"Meio dos anos 50. Um clima meio cool, as notas sustenidas do piano de Dick Farney pairavam no ar e sublinhavam a cálida noite paulistana. Encravado num prédio da praça Dom José Gaspar, com um recuo providencial de 4 a 5 metros e uma extensão de uns 25, estava o Paribar, feito de encomenda para os boêmios que gostavam de ficar flanando ao ar livre, mas, ao mesmo tempo, protegidos da chuva, trovoadas e demais intempéries da trepidante Paulicéia”.
É assim que o saudoso Marcos Rey, assíduo freqüentador, descreveu parte do que significava o Paribar, ícone não de uma, mas de muitas gerações. O bar foi símbolo do que era o centro de São Paulo: o que havia de melhor e mais sofisticado no país.
O Paribar foi inaugurado em 1949 e sempre pareceu um bar saído dos filmes daquela época, daqueles em que o personagem chega de terno, senta-se ao balcão e pede um whisky. Sua acompanhante, que ainda não sabe disso, mas irá conhecê-lo no próprio bar, usa chapéu e toma um drinque clássico qualquer, normalmente um Dry Martini.
Criado pela família Ducco, o Paribar cresceu nas mãos do Sr. Franco Zanuzo. Ele manteve o ambiente, que sempre foi sóbrio, discreto, com alguns quadros e as colunas ovaladas que ajudam na sustentação do prédio. Porém, decidiu colocar as famosas mesas nas calçadas e o toldo verde em homenagem ao seu Palmeiras, além de promover uma espécie de happy hour na casa e caprichar na oferta de whisky escocês.
Foi a senha para que a casa se transformasse no principal ponto de encontro dos profissionais bem sucedidos da cidade. A proximidade dos grandes jornais, da biblioteca Mário de Andrade e das maiores agências de publicidade do país fizeram do “Pastifício Ristorante e Bar” uma vitrine dos mais representativos jornalistas e publicitários, profissionais que Eram ou que já tinham Sido, todos papeadores com vinte mil horas de bar e boteco, gente à procura de sensações, amigos e oportunidades.
A fama do bar cresceu tanto e são tantas as loucuras reais que aconteceram ali, que fica difícil definir o que é fato e o que é pura lenda, dado o número de testemunhas que juram ter presenciado cada uma dessas histórias. Verdadeiras ou não, e como “mentiras sinceras me interessam”, prefiro acreditar.
É o caso da visita dos Rolling Stones ao Brasil nos anos 70, quando, conta-se, Mick Jagger e Keith Richards passaram alegres tardes regadas à whisky nas mesas do Paribar. E é o caso ainda mais incrível das visitas de Che Guevara ao local por duas vezes: uma oficial, em 1961, ao receber a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul das mãos do presidente Jânio Quadros, outra, clandestinamente, em novembro de 1966, quando já se tornara um ícone e a menos de um ano de sua morte. Como a passagem dele por São Paulo parece ser comprovada e como o bar fazia-se um reduto da esquerda, o fato parece bastante plausível.
Esta incrível parte da história se encerra em 1983, quando, com a decadência do centro da cidade e o conseqüente afastamento de sua ilustre clientela, o Paribar fechou suas portas.
Parte 2: O Bazar de Discos
É exatamente neste local, patrimônio da memória afetiva, etílica e cultural paulistana, que será realizado, no próximo domingo (19/6), um dos maiores bazares de discos que já se viu pelas bandas de cá.
A iniciativa é do DJ e promoter Márcio Custódio, recém-repatriado de Londres e que, ao lado do irmão Gilberto, toca a Locomotiva Discos na galeria Nova Barão, local que vem se tornando o novo destino dos garimpeiros musicais da cidade e de onde sairá grande parte dos participantes do bazar.
O objetivo do evento, feito em parceria com o bar, é trazer a São Paulo um grande e oficial encontro para venda e trocas de discos em vinil, como muitos que acontecem mundo afora e mesmo no Rio de Janeiro.
Haverá pelo menos 30 expositores especializados, como na interminável lista que segue: Locomotiva (indie), Plastilina Records (indie), Big Papa (jazz, progressivo, folk, latin), Sailor´s Market (ska), The Records (punk e hardcore), Leprechaun (rock, mpb, indie, soul), Sensorial (indie, rock, pop), Sweet Jane (jazz, rock, progressivo, psicodélico), Zoyd (gothic rock, mpb e black music), Tuca Discos (metal, classic rock, black music, anos 60 e 70), Combat Rock (anos 80, punk, rockabilly), Andre Vinyl Style (rock, jazz, blues, MPB), Fera (metal, punk, hardcore), Sidnei (mpb, rock classico, rock nacional, jazz), Luiz Fernando (hard rock, rock anos 60 e 70, jazz, mpb), Museu do Vinil (rock nacional, hard rock, jazz, mpb), Engenharia do Vinil (metal, rock anos 70), Relics Discos (rock), Tuaregs Discos (punk, metal, rock anos 80, new wave), Alexandre (rock 50s 60s 70s, jazz, mpb, velha guarda, bossa nova), Cido (classic rock), Miguel (rock nacional anos 70 e 80) e ainda Ernando Discos, Vila Vinil, Acácio, Dorival, Fernando e Léo (todos com discos variados), além do Vagner com suas camisetas de rock e a Flanarte, com livros sobre música.
Todos eles e mais alguns participantes de última hora farão da praça Dom José Gaspar uma grande festa com bons negócios, ótimas conversas e, claro, muita música. Uma oportunidade única para você ampliar seu repertório e aproveitar para fazer um programa ímpar: conhecer – ou re-conhecer – o Paribar.
Bazar de Discos – Domingo, dia 19.06.2011, das 10h às 18h no Paribar.
Parte 3: O novo Paribar
Foi quase ao acaso que o chef e empresário Luiz Campiglia devolveu à boemia da cidade o lugar que lhe é de direito. Quando ele que assumiu o espaço há 5 anos, foi para montar o restaurante Santa Fé. Mas uma série de detalhes, como o apelo dos clientes e a recente revitalização do centro, o levaram a remodelar a casa e a reinaugurar, em 2010, o Paribar.
Sem a intenção de ressuscitá-lo, mas sim de homenageá-lo, Campiglia recuperou elementos de distintas fases do bar. O balcão iluminado, com suas banquetas de madeira com braços e todo o seu projeto de iluminação seguem os moldes da sua origem, nos anos 40. A fachada original, de mármore italiano, também foi totalmente recuperada. Um toldo verde e branco, semelhante ao original, foi instalado. E as charmosas cadeiras de vime voltaram a ocupar sua famosa varanda.
Para manter-se clássico e, ao mesmo tempo, promover uma renovação, a casa trouxe o experiente barman Kascão Oliveira (ex-Dry e Shaker Club), craque em clássicos como o Negroni, o Alexander e o Dry Martini, mas também em novas criações como o Kasato Maru (saquê, xarope de chá verde, suco de limão e raiz-forte) ou o Hennessy City SP (conhaque, suco de cramberry, xarope de romã e suco de limão), além de uma ótima seleção de caipirinhas.
Para acompanhar tudo isso, petiscos inspirados nos Mercadão – um dos símbolos da revitalização do centro – como o Viagra (misto de amendoins) e os Frios do Mercado Municipal (picanha defumada, pastrami, lombo condimentado e presunto tipo alemão). Há também pratos diversos, mas quem liga? É difícil pensar no jantar em um lugar assim.
Com tudo isso, um novo público, formado principalmente por profissionais entre os 30 e 50 anos, passou a freqüentar a casa, mas os velhos clientes também voltaram para reavivar as recordações.
Todos eles, novos e antigos, sabem que os clássicos são para sempre. Eles apreciam bares antigos, bons coquetéis e o velho centro, que está cada dia mais parecido com o que já foi um dia, cheio de charme e de classe.
Agora é só ir até lá, escolher sua mesa, sentar e ver o povo passar. Assistir calmamente àquilo que o Marcos Rey um dia chamou de “o espetáculo da cidade”.
Paribar – Praça Dom José Gaspar 42 – Centro / São Paulo. Tel: 3237-0771. Horário: Segunda a Sexta das 11h30 à 0h, Sábado das 11h30 às 20h. Excepcionalmente, abrirá neste domingo para o Bazar de Discos.




Das baladas de Sampa (bares) é uma das poucas em que se pode fumar com o mínimo conforto porque tem aquela calçada enorme da praça que o Kassab ainda não tomou posse como se fosse o quintal chato dele, somos super bem-tratados embora não tenha que pagar um centavo para simplesmente ENTRAR e ainda por cima ouvimos boa música regada a ótimas bebidas, comidas gostosas e um atendimento VIP. Pra quem gosta de bar bacana, em um lugar normal, cercado de realidade, mas aconchegante como o velho boteco, é na certa a boa pedida!!!
ResponderExcluirParabéns pelo evento do fim de semana!!
Me desculpem mas discordo deste comentario sobre fumar e incomodar as demais mesas ao redor...
ExcluirConsiderei este mesmo Jardim cool e fantastico para ouvir um bom Jazz e degustar meu Martini, Até que chegou um fumante na mesa ao lado e adeus clima de local civilizado.
Como as coisas erradas e desrespeitos não vem isolados, no minuto seguinte uma bar próximo nesta calçada começou a aumentar o som, com um Pagodinho infernal...
E viva a liberade de poluir o ar com cigarros e pagodes, parabéns vocês sairam ganhando neste dia !
Olá,
ResponderExcluirTudo bem?
Sou a Vânia do Blog "Cia dos Botecos", passei por aqui e gostei muito do blog...
Gostaria de falar com vocês, a respeito de um evento que estou organizando.
Poderiam entrar em contato com a gente?
No aguardo,
Vânia
vaniamariagarcia@hotmail.com
verdelone@gmail.com
CIA DOS BOTECOS - www.ciadosbotecos.blogspot.com
Valeu, Vânia. Obrigado pelas dicas. Abs.
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