domingo, 16 de janeiro de 2011

Bar do Museu (República – São Paulo)



"É uma necessidade conversar com os poetas. E se os poetas morrerem, provocarei os mortos, as flores do mal que estão na minha estante”. (Pagu)

É hora de respirar, comer e beber arte no Lugarzinho. E de conhecer um dos pequenos tesouros escondidos na cidade de São Paulo: o Bar do Museu, sede da Associação de Amigos do Museu de Arte Moderna (AAMAM), que fica em um dos lugares mais movimentados da cidade e mesmo assim, creio eu, mais de 90% da população nunca ouviu falar.
A história começa nos anos 40, quando o empresário e mecenas das artes Ciccillo Matarazzo instalou, no prédio dos Diários Associados, na rua 7 de abril, o que viria a ser a primeira sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Criou-se também, ali, uma associação de amigos do museu, que contava com empreendedores como Iolanda Penteado e Assis Chateaubriand e criadores como Tarsila do Amaral, Vitor Brecheret, Oscar Niemayer e Alfredo Volpi.
E como o espaço era utilizado para reuniões e debates entre os membros do “clubinho”, o que melhor do que criar um bar ali dentro?

Cabe lembrar que quando o Bar do Museu foi aberto, o centro era o lugar onde tudo acontecia. Quase todos os associados moravam na área ou mantinham seus negócios estabelecidos pela região. E com isso, mesmo depois da instalação do MAM no Parque do Ibirapuera, em 1958, o Bar do Museu continuou sendo o ponto de encontro de seus freqüentadores.
A nova sede foi adquirida em 1978, na sobreloja do edifício Conde Sílvio Penteado, onde funciona até hoje, tendo acesso pelas avenidas Ipiranga e São Luiz.
Antes de entrar no prédio, vale a pena parar, olhar em volta, olhar para cima e notar onde você se encontra. Em um único ângulo, você percebe que está próximo aos prédios neoclássicos da avenida São Luiz, atrás do Edifício Itália e ao lado do Copan – todos famosos representantes da história, da arquitetura e da paisagem da cidade.

Depois entre. E entre no clima totalmente noir do lugar, como se entrasse em um filme francês dos anos 50 ou 60. O bar é repleto de poltronas, sofás, mesas de bar e outras muito diferentes, com tapetes e carpetes, como se fosse uma residência finamente decorada no estilo da época.
E então você se depara com o que deve ser a atração principal do lugar: os quadros. As paredes do bar são completamente preenchidas com quadros, fotos e gravuras originais dos maiores nomes da arte moderna brasileira.
Estão lá Volpi, Aldemir Martins, Clóvis Graciano, Maria Leontina, Heitor dos Prazeres e muitos outros. E alguns com dedicatória e tudo. Exposto em um dos cantos da casa, vê-se também o violão autografado de Silvio Caldas, antigo freqüentador.

O Bar do Museu é diferente dos bares comuns. Ali, além de beber e conversar, como em qualquer outro da cidade, as pessoas também vão se encontrar com artistas e amantes das artes nas mesmas mesas por onde passaram personalidades como o pintor Di Cavalcanti, a escritora Ligia Fagundes Telles e políticos como Ulysses Guimarães e Jânio Quadros.
É necessário destacar a figura de Clarice Berto, atual presidente da associação. Amante das artes, amiga de diversos artistas, é ela quem batalha para manter vivo o espírito do lugar e trazer para o hoje o espírito boêmio e combativo que o bar tinha em seus primórdios, realizando uma série de exposições, noites de autógrafos, comemorações e homenagens a personalidades da cidade.
Na luta para que novos freqüentadores não deixem morrer a sua essência, ela luta ainda com as dificuldades dos horários impostos pelo prédio comercial onde fica o bar, e que impede sua abertura na madrugada ou nos finais de semana.

Apesar da boa variedade e preços das bebidas, o bar oferece poucas opções de petiscos, limitando-se a alguns tipos de frios e amendoins. 
Mas isso não é nem nunca foi problema. A intenção de todos ali é que as boas e saudáveis conversas sejam acompanhadas de ótimos drinks e do nostálgico e cultural ar que emana do Bar do Museu. Afinal, a gente não quer só comida. A gente quer bebida, diversão e arte!



Bar do Museu - Avenida Ipiranga, 318/324,bloco C, sobreloja (acesso também pela Avenida São Luis, 140), Centro, São Paulo. Tel. 3259-0157.
Funcionamento: Segunda a Sexta das 18h à 0h.
Obs: só é permitido entrar no prédio até as 21h.

5 comentários:

  1. Muito bom Pe.
    O lugar é isso mesmo e você captou a essência, parabéns!

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  2. Nossa, esse me deixou curioso. Pena esse horário, mas vou dar um jeito de ir conhecer.
    Alê.

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  3. oi Pedro. Bárbaro! VC conseguiu passar a magia que senti ao conhecer aquele ambiente. Aposto que deve ter sido a Clarice que lhe falou mim. Ela é uma criatura ímpar, bom papo e divertida. Eu tive o prazer de conhecer algumas figuras históricas por lá e beber de uma época especial para as artes de São Paulo. De vez em quando ainda apareço, mas é sempre bom lembrar desse canto cultural e sempre comento com amigos. Vou por o texto que fiz no meu blog, assim podemos manter viva a memória do Bar do Museu.

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  4. Valeu Bel, Alê e Yara. Qualquer dia nos encontramos por lá.

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  5. Cara, eu já fui neste bar, porque sou exatamente isso aí que vc descreve! Uma paulistana que devora e desbrava a cidade onde vive! Estou pensando inclusive em comemorar meu aniversário lá! Que tal?? Abraços : )

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