domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dona Felicidade (Cunha / SP)



Nem sempre o nome de um lugar serve como referência para aquilo que procuramos.  Em Cunha você encontra caipirinha no Celeiro, cachoeira no Pimenta, cerâmica no Jardineiro e macarrão no Caminho do Ouro. Felicidade, entretanto, é o que você mais encontrará no final da estrada de terra que leva à pousada e restaurante Dona Felicidade.
Os motivos são muitos. O Dona Felicidade nasceu do sonho do casal Almiro Pontes e Maria de Lourdes Lopes Reis – que meia-hora depois de você conhecer serão, para sempre, o Miro e a Lu – que conseguiram trocar, após uma batalha de anos a fio, a insanidade de São Paulo pela tranqüilidade de Cunha.
E este é o primeiro motivo para você ir até lá: Cunha, que por si só, já é um lugarzinho com todos os ingredientes que um bom lugarzinho precisa ter: cultura (são dezenas de ateliers de cerâmica), ecoturismo (já perdi a conta das cachoeiras, parques e mirantes), gastronomia (da boa, com muitas alternativas) e muito sossego e receptividade por todo lado.

Outra razão é o lugar. A pousada/restaurante fica entre as montanhas bem perto da junção das Serras do Mar, da Bocaina e do Quebra-Cangalha, tendo apenas 4 grandes chalés, 3 suítes, as casas dos proprietários, o restaurante, um campinho, a horta e uma infinidade de jardins repletos de flores e frutas.
Como nunca fui hóspede da pousada, pularei esta etapa, embora conheça alguns “freqüentadores” como o Lanes, a Rafaela, o Sílvio e outros que, aparentemente, desistiram do resto do mundo, pois vão para lá em todas as oportunidades que têm. E vamos ao restaurante.
Pois bem, aqui começa o drama. Abro espaço para um aviso importante para não ser posteriormente acusado de nada: se você estiver de regime, não passe nem perto de lá. Se possível, pare a leitura aqui e vá para uma academia. Corra bastante e depois me conte como foi. Mas se você gosta realmente dos prazeres de uma boa mesa, vamos lá.

O restaurante é um galpão bem rústico e bonito, com grandes mesas e um belíssimo deck. Tudo em madeira. A especialidade da casa é a cozinha mineira, bem caipira, do tipo leitão à pururuca com tutu de feijão, couve, torresmo e farofa. As opções são muitas, que vão da rabada com polenta mole até a truta com shitake, passando por galinhadas, moquecas, coelhos e churrascos.
O problema é que o Miro é daqueles caras que nasceu com o dom e a paixão para cozinhar, e tudo que faz, até o mais simples acompanhamento, é maravilhoso. Você já ouviu alguém dizer “nunca comi um arroz tão bom?” Pois eu já. E “é a melhor couve que já comi”? Pois é. Imagine então o feijão, as carnes, os molhos...
Só para dar um exemplo, a farofa, que para nós, leigos, parece a coisa mais simples do mundo, é preparada com três tipos de farinha diferentes, bacon, lingüiça e sabe-se lá mais o quê. E tudo é farto, criado ali ou colhido no pé.

Enquanto o Miro cuida da cozinha, a Lu atende os visitantes. E se ele nasceu com o dom para cozinhar, ela nasceu com a simpatia transbordando por todos os poros. Das seis da manhã até a hora que precisar, ela fica correndo pra lá e pra cá, recebendo todos com um grande sorriso e um abraço, servindo as mesas, contando todas as novidades da cidade, indicando lugares legais (mesmo que concorrentes), preparando uma caipirinha de limão-cravo, contando dez mil piadas, oferecendo um doce de leite e, se tiver música, cantando e dançando. E nem pense em ir embora, porque ela não deixa.
Se você for com crianças, tem mais: Murilo, o principezinho da casa, do alto de seus 7 anos de idade, santista roxo, fã de Neymar e Robinho, bom de papo e de garfo, vive “pescando” os clientes do restaurante para ir jogar bola, conhecer os cavalos, passear pelas trilhas da pousada ou simplesmente ficar conversando em turma, nas redes do quiosque.

Daí, como sempre, você se dá conta que chegou lá de tarde e já é noite faz tempo e a coisa continua animada. E quando você pensa que acabou, o papo recomeça. As ajudantes vão embora, alguns hóspedes se recolhem e os que sobram vão se juntando aos poucos em uma única grande mesa, junto com o Miro e a Lu, para uma última cerveja, um café, um docinho, uma Juveva e mais uma história e outra piada.
E só quando todo mundo já está caindo de sono você consegue ir embora, triste, contando as horas para voltar.

Dona Felicidade – Estrada da Catióca km 1 – Cunha/SP – Tel (12) 3111.1878.



Na parede do restaurante, um grande banner traz o seguinte texto:


Meu nome é Dona Felicidade.
Faço parte da vida daqueles que tem amigos, pois ter amigos é ser Feliz.
Faço parte da vida daqueles que vivem cercados por pessoas como você, pois viver assim é ser Feliz!
Faço parte da vida daqueles que acreditam que ontem é passado, amanhã é futuro e hoje é uma dádiva, pois isso é chamado presente.
Faço parte da vida daqueles que acreditam na força do Amor, que acreditam que para uma história bonita não há ponto final.
Eu sou casada, sabiam?
Sou casada com o Tempo.
Ah…O tempo é lindo!
Ele resolve todos os problemas.
Ele reconstrói corações, ele cura machucados. ele vence a Tristeza…
Juntos, eu e o Tempo tivemos três filhos:
A Amizade, a Sabedoria e o Amor.
A Amizade é a filha mais velha.
Uma menina linda, sincera, alegre.
A Amizade brilha como o sol…
A Amizade une pessoas, pretende nunca ferir, sempre consolar.
A do meio é a Sabedoria…culta, íntegra, sempre foi mais apegada ao Pai, o Tempo.
A Sabedoria e o Tempo andam sempre juntos!
O caçula é o Amor.
Ah! como esse me dá trabalho!
É teimoso, às vezes só quer morar em um lugar…
Eu vivo dizendo: Amor, você foi feito para morar em dois corações, não em apenas um…
O Amor é complexo, mas é lindo, muito lindo!
Quando ele começa a fazer estragos eu chamo logo o pai dele, o Tempo…e aí o Tempo sai fechando todas as feridas que o Amor abriu!
Uma pessoa muito importante me ensinou uma coisa…
Tudo no final sempre dá certo, se ainda não deu, é porque não chegou o final.
Por isso, acredite sempre na minha família!
Acredite no Tempo, na Amizade, na Sabedoria e principalmente no Amor…
Aí, com certeza um dia, eu, a Felicidade, baterei à sua porta!
Tenha Tempo para os Sonhos…
Eles conduzem sua carruagem para as Estrelas!

A Lu, de final, nos deixa ainda a seguinte receita:

Receita cazêra minêra de môi de repôi no ái e oi:

Ingredienti:

*5 denti di ái
*3 cuié di ói
*1 cabeça de repôi
*1 cuié di mastomati
* sá a gosto

Módifazê:

*casca o ái, pica o ái i soca o ái cum sá
*quenta o ói na cassarola
*foga o ái socado no ói quênti
*pica o repôi beeeeemmmm finin
*foga o repôi no ói quênti junto com o ái fogado
*poim a mastomati i mexi cum a cuié pra faze o môi

**Sirva com rôis e meléti

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