Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita. Porém é você quem vive prometendo aparecer por aqui e nunca aparece. Mas como agora temos computador, mando notícias nesse blog...
O Peixe segue dando show de futebol e por aqui tem muito samba, muito choro e muita MPB. Mas o que eu quero é lhe dizer que essa sonzêra toda acontece em um barzinho muito especial que fica numa daquelas ruazinhas atrás do Cemitério São Paulo, que você precisa conhecer e que, não por acaso, se chama Roda Viva.
O Roda Viva é uma invenção da Tatyana Gomes, publicitária que é simplesmente apaixonada por Chico Buarque. Ela transformou um simpático sobradinho em uma ode ao seu ídolo, com inumeras capas de LPs enfeitando as paredes. Tem obras também de Caetano, Tom e bons discos de Noel, mas uns noventa por cento é de imagens do Sr. Francisco.
Entretanto, como a Tatyana vive em Salvador, quem segura a barra por aqui é o simpático Gugu, gerente da casa, que se vira para garantir o abastecimento, a limpeza, a qualidade musical, o trabalho dos garçons e mesmo com todo esquema e todo problema vai levando a chama para que o bar não perca suas carecterísticas tão acolhedoras.
A primeira coisa bacana é que o lugar não tem absolutamente nada de sofisticado ou arrumadinho, como as reformas tornaram mania na outrora tão desencanada região. Pelo contrário, é pequeno, pouco iluminado, com assoalho antigo e cadeiras e mesas bem simples em madeira, o que deixa a sensação de não estarmos exatamente em um bar, mas numa casa de amigos.
E como nunca foi reformado, o público tem que se dividir nas mesas em duas salas distintas ligadas por um largo corredor. Isso até o som começar a rolar, porque aí todo o público se desloca e entope a sala onde fica o minúsculo palco.
Meu caro amigo eu não pretendo provocar nem atiçar suas saudades. Mas acontece que este bar me lembra muito outros dois que nunca sairão de nossas memórias: o Vou Vivendo – pela qualidade musical – e o Torto, em Santos – também pelo som e pelo clima de festa imodesta como aquelas, que aos poucos vai tomando conta do ambiente.
A Rita, a Rosa, a Angélica, a Bárbara, a Beatriz, a Lia, a Terezinha, a Yolanda e até a Geni estão todas lá, muitas delas como nomes de porções simples, como as de pasteizinhos (Iracema), as de bolinhos de carne seca (Joana Francesa) e outras, no enxuto pero competente cardápio da casa.
Mas também estão lá a Ana de Amsterdam e as mulheres de Atenas, a moça do sonho e a dançarina, a morena de Angola e a dos olhos d’água. Elas são a metade de um público jovem, bonito, culto e descolado, naturalmente selecionado pela excelente programação musical, que atrai exatamente meninos e meninas assim, que se interessam pouco pela aparência do ambiente e muito pelo som que rola dentro dele.
A programação inclui o Roberto Biela (pois é, ele mesmo, do Torto) às terças, o Renato Belschansky às quartas, o próprio Renato com o Sílvio às sextas, o Biela com o Douglas ou com o Edinho aos sábados e o Ailton Prado aos domingos. Muitos deles eu (ainda) não conheço, mas pelo repertório dá para ter uma ótima impressão, pois, como sabemos, mesmo que os cantores sejam falsos (e não são), serão bonitas, não importa, são bonitas as canções.
Todos esses dias tem MPB clássica, das antigas e boas, sem abrir excessões, e às quintas – ah... as quintas... – é noite só de Chico Buarque, com o Rogério Silva e o Biela. Os dois fazem um som daqueles de cantar junto, de levantar e sair dançando com a ofegante epidemia que toma conta da casa. Eu só tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca.
No meio disso tudo, se você quiser se sentar é preciso fazer reserva e chegar cedo, pois realmente lota sempre. E depois que enche é pirueta para chamar o Zé Almeida, o Gilson ou a Meire, que se viram bem a abastecem o público de cerveja em garrafa, que a gente vai tomando de teimoso, de pirraça e para molhar a garganta porque a cantoria fica cada vez mais animada.
Pois é, amigo. Me perdoa se eu insisto à toa, mas a vida é boa para quem cantar e, como eu já disse, você, que quase nem gosta do Chico, precisa conhecer esse lugar(zinho). Então, vê se não dorme no ponto, reúne as economias e as traga em dinheiro ou cheque, pois eles não trabalham com cartões de espécie alguma – o que também ninguém se importa, porque, além de tudo, não é caro.
E enfim, é isso. A Bel e o Ric mandam um beijo para os seus. Um beijo também da Gabi, da Cecília e das crianças. Os velhos amigos aproveitam pra também mandar lembranças. A todo o pessoal, adeus!
Roda Viva Bar – Rua Padre Gonçalves, 162 – Vila Madalena / São Paulo. Tel: 3815-2290. Horários: Terça, Quarta e Domingo das 21h à 0h, Quinta, Sexta e Sábado das 22h30 às 2h30.
E para mergulhar um pouquinho mais no universo do bar, um pouquinho de Roda Viva, apresentado no Festival da Canção de 1967:





Conheço a casa faz pouco tempo ,mas adorei,o ambiente é alegre e as músicas são para quem gosta de época dos poetas como Chico Buarque,Caetano entre outros.Enfim aconselho a irem conhecer, pois vale a pena e os músicos são ótimos.E particular Renato e Silvio .
ResponderExcluirSei que sou suspeita em falar do lugar, mas o que posso dizer senão que é tudo de bom?
ResponderExcluirAi, ai... esse eu queria conhecer. Quem sabe um dia, né? Kisses. ***Céu***
ResponderExcluirEstou alucinada para conhecer esse lugarzinho! Penso que em breve irei curtir as músicas do Chico!
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