quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Chi Fu (Liberdade / São Paulo)



Entendeu? Então você está muito bem preparado para conhecer o Chi Fu. Mas mesmo que você não tenha entendido nada, não perca essa oportunidade. No fundo, pode ser até mais divertido.
No próximo final de semana, dias 29 e 30, será comemorado, no bairro da Liberdade, o Ano Novo Chinês. É o ano do Coelho que se aproxima e, segundo especialistas, costuma ser um ano calmo e propício a aventuras e projetos desafiadores.

Mas vamos ao que interessa: apreciando a festa ou não, indo neste final de semana ou em outra data qualquer, você precisa conhecer o Chi Fu, o restaurante chinês que fica quase em frente à praça da Liberdade e que também pode ser englobado em “aventuras e projetos desafiadores”
Fui parar lá por indicação do Lu e da Dé, que me descreveram o lugar como algo parecido com “Os Aventureiros do Bairro Proibido”, filme de John Carpenter em que os personagens principais vão parar em uma caricata Chinatown, enfrentando um mundo mágico e cheio de seres estranhos. É meio por aí.
O Chi Fu chama a atenção de todos por dois aspectos principais: a comida farta e deliciosa e a dificuldade de comunicação com os funcionários da casa.

Neste aspecto, dizem até que a coisa melhorou muito. Os que conheciam a casa há anos atrás contam que as garçonetes eram ranzinzas e desprovidas de qualquer boa vontade ou gentileza.
Isso mudou. As garçonetes (agora mais jovens e talvez, por isso, mais habituadas ao Brasil) tentam uma abordagem mais profissional e se esforçam para entender a língua.
O que não impede que a confusão seja constante. Como a maioria dos clientes ainda é de chineses, nem tudo no cardápio está em dois idiomas e as fotos, que ajudam um pouco, nem sempre são muito nítidas.
Também não dá para saber se o “gualaná” e o suco de “lalanja” foram anotados certo porque foram anotados em chinês!

Uma boa alternativa é ver o prato do vizinho e apontá-lo sem cerimônia para pedir um igual. E ver o prato do vizinho é fácil porque se a casa estiver cheia, provavelmente o vizinho estará na mesma mesa que você.  Ele e um monte de chineses, pois as mesas são todas imensas e devem ser divididas.
Se essa for a sua opção, é bom observar com cuidado, pois às vezes o próprio prato parece indecifrável e convém levar em conta o fato de que, em muitos lugares da China, qualquer coisa que ande, nade ou voe é comida.

Se você conseguiu superar todas essas etapas, seja bem-vindo ao reino dos céus, onde irá encontrar a outra característica a que me referi a alguns parágrafos acima: a comida.
O Chi Fu é um restaurante chinês autêntico, que engloba as características culinárias de diversas regiões da China, e não apenas os triviais que nos habituamos a ver nas franquias globalizadas que existem por aí.
O cardápio tem mais de 200 itens, com inúmeros pratos com camarão, ostra, porco, frango, siris, patos e por aí vai. Tudo nas mais diversas formas de preparo e múltiplos molhos e temperos diferentes. Note ainda que nem todos eles são bem explicados e muitos contém o mesmo ingrediente grafado de formas diferentes no cardápio. Nem tente entender por quê.

Mas se você gosta de experimentar pratos novos e deliciosos, este é o lugar certo. Coma sem susto. As porções são paquidérmicas e praticamente tudo é bom e barato.
Uma boa idéia é ir em turma. Em seis pessoas, dá para comer fartamente uns quatro pratos diferentes e aproveitar a curiosa sensação de sair do país sem sair da cidade.
Os pratos enormes, o cardápio em chinês, a garçonete que não te entende e as comidas que você nunca viu na vida reforçarão essa impressão. Não sei se você se sentirá na China, em Chinatown ou no Bairro Proibido. Mas certamente não se sentirá aqui.


Chi Fu - Praça Carlos Gomes, 200, Liberdade, São Paulo.
Tel: 3112-1698. Funcionamento: Segunda a Domingo das 11h às 16h e das 18h às 22h.




O poema que abre esta matéria e que qualquer chinês de dez anos de idade entende, é um poema da sacerdotisa taoísta Li Ye, escrito no século VIII d.c, durante a dinastia Tang. Sua tradução é a seguinte:

ADEUS EM UMA NOITE DE LUA
Separar em silêncio, e a lua resplende
sem rumor nem fala. O sentimento
irradia o adeus que falta, e à lua
cintilam nuvens, águas e cidades




Em tempo: Se, com tudo isso, você ainda quiser conhecer um pouco mais da cultura chinesa, aproveite a exposição Comunidade de Gostos: Arte Contemporânea Chinesa desde 2000, que inaugurou hoje e fica no MAC-USP até março, com pinturas, fotografias, instalações e vídeos da China do século 21.

2 comentários:

  1. EXCELENTE SUGESTÃO. NA BARÃO DE IGUAPE, ONDE ACHO QUE ELES ESTAVAM ANTERIORMENTE, HA TAMBÉM O KIN LIN. PEÇAM O CHOPSUEY COM O MACARRÃO BEM FRITINHO. É DELICIOSO. COZINHA CHINESA CORRETA, COM TOQUE DE FAMILIA E COM GOSTO VERDADEIRO DE CHINA.

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  2. Boa dica. Não conheço, mas tentarei conhecer. Abs.

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