Sempre nutri uma imensa simpatia pelos irlandeses. Um povo cuja população é metade da de São Paulo, que vive numa ilha linda gelada e chuvosa e que adora curtir a vida cantando, tocando, dançando, tomando cerveja e provocando os ingleses merece respeito.
E Mais. O país de nomes como James Joyce, Bram Stocker, Cranberries, Daniel Day Lewis, Bernard Shaw, Samuel Beckett, Bob Geldof, Oscar Wilde e, claro, o U2, merece quase uma devoção.
É claro que essa simpatia aumentou quando os senhores Mario Fuchs e Frank Philips montaram em São Paulo, nos idos de 1988, o Finnegan’s Pub.
O Finnegan’s é o mais antigo e autêntico pub da cidade. Isso significa um monte de coisa, desde que é um típico bar fechado no velho estilo do Reino-Unido até que é um cantinho no qual todos se sentem muito bem, acompanhados pelos amigos para curtir um showzinho desconhecido e bom, beber um Jameson ou uma Guiness e jogar conversa fora.
É também um ponto de encontro casual, reduto de estrangeiros e de brasileiros que viveram na Europa ou simplesmente apreciam a atmosfera familiar e aconchegante, o atendimento informal e as tradições da ilha dos Leprechauns.
E é ainda um sinônimo de pioneirismo na noite paulistana, anfitrião que foi das primeiras festas em homenagem a St. Patrick e do Bloomsday – evento literário ligado a obra “Ulysses”, de James Joyce. Foi também o Finnegan’s que introduziu a culinária irlandesa e – principalmente – a cerveja Guiness no cardápio da cidade.
Quem sabe disso melhor do que ninguém é meu caro amigo André, que teve a sorte (ou azar) de há 15 anos ir morar a uns 50 passos do pub e que, como muitos, transformou o casarão da esquina da Cristiano Viana com a Artur de Azevedo em seu segundo lar.
E como tantos outros guarda, como ele mesmo diz, “no alforje da memória, histórias infinitas, das mais variadas cores, de doces e acros sabores, algumas publicáveis outras nem tanto”, colecionadas no célebre balcão do pub. São histórias como as que acontecem diariamente, ao som do rock, do blues e da mágica gaita de fole que enevoa seus ares diariamente.
O nome da casa vem de “Finnegans Wake”, ousadíssima obra de James Joyce, cujo título esconde alguns sentidos: Finn é um ancestral mitológico dos irlandeses, lembra a canção popular à respeito de um certo Finnegan, o qual falece de tanto beber uísque e, em seu velório, desperta ao sentir o cheiro da bebida.
Se depois de tudo isso você ainda precisa de um empurrãozinho extra para ir até lá, saiba que na próxima quinta-feira, dia 17, é dia de St. Patrick, o padroeiro da Irlanda. É a data mais aclamada da ilha, quando famílias e grupos de amigos saem amigos com pinturas e fantasias, em uma espécie de carnaval, embalados pelas bandas e pelas músicas folclóricas do país.
E é claro que o Finnegan’s fará sua festa, com muitas apresentações de gaitas de fole e o tradicional chopp verde, servido apenas nesta ocasião do ano. É uma homenagem ao santo, aos amigos e a todos os irlandeses que fazem questão de festejar e curtir cada minuto.
Afinal, dizia o irlandês Oscar Wilde, “a vida é importante demais para ser levada tão a sério”.
Finnegan’s Pub – Rua Cristiano Viana, 358 – Pinheiros / São Paulo. Tel: 3062-3232. Horário: Segunda a Sexta a partir das 18h, Sábado a partir das 19h.
Algumas curiosidades:
- Saint Patrick foi um missionário que levou o catolicismo aos irlandeses. É considerado o fundador da Igreja Católica no país.
- O tradicional trevo de três folhas era usado para explicar a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, ao povo irlandês. Hoje ele faz parte da herança do país, inclusive por sua cor, o verde.
- A representação da bandeira irlandesa tem o verde, como os católicos, o laranja, como os protestantes e o branco, simbolizando a paz entre os credos.
- Não há cobras na Irlanda. Diz a lenda que St. Patrick expulsou todas da ilha e elas nunca mais voltaram. Já os céticos atribuem a ausência do animal ao clima gelado.
- A lei do país proíbe que o comércio distribua sacolinhas de plástico. Quem não tiver bolsas ou mochilas precisa pagar pela sacola ou carregar as compras nas mãos.
- Chicago, nos Estados Unidos, abriga uma das maiores colônias irlandesas do mundo. No dia de St. Patrick, o rio da cidade é tingido de verde e o Chicago Bulls, time em que jogou o mito Michael Jordan, joga de uniforme verde.
- A Guiness, que já se tornou um dos símbolos do país, é a sexta maior cervejaria do mundo, e foi fundada em 1759, há exatos 252 anos.
- Em 1961, mergulhadores descobriram garrafas de Guiness num navio naufragado em 1869. Conta-se que ainda era bebível e tinha uma boa espuma.
- O copo utilizado para o consumo de Guiness é chamado “Pint”. O pint foi criado na Europa e tem 568ml.
- Há 50 cervejarias Guiness espalhadas pelo mundo. Porém, todas as Guiness vendidas no Brasil vêm da cervejaria original St. James Gate, em Dublin.
- Esta é clássica do espírito irlandês:
Em boa parte de Dublin, as casas seguem o estilo georgiano. São todas muito parecidas, exceto pelas portas, cada uma de uma cor.
A explicação é simples: conta-se que, quando o príncipe Albert, da Inglaterra, faleceu, em 1861, a rainha Vitória foi passar alguns dias na Irlanda, para se restabelecer.
A rainha ordenou então, que todas as portas fossem pintadas de preto ou exibissem bandeiras pretas, em sinal de luto. No dia seguinte, a cidade amanheceu com centenas de portas vermelhas, amarelas, verdes, azuis, laranja etc. Tudo, menos preto.
E como o amor dos irlandeses pela família real inglesa não mudou muito nestes 150 anos, a Irlanda continua ostentando suas portas, cada dia mais coloridas.
Segue abaixo um vídeo da última passagem dos irlandeses do U2 por São Paulo. Vale lembrar que no mês que vem eles estarão novamente por aqui:







Muito bom o post, parabéns.
ResponderExcluirGostei muito a união da história irlandesa cruzando com os motivos do pub.
Só esqueceu das bandas que costumam tocar por lá, que são muito boas e normalmente covers, como Beatles cover. Já presenciei Edgar Picolli e Ritchie (menina veneno) dando canja e curtindo por lá.
O post ficou bem escrito e com ótima fluidez da narrativa.
Pedro, muito legal o post sobre o bar!
ResponderExcluirBacana a origem do nome!
Não fazia idéia!!!
Quanto ao bar pra mim, dou graças a Deus que O FINNEGAN'S não fala! hahahahahaha
Moro perto, e por ser em região central, os enontros do pessoal sempre foram lá, desde meus 18 anos (menos, na verdade... mas não quero comprometer o bar).
Então, desde quartel general da galera, até bar para levar namoradas, ele sempre esteve presente pra mim.
Antigamente, tocava um trio de blues que não se via em nenhum lugar... hoje já gosto menos das bandas que passam por lá. Mas pela família, estamos sempre lá!
Amo o bar e gostei muito do seu post!
Parabéns!
Um abraço,
André M. Reichhardt
Um ótimo lugar, para falar a verdade, estou pelo menos uma vez por semana lá escutando boa música acompanhado daquele bate papo descontraído e bebendo uma Heineken gelada.
ResponderExcluirRonaldo, André e Roberto,
ResponderExcluirValeu. O pub é mesmo muito especial.
Abraço. Pedro.