no meio dos prédios, dos carros, da cidade! Pergunto logo se meu hotel é perto da Oscar Freire. Adoro a Oscar Freire! Fico caminhando olhando as pessoas, as vitrines chiques e luxuosas, os tipos diversos, um jeito paulista no ar porque São Paulo é bom mesmo quando se tem dinheiro!
Então gosto de sentir essa vibe. Aí pinta a fome e vou ao Marcel comer um suflê de espinafre com queijo.
Outro lado de São Paulo que amo e tem até mais a ver comigo é a Vila Madalena! Descolada, com gente descolada e clima de arte e cultura no ar!
Beijos, queridos!
Fernanda


A carioquíssima cantora e compositora Fernanda Abreu começou sua carreira musical na Blitz, banda símbolo do rock brasileiro dos anos 80, com quem lançou os conhecidíssimos álbuns “As Aventuras da Blitz”, “Radioatividade” e “Blitz 3”.
Em carreira solo desde 1990, já lançou sete álbuns e algumas coletâneas, com influências variadas do pop rock, samba, disco music, funk e funk carioca, ritmos diversos que ajudou a difundir Brasil afora.


Serviço:
Rua Oscar Freire – Jardins.
Vila Madalena – Zona Oeste.
Marcel - Rua da Consolação, 3555. Tel: 3064-3089

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Helô Doces (Vila Madalena - São Paulo)



A sua história é diferente da minha, da dela, das deles. Mas algumas coisas acontecem com todo mundo, de maneiras e com personagens variados, mas com vários detalhes idênticos.

Em algum momento da sua infância você entrou na cozinha e se deparou com sua mãe ou sua avó fazendo bolo de chocolate, chocolate quente ou qualquer outra coisa com calda de chocolate. Você pode lembrar vagamente da cena e talvez nem lembre direito do gosto, mas o cheiro... ah, o cheiro você nunca mais esqueceu.
É mais ou menos esse cheiro que “perfuma” os ares da Helô Doces, pequena fábrica de guloseimas de Heloísa Monteiro da Silva escondida há mais de vinte anos em uma ruazinha entre a Vila Madalena e a Vila Beatriz.

Mas essa história começa muito antes, quando a ainda menina Heloísa também aprendeu com a mãe os truques dos bolos, ajudando no preparo das sobremesas quando ainda mal alcançava o fogão. Foi assim até crescer, apaixonada pelos doces e, principalmente, pelo chocolate.
A Helô já adulta montou sua primeira confeitaria nos anos 70, ao lado do primo Charlô Wattely, que depois se tornaria um dos maiores banqueteiros da cidade. Mas para a Vila já seguiu sozinha, com suas receitas já aperfeiçoadas até chegar ao doce que conquistaria os paladares da cidade: o brownie.

O brownie, ícone da culinária americana, é um daqueles erros que deu certo. Ninguém sabe direito quando nem onde surgiu, mas tudo indica que foi quando alguma cozinheira esqueceu de adicionar fermento ao bolo, deixando-o espesso, macio, um tanto grudento e com uma alta concentração de chocolate.
Sua fórmula básica leva apenas cinco ingredientes: ovo, açúcar, cacau, manteiga e farinha. Só que o da Helô não leva farinha. É claro que sua fórmula mágica é secreta, mas algumas coisas são reveladas sem qualquer problema, como a tal ausência de farinha, o uso somente de chocolate de qualidade e a utilização de uma manteiga especial, com menos soro, fabricada sob encomenda.

E nem só do brownie tradicional vive a fábrica. Há uma infinidade de doces de deixar qualquer um com água na boca. São tortas de limão, pecan e amêndoas com damasco; bolos de framboesa, brigadeiro, damasco, morango e outros; merengues de chocolate, damasco, morango e pistache; mousses de framboesa, chocolate e maracujá; cheese cakes de goiaba, damasco e framboesa; bolos de sorvete com framboesa, pistache ou avelã; Petit Gateaus de chocolate, doce de leite e goiaba; brownies de nutela, doce de leite, damasco, macadâmia e muito, muito mais.

Mas convém avisar: se você for até lá buscando uma doceria com vitrine, mesinhas e cadeiras, nada verá. Para atender o público, há apenas um pequeno balcão com a lista completa dos produtos da casa. O local é, na verdade, uma simpática fábrica com uma escola de culinária para adultos e crianças instalada em seu andar superior, onde Heloísa e sua equipe ensinam o preparo de doces e salgados e realizam eventos para grupos, nos quais os participantes são convidados a preparar e comer seus próprios confeitos.

Com isso tudo, lá se vão quase duas toneladas de açúcar e de chocolate por mês – da embalagem para as panelas, das panelas para os pratos, dos pratos para milhares de estômagos espalhados por aí.
E é claro que o brownie continua sendo o campeão dos pedidos. A procura é tanta que ele já pode ser encontrado por aí, nos supermercados mais requintados. Mas por algum motivo a turma ainda prefere buscar na própria fábrica. Pode ser pela tradição, ou talvez por simpatia mesmo. Mas certamente é também por um pouquinho de saudade da infância.

Helô Doces – Rua Lira, 75. Tel: 3814-4854. Horário: Segunda a Sexta das 9h às 18h e Sábado das 9h às 14h.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

REJANE ARRUDA



Indica seu lugarzinho em São Paulo



Oi Pedro e pessoal do Lugarzinho. Vamos lá!
Adoro o Café Girondino, no centro, perto da Estação da Sé. Sempre que vou ao Centro Cultural Banco do Brasil tento passar lá para comer um sanduíche. Tem uns deliciosos. E o espaço é lindo.
Adoro livrarias conjugadas com cafés: Livraria da Vila, na Fradique Coutinho, e a Cultura do Conjunto Nacional. Sempre passo quando vou no CineSesc. Aliás as mostras que costumam acontecer no CineSesc, CCBB e Cinemateca Brasileira são imperdíveis.
Na Vila Madalena também tenho um lugarzinho, o Coffee Lab, da Isabela Raposeiras, na Fradique Coutinho, que já foi considerado o melhor café de São Paulo. São especialistas. E o suco de luz do Yam Vegetariano, do Cheff Augusto Pinto, na Inácio Pereira da Rocha, é delicioso.

Para "bater um rango" de madrugada nada melhor do que o Bar e Lanches Estadão.

Estas são minhas dicas! Espero que curtam!
Bjs queridos.

Rejane K. Arruda é atriz em cinema e teatro. Protagonizou Corpo, de Rossana Foglia e Rubens Rewald (melhor filme no The Method Independent Film, Los Angeles, 2008) e Medo de Sangue (curta metragem de Luciano Coelho, 2011), além de Iminente (de Romeu di Sessa). Atuou também em O Veneno da Madrugada, de Ruy Guerra (2006). É pesquisadora na Universidade de São Paulo, onde desenvolve procedimentos de criação cênica. Escreve mensalmente para o blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/ ), onde assina a coluna Bisturi.





Serviço:
Café Girondino: Rua Boa Vista, 365. Tel: 3229-4574
CCBB: Rua Álvares Penteado, 112. Tel: 3113-3651
Cinemateca: Lgo Sen. Raul Cardoso, 207. Tel: 3512-6111
CineSesc: Rua Augusta, 2075. Tel: 3087-0500
Coffee Lab: R. Fradique Coutinho, 1.340. Tel: 3375-7400
Estadão: Vd. Nove de Julho, 193. Tel: 3257-7121
Livraria Cultura: Avenida Paulista, 2073. Tel: 3170-4033
Livraria da Vila: R. Fradique Coutinho, 915. Tel: 3814-5811
Yam: R. Deputado Lacerda Franco, 478. Tel: 3031-3543
Postado em 17.10.2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Oh! Melete (Perdizes – São Paulo)



Primeiro veio o ovo (ou teria sido a galinha?). Um pouco depois veio a omelete. Dizem que ela surgiu na antiga Pérsia, onde os ovos batidos eram misturados com ervas e fritos, formando um prato chamado “kookoo” que, quando sua receita se espalhou pela Europa, deu origem à tortilla espanhola, à frittata italiana e à omelete francesa.
Algo me diz que a verdadeira origem é outra: ela foi criada pelo primeiro homem das cavernas que derrubou um ovo e, como já tinha o fogo, as ferramentas e alguma malandragem, tentou transformar o estrago em alguma coisa comível. Este homem não apenas conseguiu, como logo passou a ser cultuado como o primeiro grande chef de sua aldeia.



Aqui no Brasil, já na nossa era, o ovo atravessou fases gloriosas, quase heróicas, com a proliferação dos bifes à cavalo, quindins e afins, e outras terríveis, em que fora tratado como um perigoso vilão, considerado uma verdadeira bomba de colesterol, ameaça mortal para nossos corações.
Tudo para depois ser julgado inofensivo, vítima de um engano. O escritor Luis Fernando Veríssimo, genial apreciador da boa mesa, estuda inclusive pedir uma indenização por cada ovo não comido durante este fúnebre período. É justo.


Para tentar sanar um pouco de nossa culpa e fazer uma espécie de justiça histórica – ou um tipo de quota gastronômica – foi inaugurado em São Paulo, em julho deste ano, um restaurante que só serve omeletes!
Trata-se do Oh! Melete, criação da jovem chef Renata Porlan Ostrovsky e de seu sócio e cunhado Sérgio Antonini, que ocupa o antigo ponto do Regina Preta Bistrô, uma bela e charmosa casa de esquina com um pequeno salão e algumas mesas na calçada, em cuja cozinha Renata desenvolveu seus dons culinários.



O cardápio da casa é enxuto e despretensioso, com 14 opções de omeletes, algumas opções de acompanhamentos como arroz, berinjela, abobrinha, saladas e pães artesanais de fabricação própria. Tudo fácil, rápido, saudável, e gostoso. 
E orgânico! Tanto os acompanhamentos como os ovos, matéria prima do sucesso da casa, que são originários da Fazenda Yamaguishi, em Jaguariúna, que cria suas aves em galpões abertos, sob luz natural e sem hormônios.



Apaixonada pela culinária desde pequena, Renata aprendeu com a avó as primeiras receitas, depois aperfeiçoadas na faculdade de gastronomia e exaustivamente treinadas em suas próprias panelas.
Para a omelete de seu restaurante, ela usa dois ovos temperados apenas com sal e passados na frigideira com manteiga, formando uma fina e úmida panqueca que depois receberá os recheios.
As opções vão de 2 Queijos (emmental e gruyére) e de Ervas (tomilho, manjericão, sálvia e alecrim) até a Supreme (salmão defumado, cream cheese, dill e ovas de salmão) e a Mishmash (patê de fígado de galinha caseiro e cebola caramelizada), passando por opções que levam queijos, presunto, bacon, espinafre, tomate, frango, molho bechamel, shitake, shimeji etc.
A clientela, já fiel e formada em boa parte por casais, conclui sua experiência com a já famosa tarte tatin ou com o caseiríssimo queijo com goiabada.


Hoje, segunda sexta-feira de outubro, é o Dia Mundial do Ovo. Não ria, é sério! E saiba também que o primeiro dia de primavera, comemorado no mês passado, é considerado o Dia do Ovo em Pé!
Em 1945 uma edição da revista "LIFE" publicou que toda a população da cidade chinesa de Chunking estava tentando equilibrar ovos no primeiro dia da primavera, pois, ao que parece, é o dia em que o planeta se encontra mais equilibrado. O cético jornalista Walter Rundle decidiu tentar por si próprio e descobriu que era capaz de pôr de pé vários ovos, sem nem mesmo usar o truque de Colombo, que equilibrou um ovo quebrando levemente seu fundo. E então escreveu a matéria para a revista.
Se você quiser tentar, fique à vontade. Já tentei há anos atrás e desisti. E, na verdade, prefiro o ovo já quebrado e dentro da frigideira da Renata.

Oh! Melete – Rua João Ramalho, 766. Tel: 3875-2550.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CARLA CANDIOTTO



Indica seu lugarzinho em São Paulo



Oi Pedro e pessoal do Lugarzinho, tudo bem?
Aqui vai minha dica:
Um lugar que gosto muito aqui em São Paulo é meu bairro: a Lapa. E nele, um restaurante muito especial: o Dona Felicidade.
Pra quem gosta de futebol, principalmente, é um prato cheio, pois todas as bandeiras e camisetas de times do mundo todo estão penduradas lá. É muito bom! E principalmente pra quem tem filho pequeno cujo o assunto da casa é sempre futebol! Já vi até o Casagrande lá.
É frequentado por gente do bairro e a comida é sempre uma delícia. Acho bem especial.
Um abraço!
Carla



A diretora teatral Carla Candiotto iniciou sua carreira na Europa, onde se formou pela “Ecole Internationale Philippe Gaullier”, em Paris. Lá, atuou com a companhia Fleur de Peau em “Scarllet” e a companhia Paris 21, até fundar a Cia Le Plat du Jour, com Alexandra Golik, que tem em seu repertório espetáculos premiados como “Chapeuzinho Vermelho”, “Os Três Porquinhos” e muitos outros.
Professora de interpretação teatral no Teatro Escola Célia Helena e no centro de formação profissional em Artes Circenses, CEFAC, Carla atuou no longa metragem “Bens confiscados”, de Carlos Reichenbach e trabalhou durante 7 anos  no Programa Doutores da Alegria. Já dirigiu – e dirige - peças de diversas companhias teatrais, como Parlapatões, Pia Fraus, La Mínima de Teatro, Circo Mínimo e outros.
Ainda este mês estreará em São Paulo as peças “João e o Pé de Feijão” (no teatro União Cultural), “Histórias por Telefone” (no teatro Eva Herz) e Gigantes de Ar (em apresentação única no dia 29/10, no Parque da água Branca).


  

Serviço:
Dona Felicidade: Rua Tito, 21. Tel: 3864-3866

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Bar do Marcelino (Joaquim Egídio / SP)



Eu tenho um amigo “furão”. Sabe esses caras com quem você vive tentando marcar alguma coisa, mas na última hora sempre aparece alguma coisa que o impede de ir? É assim desde que ele se mudou de São Paulo. E não adianta nem tentar marcar na cidade dele, pois ele não poderá estar lá naquele dia. Pois é.
Mas uma coisa eu tenho que admitir: o cara tem bom gosto. E é por isso que, quando recebo suas indicações, acabo seguindo cega e despreocupadamente.

Foi assim que eu fui parar no Bar do Marcelino, em Joaquim Egídio, um distrito de Campinas que é, na verdade, um simpatissíssimo vilarejo, com suas ruas de paralelepípedo e repleto de trilhas e de ótimos bares e restaurantes.
O bar parece ser o ponto central da cidade, para onde tudo converge. Sua fama se espalha por toda a região e os motivos não são poucos.

Tradição não lhe falta. O delicioso casarão do século XIX já foi, em seus primórdios, um armazém de secos e molhados (como parece ser a origem dos melhores botecos mencionados neste blog). Depois, por 45 anos, foi o Bar do Sr. Rubens. Foi ainda o Bar do Said e o Bar do Múcio, até receber seus atuais nome e proprietário em outubro de 1988, há exatos 33 anos.
Jaime Marcelino Pissolato nasceu em cresceu em Sousas, a vila vizinha, e sempre freqüentou Joaquim Egidio, fosse na infância para jogar bola ou mais tarde passeando de moto ou freqüentando os três botecos então existentes por ali. Freqüentou tanto que um dia foi chamado pelo Múcio para “dar uma mãozinha” na cozinha e não saiu mais de lá, esticando até hoje o que chama de “a mãozinha mais longa que já deu em sua vida”.

Charme também não falta ao local. Ele começa na calçada, onde a casa espalha diversos caixotes de madeira onde os clientes se acomodam enquanto aguardam por suas mesas.
Ali só se servem bebidas e porções – como as deliciosas batatas, o crocante bolinho de mandioca com carne seca ou a exótica pimenta dedo-de-moça empanada recheada com carne moída – mas o clima costuma ficar tão agradável e divertido que muitos freqüentadores acabam dispensando a mesa e ficando por ali mesmo.
A história dos já famosos caixotes começou porque não era permitido colocar mesas do lado de fora do bar, mas caiu nas graças do público, que hoje não os troca por mesa alguma.


Mas é lá dentro que vem a melhor parte: a comida, bem caseira, bem brasileira. Você pode escolher entre uns 30 pratos diferentes, todos deliciosos e fartos, que servem umas 3 ou 4 pessoas, como o tutu à moda, que vem com costelinha de porco, banana à milanesa, farinha, ovos, lingüiça, vinagrete e farinha, ou o contrafilé acebolado com arroz, feijão, farinha e legumes na manteiga ou ainda uma bisteca, com esses mesmos acompanhamentos. A turma acompanha a onda com cervejas e caipirinhas, além de algumas doses de cachaça tirada do próprio barril.

Às quartas, sábados, domingos e feriados a estrela da casa é a feijoada. Ela começa a ser feita ainda de manhã para que a costelinha, a carne-seca e o paio possam ser aferventados três vezes antes de serem adicionados ao feijão temperado com alho, cebola, sal e bacon. É servida com arroz, lingüiça, couve, vinagrete e farinha e daria para 3 ou 4, não fosse tão boa e forçasse todos a testarem seus limites.

Depois disso, quem ainda consegue achar espaço para uma sobremesa, o bar/restaurante ainda dispõe daquelas sobremesas bem caseiras, com gosto de casa da avó da gente, como os deliciosos doces de abóbora com coco ou o figo em calda.

A sorte é que quando você consegue se levantar tem em volta uma cidade que convida ao passeio, à caminhada sem pressa, sem propósito, sem lembranças e sem nenhuma saudade da metrópole. Um vilarejo igualzinho ao da Marisa.
“Lá o tempo espera. Lá é primavera. Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas, pão. Flores enfeitando os caminhos, os vestidos, os destinos e essa canção. Tem um verdadeiro amor para quando você for”.


Bar do Marcelino – Rua Heitor Penteado, 1113, Joaquim Egídio, Campinas. Tel (19) 3298-6909. Segunda a Sexta das 11h às 15h e das 18h à 0h, Sábado das 11h à 0h e Domingo das 11 às 20h.