terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Velho Rabo (Pompéia – São Paulo)



Fui atraído pelo nome – ou pela troca dele. Passei ali em frente durante anos e os dois bares da esquina da Caraíbas com a Desembargador do Vale me chamavam a atenção, mas nunca parei. Até que o “Rabo de Galo” deixou de existir e surgiu, em seu lugar, o “Velho Rabo”.
Resolvi conhecer. Da calçada eu ouvi – “Sai um rabo!” – e logo depois – “Sai um rabo escuro!”
Você entraria? Eu entrei. Entrei e mal sentei o rabo na cadeira já chegou um rabo, isto é, um chopp claro, trazido e devidamente esclarecido pelo Giba, o garçom que não apenas coleciona pins o bottons, como ostenta alegoricamente boa parte da coleção sobre o uniforme.

Aí descobri que alguns malucos registraram o nome lá no Ceará e a casa vinha tendo problemas com isso. Então, para mudar sem mudar muito, virou Velho Rabo.
Descobri também que os dois bares da esquina – este e o Botequim – são dos mesmos donos, o Daniel Mantovani, seu pai Ercílio e seu irmão Maurício, que são donos também do Boteco São Paulo, na avenida Pompéia, a menos de um quilômetro dali.
E descobri, ainda, que o cardápio é espetacular e presta homenagem (oportuna, mas creditada) a diversos bares da cidade. Assim, você pode pedir ali a “Alheira do Bar do Elídio”, o “Escondidinho do Lapinha”, as “Lascas de pernil do Bar do Justo”, os “Canapés do Bar Léo” ou o “Sanduba de mortadela do Bar do Mané”.

Há também criativas adaptações elaboradas pela casa, como o “Escondidão do Rabo” (no bom sentido), um enorme escondidinho que, além dos habituais carne seca, queijo e purê de mandioca, leva abóbora; o “Estadinho do Rabo” (tudo bem...), uma adaptação do lanche de pernil do Estadão servido como petisco; o “Rabo Quente”(!!!...), uns belos bolinhos de carne apimentados e o Caldinho (esse não leva o sufixo “do rabo”, graças a Deus), que é servido acompanhado de um “gorózinho”.
Uma sacada interessante do bar é servir a picanha ainda crua (opção) para cada um deixar no rechaud o tempo que achar melhor – o que é uma crueldade com as mesas vizinhas, atingidas pelo provocador aroma da carne. E a porção é pra lá de generosa...

E não dá pra deixar de falar das rabudinhas. Ah... as rabudinhas!... Elas são um tipo de bruschetas caprichadíssimas, com diversas coberturas diferentes, todas muito tentadoras. Bruschetas, rabudinhas, enfim...
E se você quiser homenagear a casa, peça o mais tradicional dos coquetéis, formado pela simples mistura de pinga com vermute e aprenda: a palavra coquetel vem do inglês “cocktail”, que significa...rabo de galo.


Velho Rabo – Rua Caraíbas 605, Pompéia, São Paulo. 
Tel: 3801-4464
Funcionamento: Terça a Sexta das 17h à 1h, Sábado das 12h à 1h e Domingo das 12h às 22h.


A origem do “coktail”
Como tudo que começa na mesa de um boteco, ninguém registrou nada e cada um tem uma versão diferente diferente da história. Fui checar na wikipédia e piorou a coisa. As versões são as mais desencontradasmas, pelo menos, curiosas e engraçadas. Seguem algumas delas:  

1-   O escritor e bon vivant londrino Dr. Johnson. Ele teria comparado a "pecaminosa" mistura de vinhos com destilados fortes aos cavalos de sangue misturado, sem raça definida, que, no interior da Inglaterra, tinham a ponta do rabo cortada (em inglês, cocked tails).
2-   O termo vem das rinhas de galo que ocorriam na região do Mississipi, nos EUA, onde penas retiradas do galo vencedor eram usadas para mexer os drinques dos apostadores vencedores.
3-   O drink espetacular teria sido preparado e batizado por uma linda jovem mexicana chamada Coctel.
4-   Na época da lei seca era de costume dos americanos beber Vermute com Vodka. O famoso Rabo de Galo que no Brasil é elaborado com vermute e cachaça.
5-   Na guerra da independência americana, uma taberneira chamada Betsy Flanagan, viúva de um soldado revolucionário, teria roubado as penas do rabo de um galo do inimigo para decorar os drinques que servia em sua taberna.
Particularmente, acho esta última a mais plausível. E você?

4 comentários:

  1. Caro, Pedro,
    Já conhecíamos o Velho Rabo, porque frequentemente passamos na porta, mas nunca tivemos a oportunidade de entrar.
    A forma como você se referiu ao lugar nos despertou interesse. Vamos lá conhecer!
    Gostamos muito do seu blog e a forma como escreve. Parabéns!
    Eduardo e Helena

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  2. Pedro duca... seus comentarios sobre nosso boteco Velho Rabo. Quando voltar pra tomar no Rabo...um chopp é claro, procure por mim, terei satisfação em conhece-lo meu velho!"Show de bola", o que você escreveu e a maneira como colocou as coisas
    Abrax
    Daniel Mantovani

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  3. Valeu, Daniel. Qualquer hora apareço...Abs.

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