segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lugarzinho - 1 Ano



O Lugarzinho está completando 1 ano de vida. E, diga-se, uma vida muito bacana e divertida, revirando os cantinhos mais agradáveis de São Paulo e de diversas outras cidades da vizinhança.


Um ano em que falamos sobre 75 lugarzinhos diferentes espalhados por aí, nos aproximando dos 80 mil acessos (superando os 11 mil neste mês), fizemos algumas promoções e algumas parcerias, entramos para o Kekanto e para o Panorama Brasil, criamos uma agenda voltada para eventos especiais e recebemos ótimas dicas de 24 queridíssimos convidados (fica aqui meu muitíssimo obrigado a Nina Becker, Blubell, Luiz Schiavon, Carlinhos Vergueiro, Sérgio Britto, João Estrella, Simone Sou, Chris Campos, Leiloca, Marco Mattoli, Taciana Barros, André Peticov, Marco Bianchi, Andréa Marquee, Fernando Salém, Jorge Mautner, Tonico Pereira, Izzy Gordon, Lan Lan, Carla Candiotto, Rejane Arruda, Sandra Coutinho e Fernanda Abreu)!
Foi um ano maravilhoso, onde pudemos percorrer cantinhos alemães, árabes, baianos, chineses, espanhóis, Indianos, ingleses, italianos, mexicanos, nordestinos e muitos outros, em casas como o Maripili, o Chi Fu, o Bar do Salim, The Bristol Tavern, a Cantina Gigio, o Acarajé da Inês, o Madhu e o novíssimo Oh! Melete, além de lugarzinhos inusitados, como a Praça Benedito Calixto, a Casa Godinho e a barraca de Pastel da Maria.



Um ano em que visitamos partes do melhor de Santos – devorando os pastéis do Toninho, os caranguejos do Heinz e os burritos do Guadalupe – e partes do melhor de Cunha – como as “mineirices” do Dona Felicidade, as já famosas caipirinhas de limão cravo do Celeiro, as cervejas da Wolkenburg e as massas do Antigo Caminho do Ouro – cidade, aliás, que vem se tornando um de meus lugarzinhos favoritos no mundo. E ainda Santo Antonio do Pinhal (com as cachaças d’A Bodega), São Bernardo (e o atraente Flutuante Netuno), Campos do Jordão (e os doces do Lenz), Bragança Paulista (e a lingüiça do Bar do Rosário), Piranguçu (e a comidinha pra lá de caseira do Pé na Roça), São Vicente (e o visual do Ao Mirante) e Joaquim Egydio (com o despojado e agradabilíssimo Bar do Marcelino).



Mas o bom mesmo foi percorrer os lugarzinhos de São Paulo. Aqui misturamos a doçura dos inigualáveis sorvetes da Italian Desserts, dos sabores nortistas da Feira Moderna, do charme do Brigadeiro Café, dos brownies da Helô Doces e o pioneirismo da Casa do Churro com a badalação do Astronete, o agito do Rose Velt, a vibração da The Burlesque Takeover e as músicas de primeiríssima qualidade do Roda Viva e do Café Piu Piu.



Descobrimos delícias inesperadas como os petiscos do Velho Rabo, as caipiras do Chora Menino e do Benjamim, o quintal do Fazendinha, as cervejas do Bar do Magrão, os diferentes peixes do Bar do Plínio e o aconchego do Dita Cabrita, além de coisas bem escondidas como os “discos voadores” do Bar dos Cornos, os mil acepipes da Juriti, a descontração do Botequim do Hugo e os barris de vinho da Adega Gaúcho, além de outras quase secretas, como o som contagiante do Clube Etílico Musical, a alegria com simplicidade e qualidade da Adega da Esquina, o charme inigualável do Bar do Museu e as maravilhosas histórias e comidinhas da Bá, e seu incrível Patuá.



Teve ainda um mar de botequins legais com suas atrações já famosas, como os sanduíches de pernil do Estadão, as coxinhas do Frangó, o chopp do Léo, os acepipes do Elídio, o engibaiado de pastéis do Giba, os franguinhos do Portella, a classe do Paribar e as Guiness do Finnegan’s.



E teve, claro, incontáveis visitas a lugares que já se tornaram velhos amigos, curtindo a velha “bagunça” da Mercearia São Pedro, a cara de “armazém mineiro” do Empório Sagarana, a tranquilidade do Tiro Liro, a “paulistanidade” do Papo, Pinga e Petisco, o jeitão “melhor boteco pé sujo do mundo” do Bar do Luiz Fernandes e a amizade, os petiscos e o inabalável estilo “isto aqui é Vila Madalena” do Empanadas.



Agora, alcançada essa “maioridade”, entraremos em uma nova fase. Novas seções estão sendo montadas e deverão estrear em breve. Novas parcerias e promoções ocorrerão nos próximos meses. E, claro, novas dicas, novas matérias, novos lugares.
É hora de abrir novos espaços e horizontes. Hora de aprimorar o conteúdo, as formas de apresentação, a quantidade e a qualidade das informações. 
É hora de crescer, pero sem deixar de ser, jamais, apenas um Lugarzinho.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SANDRA COUTINHO



Indica seu lugarzinho em São Paulo



A intimidade das intimidades, lá a ansiedade e agitação de SAMPA ficam do lado de fora, como um cachorrinho amarrado pela coleira, proibido de entrar. Estou falando do Le Petit Trou, o restaurante Bistrô do Edgard Scandurra ! Você vai lá para comer, também! Mas bem especial, é a programação musical, esporádica, mas certeira!… simplesmente saborear a Sidra da casa apreciando talentos com exclusividade, em um espaço minúsculo, que beira o constrangedor, o extremo contrário da massificação… mas não espalhe, senão nem cabe você!!!!

Agora você está na rua Dom José de Barros, 337. O cheiro de urina é forte. Abandono e decadência, quase sinônimos! Na portaria, um leão de chácara em sua elegância confere seu nome na lista; os elevadores são enfeites, pois estão desativados. Então, você sobe até o segundo andar pelas escadas desgastadas pelo tempo. Um rapaz atrás de uma mesa cobra a entrada. Você está na Trackers Tower! Um corredor, salas de diferentes proporções, lounge, pista, bar, varanda com privilegiado panorama da detonada São João e seus habitantes, sem falar da vista da intimidade exposta das moradias dos prédios em frente, impossível não observar. Na Trackers acontecem festas temáticas, domingueiras, bazar e workshops… diferente, curioso, autêntico, fique ligado!

Um terceiro lugar, é o Sabor do Momento, localizado na Rua Fantasia, esquina com a Av. do Imaginário. Um sobrado aconchegante com chás aromáticos, café gourmet, bolos e biscoitos com sabores pra lá de originais… vinhos, tortas, pizzas integrais… exposição de arte, pequeno jardim…. Bom, agora esse lugar já existe. Antes ele só estava nos meus sonhos, agora está também em sua imaginação! Aceito sócios!

Sandra Coutinho



A cantora e baixista Sandra Coutinho entrou para o mainstream da música com a banda As Mercenárias, ícone do punk e pós-punk nacional dos anos 80, reeditada por ela recentemente, após anos morando em Berlin e atuando no circuito underground alemão.
Atualmente, Sandra está produzindo seu álbum solo enquanto se apresenta com o projeto Jack&Fancy, ao lado de Clemente Nascimento, dos Inocentes.



Serviço:
Le Petit Trou – Rua Vupabussu, 71. Tel: 3097-8589
Trackers Tower – Dom José de Barros 337. Tel: 3337-5750

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Café Piu Piu (Bela Vista - São Paulo)



No final dos anos 80, comecinho dos 90, São Paulo era um tumulto só, com protestos, passeatas, comícios e tudo mais. Eu vinha de um colegial matutino em Santos para uma faculdade noturna na avenida Paulista, no olho do furacão, e não queria perder nada. É claro que se naquela época eu soubesse das coisas que eu sei hoje, tudo teria sido muito mais fácil. Mas quem disse que a vida é fácil?

A noite paulistana fervia e oferecia muitas opções. Minha turma se espalhava basicamente entre a velha e boa Madalena e a prainha. Mas de uma coisa que sei hoje eu já sabia naquela época: quando a intenção era um programa mais divertido, com bons shows, bom chopp, bons petiscos e nenhuma frescura, íamos ao Café Piu Piu.

O Café Piu Piu foi construído em 1983 sob a batuta do Sr. Luis Lustig, num galpão que antes abrigara o Teatro 13 de Maio e depois uma oficina de carros, com a finalidade de ser o que ele sempre foi:  um lugar para ouvir música de qualidade.
Lustig nunca foi um empresário da noite. Nem sequer trabalhava nessa área. Apenas gostava de música e queria um bom lugar para ouvi-la. Montou, assim, um dos galpões mais bacanas da cidade, com tijolos à vista, madeiramento antigo e acústica perfeita, lembrando bares de antigas estações de trem ou os tradicionais bares de blues e jazz de Chicago e New Orleans.

Encheu-o então de ótimas bandas, principalmente bons nomes do jazz, do blues, da boa MPB e do velho e bom rock n’ roll. Por lá passaram vários artistas da chamada Vanguarda Paulista, como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Preme e Língua de Trapo; bandas de rock que despontavam na cidade, como o Ira! e o Ultraje à Rigor; e figuras clássicas do jazz & blues brasileiros como Paulo Moura, André Christóvão, Nuno Mindelis e a Traditional Jazz Band.
A charmosa casa recebeu então o nome de Piu Piu, bem simples, sonoro, musical e brasileiro. E se tornou imediatamente uma referência para a galera mais descolada da cidade, mantendo-se como um porto seguro na inconstante região do Bexiga.

O bairro italiano da cidade entrou em declínio nos anos 90. Várias cantinas se fecharam e diversos bares, na própria 13 de Maio, tiveram que encerrar suas atividades. E o Piu Piu ficou, firme, forte e lotado. O motivo? Ficou porque se manteve ótimo, como sempre foi, e porque muito mais do que um comércio, ele carrega o orgulho, o carinho e a dedicação de uma família.
Para provar isso, quem assumiu as rédeas da casa nesta época foi a Sra. Silvia Galant, esposa de Luis Lustig. Anos depois, já no início deste milênio, ela passou o comando ao filho Paulo, que, como seu pai, nunca fora um empresário da noite e até esta época vivia a agitação cotidiana da redação do jornal O Estado de São Paulo.

Paulo Lustig é uma cara jovem, despojado, cheio de histórias para contar e, acima de tudo, um amante do rock. Com isso, fez algumas reformas na casa, deixando o palco numa posição melhor para o público e adotou novos critérios para selecionar as bandas que nela tocam, eliminando sumariamente as que não atingem seu nível de exigência.
Fez mais: ajustou o cardápio, que já era muito bom, ao contrário de quase todas as casas noturnas da cidade, e ficou ainda melhor. Ali há um ótimo chopp e coquetéis bem elaborados, como a sangria feita com vinho tinto, abacaxi, laranja e refrigerante de limão. E há ótimos petiscos e surpresas como o já clássico Latkes, um bolinho de batata crocante, frito em lascas douradas.
Outras inovações estão nos bares, comandados por mulheres, e na eficiente, simpática e informal equipe de atendentes, já que a casa foi pioneira em contratar universitários no lugar de garçons.

Hoje, vinte anos depois daquela época e com o bar se aproximando de seus 30 anos, São Paulo mudou completamente, mas o simpático Piu Piu continua atraindo legiões de fãs da música verdadeira, tocada ao vivo e com competência por covers de Beatles, U2, Pink Floyd, Yes..., e por bandas especializadas em clássicos do rock, como Rockover, Almanak e Mustang 68.
Com isso, centenas de pessoas das mais diversas gerações disputam diariamente as mesinhas de mármore espelhadas pelo salão e pelo mezanino. E disputam os espaços que sobram para pular e dançar entre elas e para ver melhor o palco. Ali, todos estão felizes. Ali todos cantam. Ali não há “corações solitários”.
A mim, do pouco que sei hoje e do que menos ainda sabia há anos atrás, cabe tentar estar junto com eles sempre que possível. Longa vida ao rock n’ roll. Longa vida ao Café Piu Piu.

Café Piu Piu – Rua 13 de Maio, 134. Tel: 3258-8066.



No dia em que estivemos no Piu Piu, conversando com o Paulo para fazer esta matéria, uma fantástica banda cover “passava o som” para a apresentação que viria um pouco mais tarde. Entre as jóias da banda homenageada, há uma música que não sai da minha cabeça. Para escutá-la mais uma vez hoje (e sempre), segue o vídeo abaixo:


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Guadalupe (Santos / SP)



Nesta semana, eu queria estar no México. Na maioria das outras também, mas esta é especial, por causa do “Dia de los Muertos”. Em qualquer lugar do mundo, esta é uma data especial para homenagearmos os entes queridos que se foram. No México também. A diferença é que lá eles fazem isso com uma festança daquelas!

A data envolve uma mistura de tradições astecas e maias com ritos católicos e celebra uma espécie de comunhão com os mortos.Os festejos começam um dia antes e terminam um dia depois! Os cemitérios são enfeitados com velas e as pessoas sentam-se entre as lápides e “comem com os mortos”. Não faltam pratos típicos, o tradicional “pan de muerto”, as caveiras de chocolate, muita música e, claro, muito tequila. Tudo dando forma à idéia de que devemos “comer, beber e gozar a vida, porque a morte é certa”.
Como sinto a presença de “mis muertos” diariamente (e sua ausência a cada segundo), prefiro homenageá-los sempre, e de preferência como os mexicanos. Mas como não irei ao México tão cedo, a saída é entrar no espírito e visitar o Guadalupe, que é – e aqui não quero provocar discussões ou controvérsias – o melhor restaurante mexicano que eu conheço.

O Guadalupe nasceu há 8 anos de uma idéia de seu proprietário, Mário Rebelo, de montar uma casa diferente, que fosse um pouco bar, um pouco restaurante e até um pouco balada.
Isso se nota logo que se chega ao local, pois ao contrário da maioria das casas do gênero, o restaurante fica em um charmoso casarão numa rua do Gonzaga, bem no coração de Santos. Seu jeitão é mais de bar, com iluminação agradável e muito bem estudada para combinar com as típicas paredes coloridas e com as diversas imagens de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira homenageada. E, claro, a casa tem uma parte de bar muito competente, de onde saem variados tequilas e deliciosos margaritas.
Cabe aqui um aparte: a chef e jornalista mexicana Lourdes Hernándes-Fuentes ensina que para os mexicanos, é “o” tequila, bem masculino mesmo. Quanto ao margarita, também é masculino, e leva o nome da flor. Marguerita é nome de pizza, não de bebida!

O jeito de bar interfere no clima da casa, despojado e festivo, que recebe um público bastante jovem que se espalha por mesas no quintal e em pequenos ambientes formados nos dois andares da casa, todos com um som ambiente muito gostoso, que dispensa as músicas típicas e os cansativos mariachis. Esse alto astral é também influenciado pela juventude da equipe de atendentes, descontraidamente comandada pela simpática Danielli, gerente da casa.

Mas, mesmo com todos esses detalhes, o que encanta no Guadalupe é realmente a sua cozinha. É dali saem que saem os deliciosos tacos e burritos que encantam a todos, feitos com grande capricho e talento, com os melhores ingredientes e usando, por exemplo, carne desfiada para o recheio, como manda a tradição e ao contrário da suspeita carne moída que já estou até me acostumando a ver por aí. Também de lá vem a ótima porção de nachos acompanhada de guacamole, cream sour, salsa e frijoles. E vem ainda o caprichado chili, o famoso refogado de feijão e carne moída, acompanhado com queijo derretido e pimentas jalapeño.

Mas não é só. Como a casa foge do sistema de rodízio, sobra espaço para novas criações, como o jalapeño recheado com cream cheese e coberto com massa crocante, ou o nacho com machacas, que traz a tortilha coberta com pasta de feijão e recheada de carne desfiada, queijo, tomate, azeitona, geléia de pimenta, guacamole e salsa picante. E dá-lhe cerveja e tequila para acompanhar.

É claro que eu preferia ir para o México. Queria nadar em Puerto Escondido, ver os murais do Rivera, visitar o museu da Frida, apreciar as ruínas maias e astecas, ir a um show do Santana e conhecer a Salma Hayek, que nem mora mais lá. 
Mas aí eu me lembro dos Paralamas que sabiamente confortam: “Tudo isso me faria feliz. Absurdos me fariam feliz. Pero nada me hará tan feliz como dos margaritas”!

Guadalupe – Rua Tolentino Filgueiras, 81, Santos/SP.   Tel (13) 3286-4221. Horário: Terça a Quinta e Domingo das 19h à 0h, Sexta e Sábado das 19h às 2h.


Como homenagem aos Paralamas, aos mexicanos e a “mis queridos margaritas”, segue o vídeo:


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Italian Dessert (Pinheiros - São Paulo)



O sorvete é uma invenção dos chineses aperfeiçoada pelos árabes e transformada em algo quase celestial pelos italianos. E apesar de a geladeira só existir a um século e meio, a adoração ao “gelato” já dura milênios.

Diz a história que há mais de 3 mil anos os chineses misturavam neve com as frutas para preparar algo parecido com o sorvete. Com técnica semelhante, os árabes passaram a preparar caldas geladas chamadas de sharbet, que viraram os afrancesados sorbets, famosos sorvetes sem leite.

O primeiro grande salto na história ocorreu no século XIII, quando Marco Pólo levou do oriente para a Itália o segredo do preparo dos sorvetes com técnicas especiais, criando uma moda que logo se espalhou pelo país.
O segundo salto, é claro, veio com a invenção da geladeira, na metade do século XIX, e que possibilitou, entre tantos benefícios, a fabricação do “sorvete tipo italiano” em qualquer lugar do mundo. E como “qualquer lugar do mundo” inclui o Brasil, os jornais paulistanos do dia 4 de janeiro de 1878 chegavam ao público com o seguinte anúncio: “Sorvetes – Todos os dias às 15 horas, na Rua Direita, nº 44”.

Mas não bastava. O ser humano não se sacia com pouco e, aos poucos, foram surgindo invenções já um tanto pecaminosas, como o sorvete napolitano, o sundae, o milk shake, o banana split e, depois, finalmente, os chamados “sorvetes finos”.
É nesta etapa que começa a história do italiano Carlo Maveri. Nascido na pequena Busto Arsizio, Carlo trabalhou na fabricação de sorvetes até resolver mudar de vida e vir para o Brasil, ainda nos anos 70. Sua idéia era trabalhar com eventos, mas quando percebeu que sua vocação (e a tentação) para o sorvete era mais forte, resolveu investir na sua produção.

Nascia assim, em 1989, a Italian Desserts, empresa pioneira na fabricação de sorvetes elaborados, como o tartufo, amore di coco, flambeau, cassata e outros. Pioneira também na criação de sabores especiais feitos sob encomenda, como caipirinha, queijo ou o que mais o cliente quiser.
Dez anos depois, como manda a tradição italiana, Carlo levou seu filho Matteo Maveri, já formado em outra profissão, para trabalhar ao seu lado. Apaixonado pela produção dos sorvetes e levado pela necessidade de deixar o pai descansar um pouco, ele assumiu a frente dos negócios em 2004.

Cheio de entusiasmo, Matteo mergulhou em cursos e especializações na Itália e na Suíça. Como conseqüência, encheu-se de novas idéias, ampliou os negócios e criou novos e exóticos sabores, atraindo um leque de mais de 200 restaurantes para sua clientela, além dos melhores clubes, buffets e companhias aéreas, e de alguns iluminados que descobriram a pequena e discreta porta quase que camuflada em uma rua de Pinheiros.

Sei não, mas acho que, como nas histórias do Veríssimo, pai e filho devem ter hesitado muito antes de lançar cada novo produto no mercado. A preocupação nunca deve ter sido com concorrência, aprovação ou qualquer coisa do tipo, já que os produtos são praticamente imbatíveis. Eles deviam temer é pela corrupção irrecuperável da humanidade. Depois de provar os tartufos, flambeaus e cassatas, as pessoas poderiam se ver fragilizadas, indefesas diante da autoindulgência ou perdidas pela culpa.
É provável que tenham até pensado em vender o sorvete com um aviso, como nos cigarros: “Atenção: pode causar dependência ou ruína moral”. Contudo, seguiram em frente, conquistando os paladares mais exigentes sem dó ou qualquer peso na consciência.

E agora essa: depois de uma reforma de alguns meses, Matteo transformou a frente da fábrica em uma pequena sorveteria, onde atenderá o público a partir da próxima semana para o livre consumo de seus sorvetes, sem restrições, em plena luz do dia até uma parte da noite!
E as novidades são muitas. Quando a pequena porta com tijolos pintados como os da parede se abrir, o desinformado público encontrará pela frente uma vitrine de tentações. São sorvetes “do tipo italiano” de sabores como zabaione, pistache, morango real, pêra, maçã verde, avelã, pêssego, cerveja, whisky, chocolate belga, um outro chocolate sem lactose e sabe-se lá mais o quê.

Encontrará também uma outra geladeira com picolés do tipo gourmet, daqueles mais elaborados e com produtos refinados, inaugurando uma nova linha de maravilhas da casa. E encontrará ainda sorvetes em novos formatos, como o milk shake que leva vodka com sorvetes de tangerina, maracujá, pêra ou limão.
Se tudo isso não bastasse, a reforma deu à fabrica ares de uma “casa de amigos que vende sorvetes”, com a simpática escadinha que receberá pufes para acolher as visitas na tranqüila calçada da Alves Guimarães, sob uma iluminação que chega a animar para a balada e ao som de deliciosos flash backs escolhidos pelo próprio Matteo.

A gelateria inaugura no final da semana que vem e as conseqüências ainda são imprevisíveis. É possível que muitos dos que forem nunca mais queiram voltar para suas casas. Não digam que eu não avisei.


Italian Dessert – Rua Alves Guimarães, 1.363, Pinheiros. Tel: 3865-3540 / 3673-6131. Horário: Segunda a Sexta das 11h às 18h , Sábado das 13h às 21h e Domingo das 14h às 20h.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

FERNANDA ABREU



Indica seu lugarzinho em São Paulo

São Paulo! Cidade alucinante!
Adoro chegar em Congonhas! O avião descendo no meio dos prédios, dos carros, da cidade! Pergunto logo se meu hotel é perto da Oscar Freire. Adoro a Oscar Freire! Fico caminhando olhando as pessoas, as vitrines chiques e luxuosas, os tipos diversos, um jeito paulista no ar porque São Paulo é bom mesmo quando se tem dinheiro!
Então gosto de sentir essa vibe. Aí pinta a fome e vou ao Marcel comer um suflê de espinafre com queijo.
Outro lado de São Paulo que amo e tem até mais a ver comigo é a Vila Madalena! Descolada, com gente descolada e clima de arte e cultura no ar!
Beijos, queridos!
Fernanda


A carioquíssima cantora e compositora Fernanda Abreu começou sua carreira musical na Blitz, banda símbolo do rock brasileiro dos anos 80, com quem lançou os conhecidíssimos álbuns “As Aventuras da Blitz”, “Radioatividade” e “Blitz 3”.
Em carreira solo desde 1990, já lançou sete álbuns e algumas coletâneas, com influências variadas do pop rock, samba, disco music, funk e funk carioca, ritmos diversos que ajudou a difundir Brasil afora.


Serviço:
Rua Oscar Freire – Jardins.
Vila Madalena – Zona Oeste.
Marcel - Rua da Consolação, 3555. Tel: 3064-3089

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Helô Doces (Vila Madalena - São Paulo)



A sua história é diferente da minha, da dela, das deles. Mas algumas coisas acontecem com todo mundo, de maneiras e com personagens variados, mas com vários detalhes idênticos.

Em algum momento da sua infância você entrou na cozinha e se deparou com sua mãe ou sua avó fazendo bolo de chocolate, chocolate quente ou qualquer outra coisa com calda de chocolate. Você pode lembrar vagamente da cena e talvez nem lembre direito do gosto, mas o cheiro... ah, o cheiro você nunca mais esqueceu.
É mais ou menos esse cheiro que “perfuma” os ares da Helô Doces, pequena fábrica de guloseimas de Heloísa Monteiro da Silva escondida há mais de vinte anos em uma ruazinha entre a Vila Madalena e a Vila Beatriz.

Mas essa história começa muito antes, quando a ainda menina Heloísa também aprendeu com a mãe os truques dos bolos, ajudando no preparo das sobremesas quando ainda mal alcançava o fogão. Foi assim até crescer, apaixonada pelos doces e, principalmente, pelo chocolate.
A Helô já adulta montou sua primeira confeitaria nos anos 70, ao lado do primo Charlô Wattely, que depois se tornaria um dos maiores banqueteiros da cidade. Mas para a Vila já seguiu sozinha, com suas receitas já aperfeiçoadas até chegar ao doce que conquistaria os paladares da cidade: o brownie.

O brownie, ícone da culinária americana, é um daqueles erros que deu certo. Ninguém sabe direito quando nem onde surgiu, mas tudo indica que foi quando alguma cozinheira esqueceu de adicionar fermento ao bolo, deixando-o espesso, macio, um tanto grudento e com uma alta concentração de chocolate.
Sua fórmula básica leva apenas cinco ingredientes: ovo, açúcar, cacau, manteiga e farinha. Só que o da Helô não leva farinha. É claro que sua fórmula mágica é secreta, mas algumas coisas são reveladas sem qualquer problema, como a tal ausência de farinha, o uso somente de chocolate de qualidade e a utilização de uma manteiga especial, com menos soro, fabricada sob encomenda.

E nem só do brownie tradicional vive a fábrica. Há uma infinidade de doces de deixar qualquer um com água na boca. São tortas de limão, pecan e amêndoas com damasco; bolos de framboesa, brigadeiro, damasco, morango e outros; merengues de chocolate, damasco, morango e pistache; mousses de framboesa, chocolate e maracujá; cheese cakes de goiaba, damasco e framboesa; bolos de sorvete com framboesa, pistache ou avelã; Petit Gateaus de chocolate, doce de leite e goiaba; brownies de nutela, doce de leite, damasco, macadâmia e muito, muito mais.

Mas convém avisar: se você for até lá buscando uma doceria com vitrine, mesinhas e cadeiras, nada verá. Para atender o público, há apenas um pequeno balcão com a lista completa dos produtos da casa. O local é, na verdade, uma simpática fábrica com uma escola de culinária para adultos e crianças instalada em seu andar superior, onde Heloísa e sua equipe ensinam o preparo de doces e salgados e realizam eventos para grupos, nos quais os participantes são convidados a preparar e comer seus próprios confeitos.

Com isso tudo, lá se vão quase duas toneladas de açúcar e de chocolate por mês – da embalagem para as panelas, das panelas para os pratos, dos pratos para milhares de estômagos espalhados por aí.
E é claro que o brownie continua sendo o campeão dos pedidos. A procura é tanta que ele já pode ser encontrado por aí, nos supermercados mais requintados. Mas por algum motivo a turma ainda prefere buscar na própria fábrica. Pode ser pela tradição, ou talvez por simpatia mesmo. Mas certamente é também por um pouquinho de saudade da infância.

Helô Doces – Rua Lira, 75. Tel: 3814-4854. Horário: Segunda a Sexta das 9h às 18h e Sábado das 9h às 14h.