Um clima de caberet toma os ares da Praça. Atores, dramaturgos, intelectuais, estudantes e artistas de todos os tipos tomam cerveja, celebram a vida e causam uma agitação incomum na casa com as luzes coloridas. Chama a atenção de quem passa a quantidade de gente bonita, descolada e provocante – em todos os sentidos.
Trata-se do Rose Velt, bar criado há pouco mais de um ano pelos sócios Miguel Uchoa, Fábio Delduque, Sérgio Campanelli, Carlos de Oliveira, Rodolfo Vazquez e Ivam Cabral em parceria com “eles” – Os Satyros – grupo teatral diretamente responsável pelo renascimento da Praça Roosevelt e pelo ar de luxúria que domina o ambiente.
Com sua intensa programação de peças alternativas que, além dos Satyros, inclui uma penca de outros grupos, a Roosevelt se tornou o quartel general do teatro alternativo em São Paulo. Seu ar vanguardista não só envolve as salas de espetáculo, como gerou um ambiente freqüentado por gente que não está ali só para paquerar, discutir e tomar cerveja, mas sim para trocar idéias com uma turma que pensa e interfere de verdade na cidade.
Esse entorno é formado por mesinhas dos cafés dos próprios teatros, livrarias, o Papo, Pinga e Petisco (bar vizinho) e o Rose Velt, abrasileirado trocadilho com o nome da praça.
O bar é lindo. Méritos do artista plástico Fábio Delduque, um dos sócios, que sabe como poucos utilizar o estilo “luxo do lixo”, transpondo o ambiente da rua para dentro do bar, formando uma galeria urbana totalmente estranha e interessante, trash e chique.
As paredes do bar reproduzem um chão, com meio-fio, faixa de pedestres, ladrilhos hidráulicos das ruas de São Paulo, paralelepípedos, tampas de bueiros e restos de calçada da própria praça, formando uma verdadeira arqueologia metropolitana retratando o antigo, o presente e o novo, que virá com a revitalização da praça.
O pé-direito de 4,5 metros de altura cobertos de espumas de estúdio e placas de metal soma na decoração, mas contribui principalmente para a acústica da casa, já que tudo isso acontece sob um prédio residencial.
No meio de tudo, mesas vintage misturadas com outras de alumínio, cadeiras de fibra e de madeira, além de dois sofás – um preto revestido de veludo com estampas de pele de zebra e outro feito sobre um pneu de trator com almofada impressa com a calçada da cidade – disputadíssimos pelos casais e/ou turmas.
Tem ainda, claro, um palco com cortinas de veludo vermelho, estrategicamente posicionado para ser visto de qualquer canto do bar, onde rolam recitais de poesia, saraus à moda antiga e alguns pocket shows de gente bem conhecida na roda.
E tem, por fim, a iluminação, que reforça o clima dramático da casa com eletrocalhas, refletores de teatro, luminárias de bola e outras presas ao forro de veludo nas cores vinho, rosa e verde.
Tudo isso somado pode parecer uma gigantesca ode à cafonice, mas acredite, não é. Tudo é colocado com critério único e um inacreditável bom gosto, deixando o bar, realmente, muito estiloso, moderno e bonito.
Na parte gastronômica e botequeira, embora se autoproclame restaurante, a casa tem uma nítida pegada de bar. O pequeno cardápio oferece interessantes opções de comida italiana (!!!) como tagliatelli ao pesto ou lasagna romagnola, além de alguns petiscos simples e gostosos, como amendoins, castanhas, amêndoas, avelãs etc, mais comumente atacados pelo público que vai crescendo e esvaziando os baldes/geladeiras, onde ficam as cervejas, enquanto na sala de espetáculo ao lado os anfitriões concluem sua “Trilogia Libertina”, inspirada no Marquês de Sade.
A música convida: “Venha provar o vinho. Venha escutar a banda. Venha tocar sua corneta. Comece a celebrar. Venha por esse caminho. Sua mesa está à espera...”
Nesse mix maluco que homenageia a comida italiana e a bebida brasileira, não há batidas com vodka, nem drinques clássicos. Em compensação, há mais de cem tipos de cachaças, que são celebradas por todos e usadas, inclusive, nas caipirinhas.
Lá fora a lua vai ficando cada vez mais alta e a madrugada cada vez mais fria. No salão do Rose Velt, é hora de alguém subir ao palco. O ambiente está cada vez mais animado e quente.
“O quanto é bom ficar sentado sozinho em seu quarto? Venha ouvir a música tocar. A vida é um cabaret, velho amigo. Venha ao caberet.”
Rose Velt – Praça Franklin Roosevelt, 124 – Consolação. Tel: 3129-5498. Horário: Terça a quinta das 20h às 0h30, Sexta e Sábado das 20h às 2h30 e Domingo das 19h às 23h30.
Para sentir o clima do bar, segue um vídeo da cantora Lia Cordoni, gravado em um dos clássicos saraus do Rose Velt:








Nenhum comentário:
Postar um comentário